08 de novembro de 2026
HOMENAGEADA NA FLIM

Ruth Guimarães, nascida no Vale, é expoente da literatura

Por Da redação | Cachoeira Paulista
| Tempo de leitura: 4 min
Instituto Ruth Guimarães/Reprodução
Ruth Guimarães

A 12ª edição da Flim (Festa Literomusical de São José dos Campos), com o tema "Travessias", homenageia a escritora, poetisa, cronista, tradutora e pesquisadora Ruth Guimarães (1920–2014).

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Nascida em Cachoeira Paulista, a autora projetou-se nacionalmente em 1946 com o lançamento do romance "Água Funda" e é reconhecida como uma das primeiras escritoras negras de destaque na literatura brasileira e uma das principais expoentes da cultura folclórica do Vale do Paraíba.

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Biografia

Ruth foi aluna de Mário de Andrade, que a iniciou nos estudos de folclore e literatura popular. Sua obra é marcada pela valorização da oralidade, das lendas do folclore brasileiro, da cultura caipira e da herança negra, tendo recolhido histórias durante sua infância em Minas Gerais e no interior paulista.

Trabalhou para diversas editoras como revisora e tradutora, escrevendo crônicas, artigos e crítica literária para jornais e revistas de São Paulo, Rio de Janeiro e Lisboa, como o Correio Paulistano, A Gazeta, Diário de São Paulo, Folha da Manhã, publicando contos no Suplemento Literário do jornal O Estado de São Paulo e crônicas semanais para o jornal Folha de São Paulo e para O Vale Paraibano.

Ela faleceu em 21 de maio de 2014, aos 93 anos.

Junia Botelho, uma das filhas de Ruth e também uma das curadoras da FLIM, ressaltou a OVALE a importância da homenagem da Flim para apresentar a autora à nova geração de leitores.

"Para nós, é muito importante; estamos muito felizes porque, por muito tempo, ela ficou desconhecida. Ela não era de fazer marketing pessoal. Ela não ligava para isso. Ela falava: 'Ah, fama, glória, dinheiro...' Isso para ela não era. Ela era muito desapegada. Então, quem não é visto não é lembrado. E aí ela ficou um tempo invisibilizada."

Obras

O primeiro romance, "Água Funda", foi lançado em 1946. A partir daí, foram quase 20 obras publicadas ao longo de décadas que compõem o catálogo da autora, sendo os últimos os volumes "Histórias de Onça" e "Histórias de Jabuti", publicados pela Usina de Ideias em 2008 pelo Projeto Macunaíma.

Entre as principais obras de tradução se destacam: "O asno de ouro", de Apuleio (Cultrix, 1963); seleções e traduções de obras de Honoré de Balzac ("Histórias fascinantes", 1960; Contos de Balzac, 1986; "Os melhores contos de Balzac", 1988); volumes de contos de Fiódor Dostoiévski (Edições de Ouro, 1966; Cultrix, 1985; Círculo do Livro, 1987); além de "A Dama das Camélias", de Alexandre Dumas Filho, e outros.

Durante a programação da Flim, 18 títulos estarão disponíveis para venda, além da biografia "Histórias da Casa Velha", escrita por Junia e pelo irmão Joaquim Botelho.

"São 400 páginas e a gente nem contou tudo ainda. Então a gente circula porque a gente acha importante, porque agora quem pode contar a história de Ruth somos nós", diz Junia, que destaca que o resgate e a valorização do legado literário da mãe ganharam força com o trabalho dos filhos e a criação do Instituto Ruth Guimarães em Cachoeira Paulista.

Instituto Ruth Guimarães

"A partir de 2014, nós, os filhos, ficamos trabalhando, fazendo coisas; fizemos o Instituto Ruth Guimarães lá em Cachoeira Paulista; participamos da FLIP [...] E isso está fazendo com que ela esteja sendo novamente conhecida e reconhecida. E nós temos muito orgulho disso. Os filhos, as netas. Porque é um legado. Não é porque é nosso, nossa família, porque é nosso sangue. É porque a gente acredita realmente que ela tem um valor que não tem outro na região. Mesmo Monteiro Lobato é muito aclamado, mas ele não era caipira, né? E ela é uma mulher e é negra e é caipira. Então, ela escreve com propriedade", afirma a filha.

O Instituto Ruth Guimarães funciona como um centro cultural sediado na antiga chácara onde viveu a escritora. O espaço recebe visitas individuais ou grupos de 30 a 40 pessoas, promovendo saraus, encontros literários, exposições e prestando consultoria sobre a escritora e suas pesquisas folclóricas.

O local fica na rua Carlos Pinto, nº 130, Cachoeira Paulista.

A Flim

A Flim acontece entre 27 e 29 de novembro, no Parque Vicentina Aranha, em São José dos Campos.

O evento conta com mesas literárias e apresentações artísticas diversas. A mesa de encerramento reúne Junia Botelho, Paulo Barja, Severino Antônio e Kátia Tavares, sob mediação de Socorro Lira, responsável por musicar poemas de Ruth Guimarães.