O presidente Jair Bolsonaro descartou a possibilidade de recriação do Ministério da Segurança Pública. "O Brasil está indo muito bem. Segurança pública, os números demonstram que estamos no caminho certo e a minha máxima é 'em time que está ganhando não se mexe'. Lógico que está descartado", disse.
"A chance no momento é zero, não sei amanhã. Mas não há essa intenção de dividir", completou, em entrevista a jornalistas na sua chegada à Nova Delhi, na Índia, onde é convidado especial para as celebrações do Dia da República, no próximo domingo.
Ao assumir o governo, no ano passado, Bolsonaro decidiu fundir os ministérios da Segurança Pública e o da Justiça, resultando na pasta que vem sendo comandada desde então pelo ex-juiz Sergio Moro. Na quarta-feira, entretanto, integrantes do Consesp (Colégio Nacional de Secretários de Segurança Pública) se reuniram com o presidente, em Brasília, e pediram a recriação do ministério exclusivo para o setor.
"Desde a transição já não queriam a fusão. Há interesse de parte de setores da política. Nós simplesmente aceitamos, recolhemos as sugestões educadamente, dissemos que vamos estudá-las e os ministérios continuam sem problema", disse Bolsonaro.
"Os secretários, alguns, não são todos, estão querendo a divisão, alguns podem estar bem-intencionados, outros podem querem apenas enfraquecer o governo. Não existe qualquer atrito entre eu e o Moro, eu e o [ministro da Economia, Paulo] Guedes, eu e qualquer outro ministro", destacou.
Além de pedirem a recriação da pasta especializada, os secretários estaduais solicitaram a ampliação das verbas do Fundo Nacional de Segurança Pública, a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), de equipamentos de segurança e a determinação nos contratos de concessão, para que operadoras de telefonia façam o bloqueio de sinal de celular em áreas de segurança, como presídios. Na ocasião, Bolsonaro disse que iria avaliar os pedidos "o mais rápido possível".
APOIO A MORO.
O presidente em exercício, general Hamilton Mourão (PRTB), defendeu nesta sexta-feira o ministro Sergio Moro e disse que "em time que está ganhando não se mexe".
Mourão se reuniu com o ex-juiz da Operação Lava Jato, que tem vem sofrendo uma fritura no governo diante da sinalização do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de que pode recriar o Ministério da Segurança Pública e retirar tal atribuição da pasta hoje comandada por Moro.
"A situação que estamos vivendo é a de um time que está vencendo", disse o vice de Bolsonaro, que em viagem oficial à Índia. "Em time que está ganhando, a gente não mexe".
O general afirmou que, na reunião com Moro, conversou sobre a criação de uma força nacional ambiental contra o desmatamento. Ele negou que tenha tocado no assunto da hipótese de separação ministerial entre Segurança e Justiça.
Mourão também disse já ter discutido o tema com Bolsonaro e reafirmou sua opinião. "Algumas vezes já trocamos ideia a esse respeito. Ele apenas me perguntou e eu respondi a ele que, do jeito que está está bom"..