03 de novembro de 2026
CUSTO DE VIDA

Cesta básica sobe 1,63% no Vale e chega a R$ 2.994 em outubro

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/Creative Nature
Custo da cesta básica no Vale do Paraíba subiu pelo segundo mês consecutivo

O custo da cesta básica no Vale do Paraíba subiu pelo segundo mês consecutivo e pesou mais no bolso das famílias da região.

Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp

Segundo pesquisa do Nupes (Núcleo de Pesquisas Econômico-Sociais), da Unitau (Universidade de Taubaté), divulgada nesta terça-feira (3), o preço médio da cesta avançou 1,63% em outubro ante setembro e passou de R$ 2.947,02 para R$ 2.994,93. O aumento foi de R$ 47,91 no mês, dos quais R$ 47,39 (98,9%) vieram do grupo alimentação.

A alta de outubro vem depois do avanço de 2,18% registrado em setembro, que interrompeu as quedas de julho (-2,53%) e agosto (-1,05%). Somados, os reajustes de setembro e outubro (R$ 110,78) superaram a redução acumulada nos dois meses anteriores (R$ 106,37), o que apagou o alívio do inverno.

Chuva e carne pressionam os preços

De acordo com o Nupes, dois fatores explicam o resultado. O primeiro é a persistência das chuvas acima da média no Sudeste, que prejudicaram a colheita, a qualidade e a oferta de hortaliças como cebola, tomate e alface.

O segundo é a valorização das carnes bovinas, impulsionada pela arroba do boi gordo em patamar recorde, com oferta restrita de animais para abate.

No Vale do Paraíba, as maiores altas do mês foram: cebola: +20,54%, tomate salada: +17,50% e mamão formosa: +15,02%. Entre as carnes, o contrafilé subiu 6,93% e a alcatra, 6,74%.

Do lado das reduções, a cenoura caiu 17,21%, quarto mês seguido de queda. A abobrinha recuou 6,72% e o alho, 6,30%.

Cidades registraram alta

Os quatro municípios pesquisados tiveram aumento na cesta em outubro. A maior alta foi em Caçapava (+2,05%), e a menor, em Taubaté (+1,39%). São José dos Campos teve variação de +1,46% e Campos do Jordão, de +1,60%.

Campos do Jordão segue com a cesta mais cara da região, a R$ 3.185,56. Taubaté mantém a mais barata, a R$ 2.904,31. A diferença entre as duas é de R$ 281,25 (9,68%).

Para o Nupes, o resultado reflete fatores estruturais: a Serra da Mantiqueira encarece a logística de abastecimento em Campos do Jordão, enquanto a infraestrutura rodoviária e a maior concorrência comercial reduzem os preços em Taubaté.

Veja o valor da cesta em cada cidade em outubro: Taubaté: R$ 2.904,31, São José dos Campos: R$ 2.940,51, Caçapava: R$ 2.949,35 e Campos do Jordão: R$ 3.185,56.

Alta em 12 meses

No acumulado de 12 meses, a cesta básica regional ficou 5,59% mais cara, o que equivale a R$ 158,47 a mais. Em agosto, esse índice estava em 0,99%, e em setembro, em 3,76%. Campos do Jordão lidera a alta anual (+8,58%), seguida por Caçapava (+5,11%), São José dos Campos (+4,81%) e Taubaté (+3,72%).

A pesquisa considera uma família de cinco pessoas, com poder de compra de cinco salários mínimos (R$ 8.105,00). Em outubro, a cesta passou a comprometer 36,95% desse valor, ante 36,36% em setembro e 35,58% em agosto. Como o salário mínimo não foi reajustado, a sobra para saúde, educação, transporte e outras despesas caiu de R$ 5.157,98 para R$ 5.110,07.

Campos do Jordão tem o maior comprometimento da renda (39,30%), e Taubaté, o menor (35,83%).

Alimentação puxa o índice

Os três grupos da cesta subiram em outubro: alimentação (+1,78%), limpeza doméstica (+0,28%) e higiene pessoal (+0,09%). Os alimentos respondem por 90,28% do total da cesta, o que explica o peso do grupo no resultado.