08 de julho de 2026
Ideias

a tensão no oriente

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Dezembro de 1998. Em meio a um processo de impeachment, o então presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, ordenou um bombardeio ao Iraque. Na época, o governo norte-americano alegou que o ataque era uma retaliação à falta de cooperação do regime de Saddam Hussein com inspetores de desarmamento da ONU (Organização das Nações Unidas). Com mais de 200 mísseis, a operação Raposa do Deserto durou cerca de 70 horas.

Novembro de 2011. O então empresário Donald Trump publicou um tuíte em que dizia que o então presidente dos EUA, Barack Obama, iria atacar o Irã para pavimentar o caminho para sua reeleição. "Para se eleger, Barack Obama vai começar uma guerra com o Irã", postou Trump. Ao longo de 2012, antes de Obama vencer o republicano Mitt Romney, Trump postou mais tuítes sobre o tema. "Barack Obama irá atacar o Irã para se reeleger", disse em janeiro. "Eu sempre disse que Barack Obama irá atacar o Irã, de alguma maneira, de olho na eleição", reforçou em agosto. "Agora que os números de Obama estão em parafuso, esperem para que ele lance um ataque contra a Líbia ou contra o Irã. Ele está desesperado", afirmou em outubro. "Não deixem Obama usar a carta Irã para começar uma guerra e se eleger. Cuidado, republicanos", disse no mesmo mês.

Janeiro de 2020. Em meio a um processo de impeachment, Trump, agora presidente dos EUA, ordenou um ataque com drone no Iraque, que acabou com a morte de Qassem Soleimani, chefe de uma unidade especial da Guarda Revolucionária do Irã e um dos homens mais poderosos do país. O Pentágono alegou que a ação foi feita porque Soleimani havia sido responsável pela morte de muitos norte-americanos. Portanto, seria necessário deter planos de futuros ataques iranianos.

Apesar da explicação oficial, impossível não imaginar que Trump teve motivações políticas para ordenar o ataque. Além de enfrentar o processo de impeachment, o republicano buscará a reeleição em novembro. E, como deixou claro em relação a Obama, o presidente acredita que ataques a 'nações inimigas' podem render dividendos eleitorais.

Espera-se que, no caminho para conquistar o eleitorado dentro dos Estdos Unidos, Trump não comece uma guerra fora dele..