O secretário de Governança de São José dos Campos, Anderson Farias Ferreira, revela nesta entrevista exclusiva os desafios que o atual governo enfrentou para recuperar as finanças do município, combalidas com uma dívida de R$ 306 milhões. "Nos surpreendeu o valor. Cortamos até no cafezinho".
Ferreira fala sobre as obras viárias, projetos de mobilidade e o futuro político do prefeito Felicio Ramuth (PSDB).
Como pegaram o Paço?
Sabíamos da situação ruim, mas nos surpreendeu a dívida de R$ 306 milhões. O prefeito montou uma comissão e renegociamos com os fornecedores. Tudo isso mexe com a economia da cidade. Fora a saúde, que estava um caos, com serviços parando pela falta de pagamentos.
Como está hoje?
Fizemos uma reforma administrativa para desburocratizar e melhorar a eficiência da máquina. Renegociamos contratos e cortamos despesas, até no cafezinho. Pequenas atitudes que, numa máquina com 8.000 funcionários diretos e 4.000 indiretos, conseguimos fazer a diferença.
E o investimento?
Pagando em dia a gente compra melhor, e economiza. A obra da ponte estaiada é feita com economias de outras obras. A capacidade hoje de investimento não passa de 5% do orçamento, que é um panorama nacional. O que conseguimos é ter financiamentos ou recursos externos.
Farão a 'Linha Verde' com recursos próprios?
Começou com recursos próprios, mas temos compromisso do governo estadual de participar. O projeto da Linha Verde foi entregue nesta quinta-feira ao Estado, que se compromete com R$ 30 milhões. O total da primeira fase vai de R$ 55 milhões a R$ 65 milhões.
O novo transporte de São José será o VLP (Veículo Leve sobre Pneus)?
A parte de estudo está sendo finalizada. A FGV também estuda o novo sistema de transporte da cidade. O prefeito decidiu pela energia limpa (elétrica), nada de combustão, com veículos com característica de metrô, mas sobre pneus.
Mobilidade será a marca?
Acredito que sim, pelas grandes obras, como Via Cambuí, Arco da Inovação e Rotatória do Gás , ligação da Salinas e Via Jaguari. Mas não só isso. Tudo é um conjunto que é importante para a cidade.
Serão entregues no mandato?
Com certeza, com exceção da Via Jaguari e da Arena Municipal de Esportes. O Arco atrasou por causa do MP.
Como está a manutenção?
Temos três empresas que operam em lotes para cuidar da cidade, além da Urbam.
A prefeitura vai tirar as famílias do Banhado até 2020?
O prefeito tomou a decisão de não fazer, neste momento, a Via Banhado. A preocupação é com as famílias. Temos programa que acolhe essas famílias e mais de 30 já saíram. A vida delas melhorou, e muito. Esperamos que a justiça se manifeste para que possamos fazer a reintegração.
Qual impacto da nova Lei de Zoneamento?
O projeto será aprovado em outubro. Passamos pelo Plano Diretor, aprovado no ano passado, e agora essa lei foi muito bem debatida com a sociedade. Não tenho dúvida que colocará outro ritmo na cidade, com uma lei moderna e arrojada, do ponto de vista urbanístico, com incentivo, fachada ativa, prédios, residências, comércios e serviços, regiões com mais incentivo para construir, e não em locais distantes onde não há estrutura pública. Vai atrair investimentos.
E as críticas ambientais?
Não são verdadeiras. Temos que ter a qualidade de vida e manter o verde. A cidade não pode perder a qualidade de vida, que é atrelada à questão ambiental.
O PT diz que há uma blindagem governista para impedir a aberturas de CEIs contra a gestão de Felicio. Como responde?
O PT no governo e na presidência da Câmara inventava CEIs contra o prefeito Eduardo Cury, por exemplo a CEI da Arena, que não deu em nada, a não ser parar a obra por seis anos e custar R$ 22 milhões a mais para a população. Eles colocavam CEI sem fundamento e não deixavam entrar a CEI do kit escolar, com fundamento. Isso é blindar. Hoje não tem nada do PT na Câmara para investigar o Felicio. Hoje tem fila de CEI porque não há 'perna' para investigar o que o PT fez. A nossa régua é muito diferente.
Para 2020, o adversário será o PT ou PSL?
Todo mundo é adversário. Importante é ganhar pelas nossas qualidades e não pelos defeitos dos outros. Fazer um bom governo, da forma correta e deixar um legado.
Vão compor com o PSL?
Não descartamos nada. O PSL de São José esteve com a gente na campanha de 2016. Não há nada que impeça de caminharmos juntos.