“Ele continua vivo”.
É com essa certeza que Therezinha Meneses, mãe de Miguel Meneses, de 14 anos, transforma a dor da perda do filho em esperança para outras famílias.
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Após autorizar a doação dos órgãos do adolescente, ela encontrou no gesto de solidariedade uma maneira de manter viva a memória do jovem, que morreu na terça-feira (27), depois de um grave acidente de carro em São José dos Campos.
“Que bom ele continuar vivo aqui na Terra, em outras pessoas e dando vidas”, afirmou Therezinha em um vídeo divulgado pela Prefeitura de São José dos Campos.
A decisão da família poderá beneficiar até seis pacientes que aguardam por transplantes.
Miguel era goleiro das categorias de base do São José Esporte Clube e também havia passado pelo programa Atleta Cidadão. O adolescente sofreu o acidente no domingo (25), no Anel Viário, e permaneceu internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Municipal até a confirmação da morte encefálica.
A captação dos órgãos foi realizada na noite de quarta-feira (28), após a autorização dos familiares. Foram captados coração, fígado, rins e córneas, que poderão oferecer uma nova oportunidade a pessoas que esperam por transplantes.
No relato, Therezinha contou que a possibilidade de doar os órgãos foi apresentada por um médico, que destacou as condições físicas do adolescente.
“O doutor olhou para o Miguel e falou assim: ‘Ele é atleta, ele é forte, ele seria um ótimo doador’. Aquilo tocou no meu coração, do meu esposo e do Benício que estávamos juntos e foi unânime, tipo, vamos doar os órgãos do Miguel”, disse.
A mãe também falou sobre a emoção de imaginar que outras famílias poderão receber a notícia de que conseguiram um órgão para transplante graças à decisão tomada naquele momento de profunda dor.
“Cada pessoa recebendo uma ligação e falando: ‘Olha, eu consegui um rim para você’. E saber que é do Miguel que vai chegar lá, consegui um pulmão para você e é o Miguel que tá mandando. Isso não tem preço”, afirmou.
Para Therezinha, a doação representa uma forma de o filho continuar presente na vida de outras pessoas. Ela espera que a história de Miguel inspire mais famílias a conversar sobre a importância da doação de órgãos.
“É isso que eu quero, que o Miguel seja uma inspiração para todos, para doação, para ajudar ao próximo”, declarou.
Antes da captação dos órgãos, familiares, amigos, companheiros de futebol e profissionais de saúde se reuniram no Hospital Municipal para prestar uma última homenagem ao adolescente.
Em um corredor de aplausos, os participantes se despediram de Miguel em uma cena marcada por lágrimas, abraços, orações e emoção. A homenagem também reconheceu a decisão da família de transformar a perda em uma oportunidade de vida para outras pessoas.
A morte do jovem provocou comoção entre colegas de escola, jogadores e torcedores do São José EC. Em reconhecimento à trajetória do adolescente, a Prefeitura decretou luto oficial de três dias.
A história de Miguel reforça a importância da conversa entre familiares sobre a doação de órgãos. No Brasil, a autorização da família é fundamental para que a captação seja realizada, mesmo quando a pessoa manifestou em vida o desejo de ser doadora.
Segundo a Prefeitura, entre janeiro e outubro de 2026, o Hospital Municipal de São José dos Campos registrou a captação de 37 órgãos e tecidos. A unidade é referência regional nesse tipo de procedimento.
O velório de Miguel está previsto para começar às 8h desta quinta-feira (29), na Câmara Municipal de São José dos Campos. O sepultamento está marcado para as 16h, no Memorial do Vale, em Jacareí.
Aos 14 anos, Miguel deixa familiares, amigos e companheiros de equipe, mas também um legado de solidariedade. Para a mãe, a lembrança do filho seguirá presente nas vidas que poderão ser transformadas pela doação.