As articulações políticas do senador Flávio Bolsonaro no exterior ganharam um contorno de ironia no cenário nacional. Após se declarar “o verdadeiro presidente eleito do Brasil” e, posteriormente, recuar para a alcunha de “líder”, o parlamentar virou alvo de uma análise da revista Carta Capital, que o apelidou de “Guaidó de Taubaté”.
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O termo funde o cenário geopolítico sul-americano ao imaginário popular do Vale do Paraíba, usando o nome da segunda maior cidade da RMVale para retratar uma narrativa sem respaldo prático.
Em carta e manifestações divulgadas no exterior, Flávio Bolsonaro citou personalidades históricas como Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí na tentativa de enquadrar sua ida ao exterior como um ato de resistência democrática.
Contudo, para a Carta Capital, o paralelo real do senador é Juan Guaidó. Em 2019, o então presidente da Assembleia Nacional da Venezuela autoproclamou-se “presidente interino” do país, desafiando o regime de Nicolás Maduro. Embora tenha recebido rápido apoio do ex-presidente norte-americano Donald Trump e de governos alinhados, Guaidó nunca exerceu o controle do Estado venezuelano. Sem poder efetivo, a estrutura fictícia do opositor, sediada em um escritório em Miami, acabou dissolvida em 2022.
A expressão popular nasceu no município em 2012, no célebre caso de Maria Verônica Aparecida César Santos.
Na ocasião, a moradora mobilizou a imprensa e a comoção nacional ao afirmar que estava grávida de quadrigêmeas. Com uma barriga desproporcional, ela chegou a receber doações, enxovais e espaço em programas de TV. Pouco tempo depois, descobriu-se que a gestação era uma farsa: sob os vestidos, havia uma prótese de silicone preenchida com tecidos.
Desde a revelação do caso no Vale do Paraíba, o adjetivo “de Taubaté” consagrou-se no vocabulário popular e no jornalismo brasileiro para classificar qualquer situação simulada, sem substância real ou inventada para gerar impacto estético.
Ao classificar o parlamentar como o "Guaidó de Taubaté", a publicação realiza uma dupla crítica: de um lado, compara a falta de poder institucional do senador ao governo paralelo de Juan Guaidó; de outro, usa a marca registrada do folclore taubateano para sugerir que o autointitulado posto de liderança no exterior não passa de uma encenação política.