02 de novembro de 2026
TRAGÉDIA NOS EUA

EUA: Filha de brasileiros era copiloto de jato que caiu e matou 9

Por Da redação | Flórida (EUA)
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução
'Piloto em comando do Learjet 60', postou Nathalia em março de 2026

Filha de brasileiros, Nathalia Gadelha Filgueiras, 20 anos, era a copiloto do jato executivo que caiu e explodiu em uma área residencial do condado de Palm Beach, na Flórida, nos Estados Unidos, no domingo (1º). O acidente deixou nove mortos. A identificação da jovem foi divulgada pelo jornal americano New York Post.

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Nathalia completaria 21 anos em janeiro de 2027. Apaixonada pela aviação desde a adolescência, ela conquistou sua primeira licença de piloto aos 17 anos e estava construindo carreira na aviação executiva.

Em entrevista ao New York Post, a mãe da jovem, Camila, contou que a filha sempre sonhou em pilotar aviões. Apesar do orgulho pela trajetória profissional de Nathalia, ela também temia que a paixão pela aviação pudesse afastá-la da família.

“Eu queria que ela vivesse o sonho dela, mas eu sabia que o sonho dela seria a coisa que a levaria para longe de mim”, afirmou Camila ao jornal.

A mãe também falou sobre a realização profissional da filha e destacou o orgulho que sentia ao vê-la seguir a carreira escolhida. “Eu estava muito orgulhosa dela. Eu sabia que ela estava vivendo o sonho dela”, disse.

Em entrevista ao The New York Times, Camila contou que Nathalia adorava a liberdade proporcionada pela aviação. Segundo ela, a filha dizia que era completamente diferente conhecer o mundo olhando tudo do alto.

Acidente deixou nove mortos

O acidente aconteceu por volta das 12h50 de domingo, pouco mais de duas horas depois da decolagem. O Learjet 60 havia partido do aeroporto de Austin, no Texas, às 9h36, com destino às Bahamas.

A aeronave caiu nas proximidades da Military Trail, uma via movimentada de Palm Beach, e explodiu ao atingir o solo. O impacto abriu uma cratera no asfalto e espalhou destroços pela região. Apesar da gravidade da ocorrência, não houve registro de vítimas em solo.

Dados do serviço de monitoramento aéreo FlightRadar24 indicaram que a última velocidade registrada antes do impacto foi de aproximadamente 430 km/h.

A queda provocou ainda a retirada preventiva de cerca de 600 moradores de um conjunto residencial de casas móveis nas proximidades. O impacto também danificou estruturas locais, incluindo o sistema de abastecimento de água.

Segundo autoridades do condado de Palm Beach, a Military Trail deverá permanecer interditada por pelo menos 30 dias para a realização dos reparos.

O secretário de Transportes dos Estados Unidos, Sean Duffy, classificou o episódio como uma “tragédia horrível”. Ele informou que a Administração Federal de Aviação (FAA) enviaria uma equipe para auxiliar as investigações do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB).

Os investigadores deverão analisar os registros de voo, as comunicações da tripulação, as condições meteorológicas e os destroços da aeronave. Até o momento, as autoridades não divulgaram a identificação das nove pessoas que estavam a bordo.

Licença de piloto aos 17 anos

A história de Nathalia com a aviação ganhou destaque na imprensa americana em 2023, quando ela conquistou a licença de piloto particular aos 17 anos, antes mesmo de tirar a carteira de motorista.

Na época, a jovem cursava o último ano do ensino médio na West Boca Raton High School, na Flórida. O interesse pela profissão havia começado em 2020, quando iniciou os estudos teóricos sobre pilotagem.

O pai também teve influência nessa trajetória. Ele começou a pilotar por lazer em 2018 e passou a compartilhar seus conhecimentos sobre aviação com a filha.

A formação de Nathalia envolveu aulas teóricas, simuladores, exercícios práticos e provas de conhecimentos técnicos. O treinamento foi custeado pelo distrito escolar de Palm Beach County, por meio de uma academia de aviação destinada a estudantes do ensino médio.

Em setembro de 2023, ela conquistou a licença de piloto particular. Naquele momento, já acumulava 88 horas de voo e estava autorizada a pilotar aeronaves particulares sozinha ou transportar passageiros, desde que não recebesse pagamento pelo serviço.

Em entrevista à emissora CBS12 News, a jovem contou que gostava de fazer algo diferente dos colegas. Ao comentar que já sabia pilotar aviões, mas ainda não dirigia carros, brincou: “É, mas sei pilotar”.

O objetivo profissional era se tornar piloto de uma companhia aérea comercial ou trabalhar na aviação executiva, conduzindo jatos particulares.

Piloto de Learjet 60

Nas redes sociais, Nathalia compartilhava momentos da rotina na aviação e comemorava cada etapa da carreira. Em março de 2026, publicou uma fotografia na cabine de comando de uma aeronave para celebrar uma nova conquista profissional.

“Piloto em comando do Learjet 60! Toda a glória a Deus! Amém!”, escreveu na legenda.

A publicação mostrava o avanço da jovem na profissão que havia escolhido ainda na adolescência.

Áudio registra pedido de socorro

Uma gravação da comunicação entre a tripulação e os controladores de tráfego aéreo registrou os momentos que antecederam o acidente.

No áudio, uma voz feminina relata problemas relacionados à formação de gelo e à turbulência durante o voo. Em seguida, a tripulação declara emergência.

“Mayday, Mayday! Estamos descendo 10 mil pés por minuto”, diz uma mulher em um dos trechos da comunicação.

Pouco depois, outra frase chama a atenção: “Vamos bater no chão”.

As informações registradas na comunicação fazem parte da investigação conduzida pelo NTSB, com apoio da FAA. A formação de gelo e a turbulência estão entre os fatores mencionados pela tripulação, mas ainda não há conclusão oficial sobre as causas da queda.

* Com informações de Veja e UOL