09 de julho de 2026
Política

Obra do Arco da Inovação não é financiada com empréstimo do BID

Por Julio Codazzi e Xandu Alves@jornalovale |
| Tempo de leitura: 2 min
Ponte estaiada. Obra do Arco da Inovação será entregue com sete meses de atraso e 20% mais cara

Ao contrário do que o governo Felicio Ramuth (PSDB) afirmou nos últimos 20 meses, a obra do Arco da Inovação não recebe recursos do empréstimo do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).

A revelação veio à tona esse mês, em relatório do Mici (Mecanismo Independente de Consulta e Investigação), um órgão independente do BID que recebe reclamações relacionadas a obras financiadas pelo banco. Ao analisar uma denúncia feita por dois moradores de São José dos Campos sobre a ponte estaiada, o Mici questionou ao BID se a obra era financiada pelo banco. A resposta foi negativa e, com isso, a denúncia foi arquivada.

Na resposta ao Mici, o BID informou que a obra foi considerada inelegível para o financiamento por não atender dois requisitos: falta de estudos de avaliação do impacto ambiental e social da construção e de consultas públicas - embora o projeto tenha sido anunciado em abril de 2018 e a obra tenha sido iniciada em junho do ano passado, apenas em fevereiro de 2019 foi feita uma reunião para apresentar o Arco da Inovação à população.

Em abril de 2018, quando o projeto foi anunciado, o governo Felicio afirmou que a obra seria financiada pelo BID. Em fevereiro de 2019, a pedido da prefeitura, o contrato com o banco chegou a ser alterado e a ponte estaiada foi incluída na lista de obras a serem custeadas com o empréstimo. No entanto, no dia 16 de agosto o BID notificou o município de que, pelas falhas citadas acima, o Arco havia sido considerado inelegível.

Em nota à reportagem, o BID confirmou que não financia a ponte estaiada. Apesar disso, todos os registros de pagamento à construtora Queiroz Galvão que constam no Portal da Transparência do município citam que os valores são decorrentes de operação de crédito. O Arco, que deveria custar R$ 48,517 milhões e ser entregue em setembro, já custa R$ 58,26 milhões e só deve ser concluído em março de 2020. À reportagem, o governo Felicio alegou que "todos os pagamentos relativos à obra seguem rigorosamente em dia, e independente de sua elegibilidade ou não, esta gestão tem o compromisso de aplicar de forma eficiente todo e qualquer recurso público, independente de sua fonte de arrecadação ser através de empréstimos ou do tesouro municipal".

A oposição criticou o governo. "A prefeitura enganou a população", disse o vereador Wagner Balieiro (PT). "É muito grave você começar uma obra sem ter clareza de onde vêm os recursos. Isso caracteriza uma improbidade administrativa muito séria", completou..