05 de novembro de 2026
LUÍS DANIEL

Não à ameaça pela escolha do voto

Jornalista especialista em gestão de conteúdo digital em São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação
Não à ameaça pela escolha do voto

A manifestação de políticos e empresários defendendo a demissão de pessoas que votaram no presidente Lula me fez lembrar imediatamente das aulas de História do Brasil na escola, quando aprendíamos sobre o chamado “voto de cabresto” durante a Primeira República.

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Embora o voto hoje seja secreto, muita gente fez questão de demonstrar suas escolhas durante a campanha eleitoral deste ano, sobretudo no segundo turno. Esse fato, aliás, mostrou que o brasileiro ainda se interessa por política, independentemente do lado.

Mas, voltando à aula de História, o voto de cabresto foi uma das características marcantes do coronelismo da época. Ele consistia, entre outras práticas, na pressão exercida pelos chefes políticos e patrões sobre os eleitores, muitas vezes por meio da dependência econômica.

Desde 1932, o voto é secreto, mas é evidente que o Código Eleitoral não resolve o problema entre o patrão e empregado.Atualmente, a legislação prevê consequências para práticas de assédio eleitoral nas relações de trabalho.

Vendo a postura de alguns políticos e empresários nessa eleição, a analogia é necessária. A diferença é que, hoje, não se trata necessariamente de determinar em quem o trabalhador deve votar, mas de tentar puni-lo pela escolha que fez.

Se, no passado, a dependência econômica era usada para controlar o voto de forma sistemática, agora, a ameaça de perder o emprego é  uma tentativa de restringir a liberdade política.

A relação entre empregador e empregado é desigual, mas isso não dá passe livre para esse tipo de pressão.

Isso também não significa que o empregado possa fazer campanha política dentro da empresa. O ambiente de trabalho tem regras de conduta relacionadas às atividades profissionais, mas elas não justificam punições pela escolha política do trabalhador.

Mas Quando um político ou empresário defende um tipo de punição por uma escolha política fica evidente que essas ideias primitivas não morreram.

Afinal, por que eu posso escolher meu candidato e o outro escolher o dele, mas essa liberdade deixa de valer quando nossas escolhas são diferentes?