05 de novembro de 2026
COM CANCÊR

'Meu objetivo é ficar vivo', diz Bellotto antes de show em SJC

Por Leandro Vaz | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Da redação
TV Cultura
Tony Bellotto, do Titãs

A poucos dias de subir ao palco da Farma Conde Arena, em São José dos Campos, o guitarrista dos Titãs, Tony Bellotto, de 66 anos, falou sobre a luta contra o câncer de pâncreas e revelou como o diagnóstico transformou suas prioridades. Em entrevista ao jornal O Globo, repercutida nesta quinta-feira (5) pelo portal Notícias da TV, o músico afirmou que seu principal desejo para os próximos anos é continuar vivo.

"Ficar vivo, esse é o meu objetivo", declarou o artista, que descobriu a doença em março de 2025, após a realização de exames de rotina.

O depoimento acontece às vésperas da apresentação dos Titãs em São José dos Campos, marcada para este sábado (7), quando a banda leva ao palco da Farma Conde Arena a turnê comemorativa dos 40 anos de Cabeça Dinossauro, um dos discos mais importantes da história do rock brasileiro.

Diagnóstico mudou a maneira de encarar a vida

Tony Bellotto contou que a descoberta do câncer provocou uma mudança profunda em sua maneira de pensar sobre o futuro. Acostumado a uma rotina de shows, gravações e projetos literários, o músico passou a valorizar ainda mais os momentos cotidianos.

Segundo o guitarrista, receber o diagnóstico de uma doença grave o fez refletir sobre a finitude da vida e a importância de aproveitar cada dia.

Desde a descoberta, Bellotto passou por cirurgia e sessões de quimioterapia. Atualmente, afirma que não está mais realizando quimioterapia, mas continua em tratamento e acompanhamento médico para controlar a doença.

O artista também destacou que conseguiu recuperar sua rotina, incluindo atividades físicas, composição musical, escrita e apresentações com os Titãs.

Para ele, a possibilidade de continuar trabalhando e fazendo o que gosta representa uma conquista importante diante dos desafios enfrentados desde o diagnóstico.

Música segue como parte da recuperação

Mesmo durante o tratamento, Tony Bellotto manteve sua ligação com a música. O guitarrista voltou aos palcos e continua participando dos projetos da banda.

Em outra entrevista, concedida à Folha de S.Paulo, o músico afirmou que a experiência com o câncer fez com que passasse a enxergar cada novo dia de forma especial.

A música também ganhou um significado ainda mais importante nesse período. Bellotto relatou que tocar e estar no palco são momentos em que consegue deixar a preocupação com a doença em segundo plano.

Aos 66 anos, o guitarrista segue conciliando os cuidados com a saúde e a carreira artística.

Titãs celebram 40 anos de Cabeça Dinossauro em São José

A apresentação deste sábado (7), na Farma Conde Arena, faz parte da turnê Cabeça Dinossauro 40 anos, que celebra o álbum lançado em 1986 e considerado um divisor de águas na trajetória dos Titãs.

O espetáculo reúne Tony Bellotto, Branco Mello e Sérgio Britto, acompanhados pelos músicos Mario Fabre, Beto Lee e Alexandre de Orio.

Lançado durante o processo de redemocratização do Brasil, Cabeça Dinossauro trouxe letras contundentes e uma sonoridade mais agressiva, abordando temas como violência, religião, poder e autoritarismo.

Entre as músicas que marcaram o disco estão Polícia, Igreja, Bichos Escrotos e AAUU.

Quatro décadas depois, o trabalho continua sendo uma das principais referências do rock nacional e ganha uma nova celebração nos palcos.

Para Tony Bellotto, a apresentação em São José dos Campos acontece em uma fase especialmente significativa de sua vida, marcada pela continuidade do tratamento contra o câncer, pelo retorno às atividades e pela oportunidade de seguir fazendo música ao lado dos companheiros de banda.