A Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos aprovou a transação comercial entre a Embraer e a Boeing, que irá comprar 80% da divisão de jatos comerciais da fabricante brasileira.
De acordo com comunicado distribuído pela Embraer, a "parceria estratégica" das companhias recebeu autorização para ser concluída nos Estados Unidos.
Na transação comercial entre as duas fabricantes, o setor comercial da Embraer foi avaliado em US$ 5,26 bilhões.
As empresas formarão a joint venture Boeing Brasil Commercial que absorverá toda a aviação comercial da Embraer, com 80% do controle acionário nas mãos dos americanos, que pagarão US$ 4,2 bilhões.
A brasileira ficará com os 20% restantes.
Na Europa, a avaliação irá demorar mais do que as companhias esperavam.
A expectativa de ver o acordo aprovado nas entidades regulatórias até o final deste ano passou para o início de 2020.
De acordo com as informações da Embraer, a Comissão Europeia "indicou recentemente que iniciará uma segunda fase de análises da transação, e a Embraer e a Boeing continuarão contribuindo com esse processo de revisão".
E completou: "Diante disso, as empresas esperam que a transação seja concluída no início de 2020. As duas empresas estão atuando ativamente junto às autoridades em jurisdições relevantes e já obtiveram várias aprovações regulatórias".
No final do mês de setembro, a agência Reuters informou que a transação iria enfrentar uma investigação antitruste da União Europeia com duração de até cinco meses.
O motivo é que o acordo entre as companhias é considerado "a maior mudança no setor aeroespacial comercial em décadas e reformularia o duopólio global dos jatos de passageiros", além de reforçar as companhias ocidentais contra os grupos recém-chegados da China, Rússia e Japão.
União Europeia vê vantagem comercial para americanos na transação bilionária
De acordo com a agência Reuters, a avaliação da Comissão Europeia é de que o negócio com a Embraer dará à Boeing uma posição no mercado de aviões com preços menores, permitindo competir melhor com os jatos CSeries projetados pela Bombardier, do Canadá, principal concorrente da Embraer e cujo setor foi comprado pela rival europeia da Boeing, o consórcio Airbus.
O prazo para a Comissão Europeia avaliar preliminarmente o acordo venceu em 4 de outubro. O colegiado segue agora para uma segunda fase da análise.
Se for aprovada, a parceria comercial entre Boeing e Embraer será a principal concorrente do consórcio europeu Airbus, que controla majoritariamente o programa de jatos regionais da canadense Bombardier.