08 de julho de 2026
Brasil

MPF denuncia Glenn por invasão de celulares

Por Felipe PontesAgência Brasil |
| Tempo de leitura: 2 min
Denunciado. O jornalista norte-americano Glenn Greenwald

O MPF (Ministério Público Federal) apresentou nesta terça-feira à Justiça Federal denúncia contra sete pessoas, incluindo o jornalista norte-americano Glenn Greenwald, responsável pelo site The Intercept Brasil, no âmbito da Operação Spoofing, que apura a invasão de celulares de autoridades. São apontados indícios dos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e interceptação telefônica ilegal. Segundo a denúncia, assinada pelo procurador da República Wellington Divino de Oliveira, Greenwald teria auxiliado e incentivado as atividades criminosas.

O jornalista não chegou a ser investigado pela Polícia Federal. Uma liminar (decisão provisória) concedida em agosto do ano passado pelo ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou que Greenwald não fosse investigado ou responsabilizado por receber, obter ou publicar informações de interesse jornalístico. Desde junho do ano passado, o Intercept tem publicado mensagens trocadas por autoridades da República. Glenn afirma ter obtido o material de uma fonte anônima.

Na denúncia, o procurador Divino de Oliveira ressalta que, em respeito a tal decisão, não houve investigação contra Greenwald, mas que ainda assim resolveu denunciá-lo, após ter sido encontrado em um computador na casa de Luiz Henrique Molição, acusado de ser um dos hackers invasores de celulares de autoridades, um áudio em que o jornalista orienta a destruição de mensagens, segundo a acusação.

A orientação para que mensagens que ligavam os hackers ao Intercept fossem apagadas teria sido dada por Greenwald depois das primeiras notícias sobre a invasão do celular do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, diz.

O procurador diz entender não ser crime somente a publicação do material obtido de forma ilícita, mas argumenta que Greenwald teria ido além ao orientar sobre como dificultar a investigação. Foram denunciados ainda: Walter Delgatti Netto e Thiago Eliezer Martins Santos, apontados como mentores e líderes do grupo; Danilo Cristiano Marques, acusado de ser testa de ferro de Delgatti; o programador Gustavo Henrique Elias Santos, que teria desenvolvido as técnicas para a invasão; e Suelen Oliveira, esposa de Gustavo que teria atuado como laranja..