A poucos dias de subir ao palco da Farma Conde Arena, em São José dos Campos, o guitarrista dos Titãs, Tony Bellotto, de 66 anos, falou sobre a luta contra o câncer de pâncreas e revelou como o diagnóstico transformou suas prioridades. Em entrevista ao jornal O Globo, repercutida nesta quinta-feira (5) pelo portal Notícias da TV, o músico afirmou que seu principal desejo para os próximos anos é continuar vivo.
"Ficar vivo, esse é o meu objetivo", declarou o artista, que descobriu a doença em março de 2025, após a realização de exames de rotina.
O depoimento acontece às vésperas da apresentação dos Titãs em São José dos Campos, marcada para este sábado (7), quando a banda leva ao palco da Farma Conde Arena a turnê comemorativa dos 40 anos de Cabeça Dinossauro, um dos discos mais importantes da história do rock brasileiro.
Tony Bellotto contou que a descoberta do câncer provocou uma mudança profunda em sua maneira de pensar sobre o futuro. Acostumado a uma rotina de shows, gravações e projetos literários, o músico passou a valorizar ainda mais os momentos cotidianos.
Segundo o guitarrista, receber o diagnóstico de uma doença grave o fez refletir sobre a finitude da vida e a importância de aproveitar cada dia.
Desde a descoberta, Bellotto passou por cirurgia e sessões de quimioterapia. Atualmente, afirma que não está mais realizando quimioterapia, mas continua em tratamento e acompanhamento médico para controlar a doença.
O artista também destacou que conseguiu recuperar sua rotina, incluindo atividades físicas, composição musical, escrita e apresentações com os Titãs.
Para ele, a possibilidade de continuar trabalhando e fazendo o que gosta representa uma conquista importante diante dos desafios enfrentados desde o diagnóstico.
Mesmo durante o tratamento, Tony Bellotto manteve sua ligação com a música. O guitarrista voltou aos palcos e continua participando dos projetos da banda.
Em outra entrevista, concedida à Folha de S.Paulo, o músico afirmou que a experiência com o câncer fez com que passasse a enxergar cada novo dia de forma especial.
A música também ganhou um significado ainda mais importante nesse período. Bellotto relatou que tocar e estar no palco são momentos em que consegue deixar a preocupação com a doença em segundo plano.
Aos 66 anos, o guitarrista segue conciliando os cuidados com a saúde e a carreira artística.
A apresentação deste sábado (7), na Farma Conde Arena, faz parte da turnê Cabeça Dinossauro 40 anos, que celebra o álbum lançado em 1986 e considerado um divisor de águas na trajetória dos Titãs.
O espetáculo reúne Tony Bellotto, Branco Mello e Sérgio Britto, acompanhados pelos músicos Mario Fabre, Beto Lee e Alexandre de Orio.
Lançado durante o processo de redemocratização do Brasil, Cabeça Dinossauro trouxe letras contundentes e uma sonoridade mais agressiva, abordando temas como violência, religião, poder e autoritarismo.
Entre as músicas que marcaram o disco estão Polícia, Igreja, Bichos Escrotos e AAUU.
Quatro décadas depois, o trabalho continua sendo uma das principais referências do rock nacional e ganha uma nova celebração nos palcos.
Para Tony Bellotto, a apresentação em São José dos Campos acontece em uma fase especialmente significativa de sua vida, marcada pela continuidade do tratamento contra o câncer, pelo retorno às atividades e pela oportunidade de seguir fazendo música ao lado dos companheiros de banda.