A mulher de Luan Vitor Silva Santos, de 21 anos, morto com cinco tiros durante uma intervenção da Polícia Militar em Caraguatatuba, disse que os policiais invadiram a residência sem anunciar a presença da equipe.
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Em um vídeo gravado após a ocorrência, Janaína relata que os agentes já estavam posicionados do lado de fora quando entraram no imóvel e que os disparos aconteceram dentro da casa.
“Assim que eu abri o portão, a polícia invadiu. Ela já estava enfileirada no muro da minha casa. A polícia invadiu imediatamente, sem fazer nenhum barulho, sem falar nada, sem anunciar nada”, afirmou.
Segundo o relato da mulher, a confusão começou no final da tarde de segunda-feira (2), quando o ex-companheiro dela foi até a residência e passou a gritar do lado de fora, exigindo que Luan saísse.
Naquele momento, ela e o jovem estavam na área da casa, mas não conseguiam identificar quem estava do outro lado do portão, que é coberto. A mulher contou que Luan entrou no imóvel e que ela decidiu sair para tentar conter o ex-companheiro e evitar uma discussão.
“Eu achei que ele estava sozinho e queria tirar ele da frente da minha residência para evitar conflitos. Porém, assim que eu abri o portão, a polícia invadiu”, relatou.
Ainda de acordo com a mulher, Luan estava saindo do quarto quando se deparou com os policiais na sala. Foi nesse momento que ocorreram os disparos.
“O Luan deu de cara com a polícia na sala da minha casa, saindo do quarto, onde houve os disparos. Em momento nenhum a polícia anunciou”, declarou.
A companheira também questionou o que aconteceu nos instantes que antecederam a morte do jovem e cobrou esclarecimentos sobre a abordagem policial.
A mãe de Luan, Lidiane, também apresenta uma versão diferente da registrada no boletim de ocorrência. Em entrevista a OVALE, ela afirmou que os policiais já chegaram atirando e que o filho não estava armado no momento em que a equipe entrou na residência.
Lidiane confirmou que, cerca de meia hora antes da chegada da PM, Luan havia efetuado um disparo para o alto para intimidar o ex-companheiro da mulher, que estaria ameaçando a família. No entanto, segundo ela, o jovem já não estava com a arma quando os policiais entraram no imóvel.
“A visão que os policiais têm da rua para dentro da casa é total. Eles já chegaram atirando. Meu filho não atirou, meu filho não atirou!”, afirmou a mãe.
Ela também disse desconhecer a existência de drogas na residência, material que aparece entre os itens apreendidos no registro policial.
Após ouvir os tiros, Lidiane tentou entrar na casa para socorrer o filho, mas foi impedida pelos policiais. Ao tentar ultrapassar o bloqueio, bateu na viatura e acabou algemada, sob acusação de dano ao patrimônio público.
“Por que eles não socorreram? Por que quando eu cheguei eles não permitiram a minha entrada? (...) O que fizeram foi me algemar, passar a maior vergonha, humilhação, eu tentando saber do meu filho”, desabafou.
Emocionada, Lidiane descreveu Luan como um jovem trabalhador e brincalhão, o tesouro da família. Ele deixa um filho de dois anos, criado pela avó.
A declaração de óbito aponta como causas da morte hemorragia interna aguda, trauma torácico e ferimento por arma de fogo.
A versão registrada pela Polícia Militar aponta que a equipe foi acionada após uma denúncia de disparo de arma de fogo e ameaça. O chamado teria sido feito pelo ex-companheiro da mulher de Luan, que relatou um desentendimento com o jovem e afirmou ter ouvido um disparo enquanto deixava o imóvel.
Segundo os policiais, ao chegarem à residência, os agentes viram Luan entrar rapidamente na casa. Na sequência, ele teria retirado de uma mochila uma arma de fabricação artesanal e ignorado as ordens para largar o armamento.
Diante da situação, os policiais efetuaram cinco disparos: três de fuzil calibre 5,56 e dois de pistola calibre .40.
O boletim também menciona a possibilidade de Luan ter atirado contra a equipe. Uma cápsula deflagrada foi encontrada no quintal da residência, e a perícia deverá verificar sua origem e eventual relação com o disparo anterior ou com a intervenção policial.
A autoridade policial determinou exames balísticos, análise da arma artesanal, exame necroscópico e preservação de eventuais imagens de câmeras corporais, viaturas e imóveis próximos.
O caso foi registrado como morte decorrente de intervenção policial. A dinâmica dos disparos e as circunstâncias da ação ainda deverão ser esclarecidas pela investigação, que também deverá confrontar os depoimentos com os resultados periciais.