11 de julho de 2026
Viver

A gracinha de Taubaté: cinebiografia de Hebe Camargo retrata sua luta contra a censura

Por Da redação@jornalovale |
| Tempo de leitura: 2 min
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Se Hebe Camargo estivesse no ar hoje em dia, esbravejaria contra o conservadorismo. Defesora dos direitos das mulheres e dos LGBT em uma época em que tais assuntos eram pouco falados, Hebe foi vanguardista em todos os aspectos de sua carreira.

A taubateana ganhou uma cinebiografia, dirigida por Maurício Farias, que chega aos cinemas nesta quinta-feira. Focado na luta de Hebe contra a censura, o filme conta os bastidores do programa da apresentadora na década de 1980.

Hebe começou sua carreira na rádio, como cantora. Ascendeu rapidamente, ganhando a alcunha de "estrela do Brasil". Deixou de lado a carreira musical para dedicar-se ao que mais gostava, comunicar-se com as pessoas através do rádio e da televisão, que viu nascer.

Em 1955, Hebe iniciou o primeiro programa feminino da TV brasileira, chamado "O Mundo é das Mulheres".

Durante sua carreira, passou por diversas emissoras. O ponto de início do filme é sua transição da TV Bandeirantes para o SBT, depois de uma polêmica.

Em seu programa ao vivo, Hebe reclarou sobre as tentativas do governo de controlar o que ela dizia em seu programa, questionando se a ditadura realmente havia terminado e pedindo melhores condições para seu programa, que na época, era gravado.

No SBT, teve o que queria, apresentava um programa livre, apesar de ainda ter problemas por não ter "papas na língua", recebendo diversos processos pelo que falava.

No filme são reproduzidas cenas icônicas de seu programa, como quando a apresentadora recebeu a transexual Roberta Close e a humorista Dercy Gonçalves, que na ocasião mostrou seus seios.

Outros famosos também estão presentes na cinebiografia, como Roberto Carlos (com quem protagoniza um dos seus famosos selinhos), a boy band Menudo, entre outros. Andréa Beltrão, que interpreta a apresentadora, não é parecida com Hebe, mas faz os trejeitos e falas como o elogio "gracinha" com simpatia.

Com a frase "A Hebe não é de direita, a Hebe não é de esquerda. A Hebe é direta", Hebe é mostrada como alguém de posição política definida, com a ajuda na eleição de Paulo Maluf, de quem era amiga pessoal.

VIDA PESSOAL.

Mesmo focado na carreira televisa de Hebe, o filme mostra a intimidade Hebe quando era casada com Décio Capuano, marido que nunca gostou que a apresentadora estivesse na rádio e na televisão.

Enfrentando o machismo em casa, Hebe Camargo, que deixou de alegrar a televisão em 2012, aos 83 anos, foi a companhia e a voz de mulheres de todo o Brasil, seja pela sua irreverência, pela sua forma de dialogar com todos os públicos ou pela sua liberdade.