A novela “Bom Sucesso” (Globo) já acabou, mas o mercado editorial segue comemorando: pela primeira vez um folhetim retratou o trabalho de editoras. Na trama, Alberto, personagem interpretado por Antônio Fagundes, é dono da fictícia editora Prado Monteiro. E, ao longo da história, ele apareceu lendo importantes obras literárias, entre elas, “Dom Quixote de La Mancha” (1605), escrito por Miguel de Cervantes; “Sítio do Picapau Amarelo” (1920- 1947), de Monteiro Lobato.
“A inspiração para a novela veio há uns três anos, quando trabalhei como curadora de Bienal do Livro e fiquei muito entusiasmada com aquele ambiente que uniu milhares de pessoas em torno do universo dos livros”, afirmou Rosane Svartman, autora da trama junto de Paulo Halm. “Achamos que trazer o mundo da literatura era uma inspiração e uma homenagem ao que a gente faz, que é contar histórias”, continuou ela.
Obras
Cada trecho foi escolhido a dedo, a partir do repertório dos autores, da equipe de produção e de amigos. “A sugestão de Cyrano de Bergerac, por exemplo, foi do próprio Fagundes. Estávamos procurando um livro de um personagem que se sacrificava por amor e ele deu esta sugestão”. O diálogo entre as várias narrativas dentro do audiovisual não é privilégio da novela. “Em ‘Malhação Sonhos’ trouxemos o teatro e a música. Em ‘Totalmente Demais’, o cinema e a poesia. Agora, é a vez da literatura”, lembrou Halm.
“Esse universo é muito rico. Aliás, quando começamos a escrever, encontramos o livro ‘A Morte é um dia que vale a pena viver’, da dra. Ana Claudia Quintana Arantes. Temos um diálogo contínuo com a obra, que fala da mesma coisa que levantamos na novela: aproveitar ao máximo a vida”.
Em “Bom Sucesso”, os livros tiveram ainda a missão de ajudar a compreender os personagens. Paloma (Grazi Massafera), por exemplo, leu obras que dizem respeito aos seus conflitos e dúvidas: “Otelo” (1604, Shakespeare); “Dom Casmurro” (1899, Machado de Assis) e “O Primo Basílio” (1878, Eça de Queiroz), de alguma forma, falam de uma mulher que está dividida entre seus sentimentos.
Mercado
Segundo levantamento realizado pelo Google a pedido do site “F5”, houve um aumento nas buscas por obras citadas na novela. Narrativas menos conhecidas, como “A Letra Escarlate” (1850, Nathaniel Hawthorne) e “A morte da porta-estandarte” (Aníbal Machado) chegaram a ter crescimento de 5.000%.
“Pena que nem sempre a gente consegue utilizar todos os livros que gostaríamos, por conta de direitos autorais, que nos impede de citar autores mais recentes - brasileiros em sua maioria”, lamentou Halm. “Assim, acabamos nos restringindo aos clássicos da literatura mundial, que são ótimos - tanto que clássicos - mas sentimos falta de usar livros e autores nacionais mais contemporâneos”.