O 'carro voador' desenvolvido pela Eve Air Mobility, empresa subsidiária da Embraer, atingiu aproximadamente 81,5 km/h durante um novo teste de voo realizado em 17 de outubro, em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo.
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O avanço foi divulgado pela companhia em um vídeo publicado nas redes sociais e representa mais uma etapa importante no desenvolvimento da aeronave elétrica.
Durante a demonstração, o protótipo de engenharia realizou um voo estável para a frente, alcançando cerca de 44 nós (81,5 km/h).
Segundo a Eve, o ensaio ampliou o envelope de voo da aeronave e aproximou o projeto de uma das etapas mais importantes do desenvolvimento: o voo totalmente sustentado pelas asas.
O teste também permitiu avaliar a estabilidade do equipamento em velocidades mais elevadas, dando continuidade à campanha de ensaios que prepara o modelo para operações mais complexas.
O novo resultado dá sequência a um marco anunciado pela Eve em 3 de agosto de 2026, quando a empresa informou ter realizado o primeiro voo da fase de transição do protótipo.
Na ocasião, a aeronave ativou pela primeira vez a hélice propulsora traseira, conhecida como pusher, responsável por impulsionar o equipamento durante o deslocamento horizontal.
O voo atingiu velocidade estabilizada de 27 nós (50 km/h) e máxima de 30 nós (55 km/h). O ensaio durou 3 minutos e 9 segundos, percorreu aproximadamente 1,55 quilômetro e alcançou 27 metros de altura.
A fase de transição é considerada uma das etapas mais complexas do desenvolvimento de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical, conhecidas pela sigla eVTOL. O processo envolve a passagem da sustentação vertical, utilizada na decolagem e no pouso, para o deslocamento horizontal, quando as asas passam a desempenhar papel fundamental na sustentação.
Desde o primeiro ensaio, a Eve trabalha na ampliação gradual das velocidades e na validação dos sistemas da aeronave. Os dados coletados ajudam a equipe de engenharia a avaliar o comportamento estrutural e o desempenho dos equipamentos durante o voo.
A evolução dos testes também representa um passo importante para o futuro da produção industrial do projeto. A Eve prevê fabricar seus 'carros voadores' em uma unidade instalada em Taubaté, no interior de São Paulo.
A fábrica será responsável pela produção em série das aeronaves desenvolvidas pela subsidiária da Embraer. Entretanto, o modelo ainda precisa concluir a campanha de ensaios e obter a certificação da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) antes de iniciar as operações comerciais.
A empresa já acumula aproximadamente 2.700 pedidos para seu eVTOL, distribuídos em oito países. Segundo informações divulgadas pelo CEO da Eve, Johann Bordais, em entrevista ao programa É Negócio, da CNN Brasil, as cartas de intenção e encomendas firmes representam um valor estimado em US$ 13,5 bilhões.
A carteira reúne 28 cartas de intenção e pedidos firmes, demonstrando o interesse do mercado no desenvolvimento de uma nova modalidade de transporte aéreo.
Um dos acordos foi anunciado pela companhia nesta terça-feira (4), com a FlyBIS Aviation Limited, que poderá adquirir até 12 aeronaves elétricas. A parceria prevê dois pedidos firmes e direitos de compra para outras dez unidades.
O planejamento inicial contempla operações na região Sul do Brasil, com possíveis conexões entre cidades de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Entre as rotas estudadas estão ligações entre Navegantes, Balneário Camboriú e Florianópolis, além de destinos turísticos da Serra Gaúcha, como Gramado e Bento Gonçalves.
A parceria entre as empresas começou a ser construída em 2022, quando foi anunciada uma carta de intenções para desenvolver operações de mobilidade aérea elétrica no país.
Com os novos testes, a Eve avança no desenvolvimento de uma tecnologia que pretende ampliar as opções de transporte urbano e regional. O início das operações, porém, depende da conclusão dos ensaios e da aprovação dos órgãos reguladores.