O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Edson Fachin, negou nesta quinta-feira (5) o pedido de liberdade do empresário Fabiano Zettel, investigado na Operação Compliance Zero, que apura fraudes no Banco Master.
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Cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Zettel está preso na Penitenciária 2 de Potim, no Vale do Paraíba. O ministro também rejeitou o pedido de prisão domiciliar.
Zettel é acusado de atuar como operador financeiro de Vorcaro, que também está preso. Na decisão, Fachin entendeu que a prisão preventiva é necessária para o andamento das investigações.
“A prisão preventiva autorizada nos autos segue adequada e indispensável à aplicação da lei penal, à manutenção da ordem pública e à conveniência da instrução criminal, devendo ser mantida”, escreveu o ministro.
Zettel foi preso pela Polícia Federal em março deste ano e está custodiado no Complexo Penal da Penitenciária 2 de Potim.
Vorcaro e Zettel foram transferidos para a unidade de Potim em 5 de março, um dia depois da prisão do ex-banqueiro em São Paulo. Os dois ficaram inicialmente em uma cela de observação, procedimento adotado para novos presos.
A permanência de Vorcaro no Vale durou apenas um dia. Em 6 de março, ele foi levado para Brasília, após decisão do ministro André Mendonça, do STF, que autorizou a transferência para uma unidade federal. Zettel permaneceu em Potim e segue em prisão preventiva.
Em conversa gravada, Zettel disse que Vorcaro teria mantido R$ 20 bilhões no exterior e não conseguia acessar os recursos diante do avanço das investigações sobre o Banco Master. As informações foram divulgadas pela revista piauí, que obteve áudios e mensagens de WhatsApp entre Zettel e uma mulher com quem ele manteve relacionamento extraconjugal.
A conversa é de 2 de dezembro de 2025, após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central e depois da primeira prisão de Vorcaro. “Ele guardou 20 bi no exterior e não consegue ir lá, não consegue gastar, não consegue pegar”, disse Zettel, segundo a gravação.
O valor, porém, é uma informação atribuída a Zettel. Até o momento, não se trata de cifra apresentada publicamente pela Polícia Federal ou pelo Banco Central como confirmação de recursos de Vorcaro no exterior.
As conversas obtidas pela piauí abrangem o período entre o início de 2023 e a prisão de Zettel. Além da situação financeira de Vorcaro, os diálogos mostram a atuação do cunhado em operações do grupo, em pagamentos e em outras demandas ligadas ao ex-banqueiro.
Em outro trecho, Zettel afirma que Vorcaro estava sem dinheiro disponível e enfrentava dificuldades para pagar despesas, inclusive com a defesa jurídica. Segundo o relato, o problema não seria necessariamente a inexistência de patrimônio, mas a impossibilidade de acessar recursos mantidos fora do Brasil. É nesse contexto que surge a referência aos R$ 20 bilhões.
A conversa ocorreu semanas depois de o Banco Central decretar a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025, e após Vorcaro deixar a prisão sob medidas cautelares.
O nome de Zettel já havia aparecido em outras frentes da investigação. Em março, a Folha de S.Paulo informou que o empresário recebeu R$ 485 milhões da Super Empreendimentos, empresa investigada pela PF no caso Master.
Segundo os dados obtidos pelo jornal, os repasses ocorreram entre julho de 2022 e janeiro de 2026. Só em 2025, foram 264 transferências, que somaram R$ 160 milhões. A empresa é investigada sob suspeita de ter sido usada como canal de pagamentos ligados ao grupo de Vorcaro.