A mãe do soldado Christian de Paiva Korosi, morto aos 19 anos dentro de um quartel, voltou a cobrar respostas das autoridades após o Ministério Público Militar negar um novo pedido para investigar o caso. Juliana Korosi Paiva sustenta que o filho foi morto e contesta a conclusão oficial de suicídio.
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Christian morreu em 27 de julho de 2024, atingido por um disparo de fuzil enquanto estava de serviço como sentinela no 2º Batalhão de Suprimento, na zona oeste de São Paulo.
A decisão mais recente do MPM foi tomada na quarta-feira (4). A Promotoria entendeu que o material apresentado pela família não acrescentou provas consideradas novas à investigação já realizada pelo Exército.
“É revoltante, é desumano”, afirmou Juliana ao reagir ao novo arquivamento. Segundo ela, a família tenta há dois anos e quatro meses esclarecer as circunstâncias da morte.
O promotor Renato Brasileiro de Lima avaliou que o parecer elaborado por uma entidade privada apenas apresenta questionamentos sobre perícias que já foram examinadas anteriormente.
Na avaliação do MPM, os documentos oficiais e os depoimentos reunidos durante a investigação não apontaram indícios de que outra pessoa tenha participado da morte do soldado.
A Promotoria também destacou que a elaboração de uma nova análise técnica por uma instituição particular não é suficiente, isoladamente, para caracterizar uma prova inédita.
Com isso, o pedido foi arquivado novamente. A família ainda tem prazo de dez dias para apresentar recurso.
Além do parecer técnico, Juliana apresentou às autoridades o conteúdo de uma carta que recebeu anonimamente. O autor afirma ser soldado e diz ter presenciado situações relacionadas ao caso dentro do quartel.
De acordo com a mãe, o texto menciona supostas perseguições e humilhações contra Christian atribuídas a dois tenentes. O documento também levanta questionamentos sobre câmeras de segurança e possível perda de evidências.
A autenticidade e o conteúdo das acusações feitas na carta ainda não foram confirmados pelas autoridades.
“Todo mundo sabe o que aconteceu e tem medo de falar”, disse Juliana.
A família também contratou especialistas para analisar os elementos reunidos durante a investigação. O parecer apontou possíveis inconsistências em aspectos da perícia, incluindo a trajetória do projétil e características do disparo descritas no laudo oficial.
Outro questionamento envolve a preservação da cena. O documento aponta ainda que o fuzil usado na ocorrência teria levado 58 dias para ser encaminhado à perícia.
O celular de Christian também é citado no parecer. Segundo a família, o aparelho só foi entregue sete meses depois da morte e não passou por perícia antes de ser devolvido.
Esses pontos já foram avaliados pelo MPM. Para a Promotoria, porém, eles não modificam as conclusões da investigação nem apresentam elementos suficientes para justificar a reabertura do caso.
Na tentativa de obter uma nova apuração, Juliana procurou a Defensoria Pública da União (DPU). Ela relatou supostas falhas na investigação e possíveis situações de perseguição envolvendo o filho.
Um relatório elaborado em setembro registrou os questionamentos apresentados pela família. A DPU, entretanto, avaliou que os documentos disponíveis naquele momento não permitiam confirmar violações de direitos humanos e pediu que novos elementos fossem apresentados.
Juliana pretende entregar à Defensoria a decisão mais recente do MPM.
“Dois anos e quatro meses que eu não tenho meu filho, dois anos e quatro meses que eu luto”, afirmou a mãe.