O dono do Garagem do Espeto, bar localizado no Jardim Morumbi, em São José dos Campos, voltou a provocar polêmica nas redes sociais após defender que empresários demitam funcionários de esquerda e deixem de contratar trabalhadores que apoiam o PT. A declaração motivou críticas e uma promessa de denúncia ao MPT (Ministério Público do Trabalho) por parte do PSOL de São José dos Campos.
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Em um vídeo publicado nas redes sociais, o empresário, conhecido como Dersão, convoca comerciantes de todo o país a aderirem a um boicote contra pessoas que compartilham posições políticas de esquerda.
“Você, empresário, você que tem comércio, não contrate petista. Se você tiver petista na sua operação, manda embora”, afirma o comerciante na gravação.
Durante o discurso, ele também defende que os estabelecimentos contratem apenas pessoas de direita e pede que empresários se mobilizem contra trabalhadores com posicionamento político contrário ao seu.
“Vamos mandar embora todo mundo que é de esquerda. Vamos contratar só povo de direita que queira trabalhar”, diz em outro trecho.
O empresário ainda critica o funcionamento da máquina pública e argumenta que os comerciantes são responsáveis por sustentar o país. Ao final, utiliza expressões ofensivas para se referir a apoiadores do PT.
A publicação provocou reação do PSOL de São José dos Campos. Em um comentário nas redes sociais, o partido classificou a conduta como discriminatória e anunciou que pretende formalizar uma denúncia ao Ministério Público do Trabalho.
“Vamos denunciar a discriminação nas relações de trabalho e assédio eleitoral pelo Garagem Espeto SJC no site do Ministério Público do Trabalho”, afirmou o partido.
A publicação também recebeu comentários de internautas que criticaram a proposta de associar a contratação e a permanência de funcionários à preferência política.
A advogada Letícia Greco se colocou à disposição para prestar assistência jurídica gratuita a trabalhadores que tenham sido demitidos por causa de seu posicionamento político.
“Pessoal, sou advogada e estou à disposição — de forma gratuita — para atender os trabalhadores que foram demitidos em razão de posicionamento político e precisam de auxílio jurídico”, escreveu.
Outro internauta, Anacleto Júnior, também defendeu que o caso seja denunciado ao Ministério Público do Trabalho e criticou o alcance das declarações nas redes sociais.
Em outra publicação, o empresário respondeu às críticas: “Podem fazer o que quiserem, mas não vou ficar calado”.
Procurado pela reportagem, o empresário ainda não se manifestou.
Esta não é a primeira vez que o dono do Garagem do Espeto ganha repercussão por declarações políticas. O estabelecimento já havia sido alvo de críticas após a divulgação de vídeos com mensagens direcionadas a apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em uma das publicações, divulgada no dia 6, o empresário exibiu uma placa com a frase “Proibido entrada de petista, inclusive cliente”. Na legenda, esclareceu que o conteúdo era uma encenação de caráter ilustrativo.
A postagem dividiu opiniões. Enquanto alguns internautas manifestaram apoio ao posicionamento político do comerciante, outros questionaram a ideia de associar o atendimento aos consumidores às preferências ideológicas.
Em fevereiro, Dersão também publicou um vídeo em que classificou o estabelecimento como um comércio “de direita” e exibiu um adesivo com a frase “Fora Lula” na fachada do bar. Na ocasião, afirmou ser conservador e lançou um desafio relacionado à preferência política dos consumidores.
Mais recentemente, o empresário apresentou uma decoração que chamou de “caixão dos petistas”. No vídeo, afirmou que pretendia pendurar o objeto na parede do estabelecimento e fez provocações contra apoiadores do presidente Lula, além de previsões negativas sobre a economia brasileira.
As manifestações ampliaram a repercussão do posicionamento político do bar e provocaram novas discussões entre seguidores.
A defesa da demissão de funcionários por suas convicções políticas levanta questões sobre os limites da liberdade de expressão nas relações de trabalho.
A Constituição Federal protege a liberdade de consciência e de convicção política, enquanto a legislação trabalhista e as normas de proteção contra a discriminação podem ser aplicáveis conforme as circunstâncias de cada caso.
A caracterização de assédio eleitoral ou de outra irregularidade trabalhista depende da análise dos fatos e das provas. A manifestação pública de uma opinião política, isoladamente, não permite concluir automaticamente que houve uma infração.
Até a publicação deste texto, não havia informação sobre eventual procedimento instaurado pelo Ministério Público do Trabalho em decorrência da nova declaração. O PSOL, porém, anunciou que pretende apresentar uma denúncia ao órgão.