10 de julho de 2026
Viver

Peça em Taubaté monta encontro fictício entre Malcolm X e Martin Luther King

Por Thais Perez@_thaisperez |
| Tempo de leitura: 2 min
Martin

Malcolm X e Martin Luther King Jr. coexistiram na mesma época e lutaram a mesma guerra, eram irmãos de cor.

Um bate-papo em uma mesa em um clube de Jazz poderia ser uma cena típica entre esses dois ícones da cultura afroamericana.

Contudo, esse encontro nunca aconteceu. Com a ajuda da ficção, Martin e Malcolm tiveram uma conversa que foi adiada por mortes trágicas.

Na peça de teatro "O Encontro - Malcolm X & Martin Luther King Jr" as duas figuras se enfrentam pela primeira vez em um debate acalorado.

O espetáculo será encenado no Sesc Taubaté neste sábado, às 20h, com ingressos entre R$ 9 a R$ 30.

Ambos tinham o mesmo objetivo: acabar com o racismo e a desigualdade. Contudo, suas ideias eram quase opostas.

"Cada um tinha sua ideia de luta. Um era pacífico e o outro ficou conhecido pela violência. Nessa peça podemos ver o quanto eles se complementaram, mesmo tendo visões diferentes", afirma Aline Mohamad, uma das idealizadoras do projeto.

O pastor Luther King defendia uma luta pacifista com debates abertos e resistência pautada diálogo político com a sociedade, enquanto Malcolm X defendia uma resistência combativa, que respondesse à violência racista com violência de reação.

O texto da peça foi escrito na década de 1980, mas consegue trazer questões raciais que ainda são extremamente atuais.

"Uma pessoa que assistiu a peça veio nos agradecer por ter incluído um assunto na peça, em uma passagem em que Malcolm afirma que não seria respeitado nem se fosse advogado. Lembraram do episódio em que uma advogada negra foi retirada à força de uma audiência. Nós não incluímos nada, seguimos o texto a risca. Mas tudo isso ainda é muito atual", conta Aline.

Aline, que é negra, conta que escolheu adaptar o texto porque ele serve de reflexão para uma luta que ainda continua.

"Só de termos cinco atores negros no palco, já é uma militância. Nós nunca conseguimos contar nossa história. Essa peça é importante para que a nova geração ganhe um "gás" a mais para mudar nossa sociedade", completa.