Bares, restaurantes, supermercados, lojas de produtos naturais e empresas de diferentes setores estão entre os principais alvos de uma campanha de boicote político que circula em grupos de WhatsApp e redes sociais em São José dos Campos.
A relação reúne 18 comerciantes, empresários, profissionais liberais e negócios associados a supostas posições políticas de esquerda.
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O material incentiva consumidores a deixar de comprar ou contratar serviços de pessoas e empresas identificadas como apoiadoras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), vencedor da eleição presidencial contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Entre os negócios mencionados estão bares, pizzarias, restaurantes, serviços de entrega de comida e pontos de venda de cerveja. O comércio varejista também aparece com destaque, com supermercados, lojas de produtos naturais e estabelecimentos instalados em centros de compras.
A lista ainda inclui empresas da construção civil, serviços automotivos, corretagem de seguros e descarte de resíduos. Profissionais liberais e pessoas ligadas a atividades de proteção animal também são citados.
A relação contempla estabelecimentos de diferentes regiões da cidade, incluindo Centro, Vila Ema, Jardim São Dimas e áreas próximas ao Parque Vicentina Aranha. Há ainda referências a negócios instalados em centros comerciais e avenidas de São José.
A iniciativa integra uma movimentação que ultrapassa São José dos Campos. Levantamento de OVALE identificou listas semelhantes em pelo menos quatro municípios da região: Taubaté, Ubatuba, Guaratinguetá e São José dos Campos. Juntas, as relações reúnem mais de 150 nomes.
As justificativas apresentadas nas mensagens que acompanham a lista são variadas. Algumas atribuem aos proprietários posições políticas de esquerda. Outras mencionam supostas manifestações de funcionários ou comentários atribuídos a trabalhadores sobre consumidores identificados com a direita.
Uma das justificativas faz referência ao comportamento de funcionários em relação a clientes por suas posições políticas. Em outros casos, a associação ideológica é atribuída diretamente aos proprietários.
O material, porém, não apresenta necessariamente comprovação das associações políticas atribuídas às pessoas e aos estabelecimentos.
A circulação das listas ocorre em meio a denúncias de possíveis práticas de assédio eleitoral na região. Representantes políticos e entidades têm manifestado preocupação com iniciativas que possam resultar em constrangimento, perseguição ou prejuízo profissional em razão das preferências políticas de trabalhadores.
Em São José dos Campos, a professora Jéssica Marques, porta-voz da Bancada Feminista do PSOL no Vale do Paraíba, informou ter encaminhado um ofício à Associação Comercial e Industrial da cidade, solicitando orientações aos comerciantes para prevenir práticas de assédio eleitoral.
Também foram encaminhadas representações ao Ministério Público do Trabalho e ao Ministério Público Estadual.
A vereadora Juliana Fraga relatou nas redes sociais denúncias de pressões relacionadas a possíveis demissões e boicotes a estabelecimentos comerciais. Segundo ela, a preferência política de um trabalhador não pode ser utilizada como instrumento de intimidação.
De acordo com balanço do Ministério Público do Trabalho citado pela parlamentar, a região de São José dos Campos havia registrado 24 denúncias de assédio eleitoral até 28 de outubro.
A Constituição Federal assegura a liberdade de consciência e de convicção política. No ambiente profissional, ameaças, constrangimentos e retaliações motivadas pela escolha eleitoral de trabalhadores podem configurar assédio eleitoral, conforme as circunstâncias e as provas de cada caso.
O procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, já fez um alerta sobre o tema: "O empresário é dono do seu negócio, e não do voto do seu empregado".
A campanha de boicote amplia a discussão sobre os limites entre manifestação política, liberdade de escolha do consumidor e possíveis práticas discriminatórias.