O Ministério Público de São Paulo voltou a pedir a prisão preventiva do empresário Ivo Kos, solto na semana passada após permanecer mais de dois meses detido. Em novo recurso apresentado nesta terça-feira (27), os promotores apontam a gravidade das agressões contra a ex-mulher, Giullia Falcão, e destacam o uso de uma arma de choque e de um taco de beisebol durante os episódios de violência.
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O pedido foi apresentado após a Justiça revogar a prisão preventiva do empresário. Kos estava detido desde 14 de agosto, quando foi preso em flagrante por suspeita de agredir a então esposa, em São Paulo. Ele ficou na Penitenciária de Potim, no interior paulista, até 22 de outubro.
No recurso, o Ministério Público argumenta que os instrumentos utilizados nas agressões demonstram a gravidade do caso. A Promotoria também sustenta que há histórico de violência e que a liberdade do empresário representa risco à integridade física da vítima.
Um dos pontos questionados pelos promotores é a manifestação feita por Giullia em abril, quando ela afirmou não se sentir ameaçada ou constrangida pelo então marido. Essa declaração contribuiu para a revogação das medidas protetivas em 22 de outubro.
Para o Ministério Público, porém, a manifestação não elimina o risco de novas agressões. O órgão destaca que novos episódios de violência foram registrados em agosto, culminando na prisão em flagrante do empresário.
A Promotoria também aponta risco para a produção de provas, uma vez que a vítima e as testemunhas ainda não prestaram depoimento em juízo.
Além do retorno imediato de Kos à prisão preventiva, o MPSP solicita o reforço das medidas de proteção. Entre os pedidos estão restrições de circulação, dispositivo de alerta para a vítima, apreensão dos instrumentos utilizados nas agressões e de eventuais armas, proibição de contato com testemunhas e participação do empresário em programa de reeducação e acompanhamento psicossocial.
As agressões que levaram à prisão aconteceram em 14 de agosto, em Pinheiros, na zona oeste da capital paulista. Na ocasião, câmeras de segurança registraram parte da discussão entre o casal.
Segundo o relato de Giullia à polícia, ela havia saído para jantar com o marido e um casal de clientes dele. Durante o retorno para casa, os dois discutiram e Kos teria começado a desferir socos contra ela ainda dentro do carro.
Ao chegar à residência, a mulher se recusou a entrar no imóvel. Imagens de segurança mostram que ela foi retirada da rua com a ajuda de um segurança, que auxiliou o empresário a levá-la para dentro da casa.
A cirurgiã-dentista afirmou que as agressões continuaram no interior da residência. Segundo o depoimento, o empresário utilizou um taco de beisebol para golpeá-la na mão e também a ameaçou com uma arma de choque. Ela relatou ainda que teve o celular tomado e recebeu ameaças de morte caso saísse de casa.
A Promotoria ampliou a denúncia para incluir a acusação de tortura.
A defesa de Ivo Kos considera que o recurso do Ministério Público não tem fundamento e representa uma tentativa de antecipar uma punição sem que haja condenação.
Os advogados sustentam que a decisão de soltura levou em consideração a manifestação da própria vítima, que declarou não sentir mais receio da liberdade do ex-marido. A defesa também afirma que o divórcio foi formalizado e que as medidas protetivas determinadas pela Justiça estão sendo cumpridas.
O processo de divórcio foi concluído em 15 de outubro. Após deixar a prisão, Kos publicou uma fotografia ao lado do filho nas redes sociais e comemorou o retorno para casa.
O novo pedido do Ministério Público busca reverter a decisão que permitiu que o empresário responda ao processo em liberdade.