O jardineiro Fabrício Oliveira, de 33 anos, registrou um boletim de ocorrência após relatar ter sido ameaçado e agredido por um cobrador de ônibus em São José dos Campos.
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No documento, feito por meio eletrônico na terça-feira (3), ele também afirma que o funcionário tomou seu celular durante a confusão e empurrou um de seus filhos, de 7 e 9 anos. O jardineiro fez vídeo sobre a denúncia.
Segundo ele, o episódio aconteceu por volta das 12h25, na Estrada do Bom Retiro, em frente ao Condomínio Tulipas, durante uma viagem da linha 2694, operada pela empresa Joseense. O registro ainda será analisado pela Polícia Civil, que deverá avaliar os fatos narrados e as providências necessárias para a apuração.
No boletim, Fabrício identificou o funcionário que trabalhava como cobrador -- o profissinal não foi localizado por OVALE para se manifestar, mas o espaço segue aberto.
O jardineiro tentava passar por baixo da catraca os dois filhos, de 7 e 9 anos, que iam para a escola, por não ter dinheiro para pagar a passagem deles.
Segundo a versão apresentada pelo pai, o ônibus foi parado e o profissional entrou pela porta do meio, aproximando-se dele e dizendo que ele "ia ver".
Fabrício relata que se virou para ficar próximo dos filhos e, nesse momento, foi empurrado pelo cobrador. Na sequência, os passageiros desceram do coletivo e aguardaram a chegada de outro ônibus.
Ainda conforme o relato registrado no BO, enquanto os passageiros esperavam, o funcionário teria circulado repetidamente nas proximidades do pai, em uma atitude que ele considerou intimidatória e que indicaria uma possível intenção de agressão.
Com receio pela própria segurança e pela integridade das crianças, Fabrício decidiu começar a gravar a situação com o celular. Ele afirma que enquadrou apenas a si mesmo e aos filhos, sem mostrar os rostos dos demais passageiros.
Foi nesse momento, segundo o boletim, que o cobrador avançou em sua direção, tomou o aparelho de sua mão e exigiu que a gravação fosse apagada.
O pai também afirma que um dos filhos tentou recuperar o celular e acabou sendo empurrado pelo funcionário. Uma pessoa que passava pela rua teria presenciado a situação e intervido, questionando a conduta do cobrador e defendendo a família.
Após a intervenção, o funcionário teria se afastado. Fabrício destaca no registro que as duas crianças presenciaram os acontecimentos e que uma delas também teria sido vítima direta de agressão física.
Um dos principais pedidos apresentados por Fabrício no boletim de ocorrência é a preservação das imagens das câmeras de segurança do coletivo.
Ele solicita que a Polícia Civil requisite à empresa Joseense as gravações do ônibus da linha 2694 referentes ao dia 3 de novembro, por volta das 12h25. O objetivo é evitar que os arquivos sejam apagados ou sobrescritos automaticamente pelo sistema de monitoramento.
O pedido inclui imagens do salão de passageiros, das portas de acesso e de outros ângulos disponíveis. O pai também solicita que sejam preservados os registros desde o início da confusão até a chegada do próximo veículo, já que parte dos acontecimentos teria ocorrido fora do ônibus.
Fabrício também solicita que sejam identificados e ouvidos os passageiros que presenciaram o episódio e a pessoa que interveio em defesa da família. Ele informa possuir uma gravação original em vídeo que, segundo afirma, registra parte dos acontecimentos, especialmente o momento em que o funcionário toma seu celular.
O boletim pede a apuração individualizada das supostas agressões contra o pai e o filho, além das providências legais cabíveis. Fabrício também manifestou interesse em representar criminalmente em relação aos fatos que dependam de representação.
Além do registro policial, Fabrício afirmou que conversou com uma advogada sobre o caso. Segundo ele, existe a possibilidade de ingressar com uma ação contra a empresa responsável pelo transporte público.
O episódio ganhou repercussão após a primeira denúncia do jardineiro, que afirmou ter sido retirado de um ônibus por não conseguir pagar as passagens dos dois filhos, que estavam a caminho da escola.
Na ocasião, ele contou que pagou a própria tarifa, mas não tinha dinheiro suficiente para pagar as passagens das crianças. Por isso, pediu que os filhos passassem por baixo da catraca, o que provocou uma discussão com o cobrador.
O pai afirmou que o motorista interrompeu a viagem e que a situação se agravou depois que todos desceram do coletivo. Na versão apresentada por ele, as ameaças e os empurrões aconteceram diante das crianças.
Fabrício também negou ter desrespeitado ou desacatado os profissionais do transporte público. Ele disse que mudou recentemente sua rotina e passou a depender dos ônibus para levar os filhos às escolas Antônio Palma, da rede municipal, e João Ferreira, da rede estadual, no deslocamento entre o Bom Retiro e a região do Novo Horizonte.
“Vou lutar para conseguir essa gratuidade”, afirmou o jardineiro.
Em nota, a Prefeitura de São José dos Campos lamentou a "exposição das crianças em uma situação que poderia ser evitada e manifesta preocupação com o uso de episódios como esse para gerar repercussão nas redes sociais".
"De acordo com relatos de motoristas e cobradores que atuam diariamente no transporte público municipal, situações semelhantes envolvendo o mesmo passageiro já teriam ocorrido outras vezes, não se tratando, portanto, de um episódio isolado."
A Prefeitura esclareceu ainda que as crianças até os 5 anos e 11 meses de idade não pagam passagem. A gratuidade por idade se encerra quando a criança completa 6 anos.
"Acima dessa idade, as crianças que estudam têm direito ao passe escolar, benefício disponibilizado justamente para garantir o acesso ao transporte público no deslocamento até as unidades de ensino", informou.
Em nota, a Joseense Transportes informou ter solicitado apoio da GCM (Guarda Civil Municipal) nessa terça-feira (3) após problemas registrados na linha 202 (Bom Retiro), por volta do meio-dia, na região sudeste de São José dos Campos.
"Um homem, acompanhado por duas crianças, tentou passar a catraca sem pagar passagem, a exemplo do que já havia feito em outras linhas do sistema de transporte público municipal de São José dos Campos nos últimos dias. Houve discussão e ameaça à tripulação embarcada. A viagem foi paralisada para salvaguardar a segurança de passageiros e funcionários", disse a empresa.
"A Joseense segue com seu compromisso de bem assistir a comunidade com um serviço de transporte de qualidade e seguro. A empresa agradece o apoio da GCM."