06 de novembro de 2026
HOMICÍDIO

Quem matou Rodrigo? Homem espancado morre após churrasco em SJC

Por Jesse Nascimento | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução/Polícia Civil

A Polícia Civil investiga a morte de Rodrigo de Oliveira Santiago, de 47 anos, encontrado inconsciente e com graves ferimentos no banco traseiro do próprio carro, no Jardim Santa Júlia, em São José dos Campos.

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Socorrido em 31 de outubro, ele morreu na quarta-feira (4) no Hospital Municipal da Vila Industrial. Nesta quinta-feira (5), o boletim de ocorrência foi atualizado e o caso passou a ser registrado como homicídio consumado de autoria desconhecida.

O documento foi elaborado em 3 de novembro, quando Rodrigo ainda estava internado. O sepultamento ocorreu na quinta-feira, no Cemitério Parque das Flores.

O histórico policial relata duas sequências de agressões na madrugada de 31 de outubro e menciona veículos suspeitos, imagens de monitoramento e a possível presença de guardas civis municipais em parte da ocorrência.

Essas informações constam de declarações registradas no boletim e dependem de confirmação pela investigação.

Rodrigo saiu de churrasco na casa da mãe

Na noite de sexta-feira (30/10), Rodrigo participava de um churrasco com familiares na casa da mãe, no Jardim Santa Júlia. Por volta das 22h, saiu com seu Hyundai Tucson preto. Os parentes imaginaram que a ausência seria rápida, mas depois perceberam que o carro não estava mais no local.

Na manhã seguinte, um irmão avisou a família de que a Polícia Militar havia encontrado Rodrigo dentro do veículo, perto de um rancho no mesmo bairro. Segundo o boletim, ele estava inconsciente, com lesões graves no rosto e sinais de agressão. O Samu prestou os primeiros socorros e o levou ao Hospital Municipal.

Os médicos identificaram sangramento no cérebro, além de ferimentos faciais. Rodrigo foi internado na UTI, em estado grave e sem comunicação verbal.

Testemunha relata duas sequências de agressões

Um dos relatos do boletim é atribuído a um amigo da vítima. Segundo ele, por volta da 1h de 31 de outubro, ligou para Rodrigo para convidá-lo para um pagode e ouviu gritos ao fundo. Rodrigo teria dito que estava em uma briga perto de uma adega na Rua Rodolfo Castelli.

O amigo afirma que foi ao local, encontrou Rodrigo no carro e assumiu a direção. Os dois passaram pela casa da mãe da vítima e seguiram pela região. Em dado momento, a testemunha entrou em um condomínio para buscar um cartão. Nesse intervalo, um Corsa escuro, com dois homens e uma mulher, teria se aproximado pela contramão. Segundo o relato, os ocupantes tiraram Rodrigo do carro e o agrediram até deixá-lo desacordado.

A testemunha diz que existem imagens desse momento e que elas foram entregues à Polícia Civil. O boletim, porém, não traz análise pericial das gravações.

Uma segunda sequência teria ocorrido perto de um posto de combustíveis da mesma rua. De acordo com a declaração, cerca de cinco homens chegaram a pé, retiraram Rodrigo novamente do carro e continuaram o ataque. O amigo teria corrido para pedir ajuda. Os agressores, ainda conforme essa versão, colocaram a vítima no banco traseiro da Tucson e partiram com o veículo.

A dinâmica completa, o número de envolvidos e o papel de cada um ainda precisam ser esclarecidos.

Câmeras podem ajudar a identificar os envolvidos

O boletim menciona informações de um conhecido da família sobre possíveis registros do COI (Centro de Operações Integradas). 

Segundo elas, câmeras teriam flagrado o carro de Rodrigo durante a madrugada. Uma imagem, supostamente captada às 3h05, mostraria o automóvel conduzido por uma pessoa de baixa estatura.

O documento levanta ainda a hipótese de que as agressões tenham continuado em outra área, sem confirmação pericial até o momento.

A ocorrência relata o desaparecimento de pertences da vítima: celular, anel de ouro, relógio e a chave do veículo. Mesmo assim, a segunda edição do boletim registra homicídio, sem conclusão sobre crime patrimonial. Outro trecho cita ocupantes de um HB20 preto que teriam procurado imagens de segurança de um rancho. O boletim ressalta a necessidade de identificar essas pessoas e verificar se têm relação com o caso.

Carro foi lavado antes da perícia

Segundo o histórico, a Tucson foi levada para a casa da mãe de Rodrigo, e familiares fizeram a limpeza do automóvel, o que prejudicou o exame pericial. O boletim não informa a intenção dos familiares, e por isso o fato não permite atribuir qualquer tentativa de interferir na investigação.

Na atualização de 5 de novembro, a Polícia Civil registrou a elaboração do exame necroscópico e a entrega do documento à irmã da vítima. O laudo completo não consta do boletim disponibilizado.

O homicídio foi classificado com referência a motivo fútil, mas o histórico não apresenta motivação comprovada, não identifica responsáveis e não informa prisões até a emissão da segunda edição.

A investigação depende da identificação dos possíveis agressores, da análise das imagens citadas, dos laudos e da coleta de depoimentos.