08 de julho de 2026
Ideias

NO RASTRO DA TRAGÉDIA

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Porto

Tratado pelo desgoverno do presidente Jair Bolsonaro (PSL) como sendo 'patinho feio' ao divulgar dados que apontavam o avanço desenfreado das queimadas e do desmatamento na Amazônia, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) foi punido pelo Palácio do Planalto por fazer (e bem) ciência. Afinal, para uma administração com espírito medieval que cultua e premia a ignorância e o desconhecimento empírico, fazer ciência é um pecado mortal. Em meio à crise internacional provocada pelo avanço da devastação na maior floresta do mundo, o Executivo exonerou Ricardo Galvão da direção e ordenou uma reestruturação no Inpe -- que tem como finalidade tirar o peso do instituto, que tem sede em São José dos Campos, diminuindo seu tamanho e relevância.

Após ignorar os dados fornecidos pelo instituto, deixando as queimadas correrem soltas na Amazônia e queimando o Brasil internacionalmente, esse obscurantista governo Bolsonaro agora que ver o Inpe virar cinzas?

No entanto, em meio à grave crise provocada por toneladas de óleo que atingem a costa brasileira, na maior tragédia ambiental já ocorrida no nosso litoral, o Inpe -- que antes não servia -- virou uma das armas do governo para identificação da origem do rota desse vazamento.

É possível, porém, mesmo sem uso de satélites, identificar pontos importantes que ajudam a entender as razões para a crise ter tomado tais proporções. E isso sem o uso de teorias conspiratórias e acusações infundadas, como culpar o Greenpeace ou dizer que o governo da Venezuela era responsável pelo 'crime'.

Por exemplo, órgãos ambientais deixaram claro que o governo não saberia lidar com o vazamento de óleo -- nas próprias palavras da associação que engloba servidores do meio ambiente, o decreto de Bolsonaro que extinguiu conselhos, comissões e outras classes relativas ao tema deixaram o país "desguarnecido" para enfrentar a crise dos vazamentos que se alastra e vai continuar.

Para deixar claro: há, no governo, um documento oficial que dita, exatamente, medidas a serem implantadas em caso de poluição por óleo. E este plano foi acionado pela presidência apenas 41 dias depois do necessário, quando 19 praias e três estados diferentes no Nordeste já estavam com as manchas. Equívoco através de equívoco.

Para enxergar o rastro de erros do governo, realmente, não é necessário o uso de satélites. É um trágico rastro visível a olho nu. Só não vê quem não quer..