28 de outubro de 2026
DESPEDIDA

'Ele era um anjo em terra', diz mãe do goleiro Miguel, de SJC

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução
Miguel Meneses morreu aos 14 anos, após acidente de trânsito

“Ele era um anjo em terra.”

É assim que Tereza Meneses define o filho Miguel, de 14 anos, que terá os órgãos doados para ajudar pacientes que aguardam por transplantes. Após perder o adolescente em um acidente de carro no Anel Viário de São José dos Campos, a família decidiu transformar a dor em esperança para outras pessoas.

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“O corpo vai para a terra e vai ser consumido pela terra, enquanto pode salvar tantas vidas. E a gente chegou nessa decisão de doar os órgãos dele”, afirmou Tereza, emocionada.

A morte encefálica de Miguel foi constatada na terça-feira (27), no Hospital Municipal de São José dos Campos. A captação dos órgãos está prevista para esta quarta-feira (28), às 21h30. Antes do procedimento, familiares, amigos e profissionais da unidade participarão de um corredor de aplausos em homenagem ao adolescente e à decisão da família.

“Nosso coração está leve. O meu, do meu esposo, Kelson, do Benício (irmão). E a gente fica até sem acreditar, porque a gente sabe que foi o agir de Deus na nossa vida mesmo”, contou a mãe.

Para Tereza, a doação representa uma maneira de preservar o legado do filho, lembrado pela generosidade, pelo carinho e pela disposição em ajudar as pessoas.

“O Miguel era tudo de bom. Ele era um anjo em terra. Então, com certeza, é isso que ele iria fazer”, declarou.

Mãe quer manter legado de Miguel

Ao falar sobre a perda, Tereza também refletiu sobre o significado da vida do filho, interrompida aos 14 anos, e sobre a possibilidade de seu gesto beneficiar outras famílias.

“Quando a gente pensou que o Miguel ia ser grande enquanto vida aqui na Terra, não era isso. Ele veio ser grande pelos 14 anos e mostrar que Deus é Deus, que é o que a gente precisa. E a gente quer continuar com esse legado”, afirmou.

A mãe acredita que Miguel teria concordado com a decisão de doar os órgãos. Segundo ela, o adolescente tinha uma personalidade generosa, fé presente no cotidiano e preocupação com o bem-estar das pessoas ao redor.

Jovem jogava no São José

Miguel integrava a equipe sub-15 do São José e também teve passagem pelo Atleta Cidadão, programa de formação esportiva mantido pela Prefeitura de São José dos Campos.

A morte do adolescente provocou comoção entre familiares, amigos, colegas de escola e companheiros de equipe. Desde o acidente, pessoas próximas se mobilizaram em orações e manifestações de apoio à família.

Tereza destacou a união dos jovens e o carinho recebido durante os dias de internação no Hospital Municipal.

“Foi incrível. Foi algo que não tem explicação. O pessoal do time, a coisa mais linda, essa união dos jogadores. O pessoal da escola, que se mobilizou em oração. Jovens o tempo todo no hospital, de tarde, de noite”, relatou.

A mãe também ressaltou que, mesmo diante da esperança dos amigos pela recuperação de Miguel, o apoio deles ajudou a família a enfrentar o momento de sofrimento.

“Enquanto eles pediam para que o Miguel ficasse, que era o desejo deles, eles estavam ajudando a família do Miguel a ficar com o coração leve e quentinho”, disse.

Diante da repercussão da tragédia, a Prefeitura de São José dos Campos decretou luto oficial de três dias.

Hospital captou 37 órgãos

O Hospital Municipal de São José dos Campos é referência regional na captação de órgãos e tecidos. De janeiro a outubro de 2026, a unidade registrou 22 notificações de morte encefálica. Desses casos, 11 foram considerados elegíveis para doação, e houve autorização familiar em nove deles.

O índice de autorização foi de aproximadamente 82% entre os casos elegíveis. No mesmo período, o hospital realizou a captação de 37 órgãos e tecidos, contribuindo para ampliar as possibilidades de transplante.

Entre os materiais captados estão quatro corações, dois pulmões, sete fígados, 14 rins e dez córneas.

O processo envolve equipes especializadas do hospital e da OPO (Organização de Procura de Órgãos), vinculada à Unicamp, de Campinas, que atua na identificação de potenciais doadores e na organização das etapas necessárias à doação.

A autorização dos familiares é fundamental para a realização do procedimento. Por isso, o diálogo sobre a doação de órgãos é importante para que a vontade de cada pessoa seja conhecida e possa ser considerada pela família em um momento difícil.

No caso de Miguel, a decisão de Tereza, do marido e dos familiares representa a esperança de que outras pessoas tenham uma nova oportunidade de vida.