A prefeita de Ubatuba, Flavia Pascoal (PL), se manifestou sobre a polêmica envolvendo a execução de um trecho associado ao nazismo durante a recepção de uma delegação de autoridades alemãs no município.
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Em vídeo publicado nas redes sociais, ela afirmou que não houve problema com os visitantes e justificou que a música foi interrompida antes da reprodução da parte que, segundo ela, é cantada atualmente na Alemanha.
A manifestação ocorreu após o presidente da Câmara de Ubatuba, vereador Gady Gonzalez (MDB), denunciar o episódio durante uma sessão legislativa. Segundo o parlamentar, a execução da música provocou desconforto entre os integrantes da comitiva, que teriam procurado a Câmara para alertar sobre o ocorrido.
Na gravação, Flavia Pascoal contestou as críticas e acusou a oposição de utilizar o episódio para prejudicar um projeto de aproximação entre Ubatuba e cidades alemãs.
"Não houve nenhum problema com a delegação alemã. Tocamos o hino alemão, tocamos o hino do Brasil e o hino de Ubatuba", afirmou a prefeita.
Flavia Pascoal disse que a execução começou com um trecho da composição original do hino alemão e foi interrompida antes de prosseguir. A prefeita argumentou que a música possui diferentes estrofes e que uma delas tem associação histórica com o regime nazista.
"Existe uma parte que remete à época do nazismo. Então, nem a delegação nos informou nada. Enfim, e tem outra parte que é cantada pela Alemanha", declarou.
A primeira estrofe do Deutschlandlied, conhecido como Canção dos Alemães, foi escrita em 1841. Embora faça parte da composição original, o trecho foi apropriado pelo regime de Adolf Hitler e passou a carregar forte associação com o nazismo. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha passou a utilizar exclusivamente a terceira estrofe como hino nacional.
A prefeita também afirmou que não recebeu orientações prévias da delegação sobre a escolha da música. Segundo ela, a situação não comprometeu o relacionamento com os visitantes.
Em outro momento do vídeo, Flavia rejeitou as acusações de que a administração municipal teria feito apologia ao nazismo.
"Com o país dividido, já aproveitaram e disseram que nós estamos aqui fazendo apologia ao nazismo. Ah, gente, pelo amor, né? Fale, me diga se isso é brincadeira ou é mentira, porque vocês estão de brincadeira", afirmou.
A prefeita ressaltou que a visita da delegação faz parte de um projeto de aproximação institucional entre Ubatuba e os municípios alemães de Homberg (Efze) e Wolfhagen.
A comitiva esteve no litoral paulista entre 24 e 30 de outubro. Durante a programação, foram realizadas atividades culturais, visitas a comunidades tradicionais e ações relacionadas à história e à memória de Ubatuba.
A agenda também incluiu a assinatura de um termo de cooperação voltado ao intercâmbio educacional entre estudantes brasileiros e alemães. A proposta prevê troca de experiências pedagógicas, aprendizado de idiomas e iniciativas nas áreas de sustentabilidade, cultura e preservação ambiental.
Para Flavia, a repercussão do episódio não deve desviar a atenção do objetivo principal da parceria.
"Nosso projeto é a cidade irmã com Wolfsburg e Homberg. O que está aqui no propósito é a irmandade do Brasil com a Alemanha", afirmou.
A Prefeitura de Ubatuba havia reconhecido anteriormente um erro na execução da música. Em nota, classificou o episódio como um "equívoco pontual" e informou que os esclarecimentos foram prestados diretamente à delegação alemã, com a situação solucionada ainda durante a ocorrência.