Um vídeo protagonizado por Cristiano Gomes, morador de São José dos Campos, provocou repercussão nas redes sociais após a divulgação de declarações ofensivas contra eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
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Na gravação, ele faz ataques a pessoas pobres, nordestinos e integrantes da comunidade LGBTQIA+, além de afirmar que seus críticos merecem continuar na pobreza.
Em um dos trechos, Cristiano diz que pessoas que esperam o fim de semana para tomar cerveja merecem “morrer na pobreza”. Ele também afirma ser investidor, diz que está ficando cada vez mais rico e faz comentários depreciativos sobre pessoas que, segundo ele, não teriam condições de se defender em situações de violência.
“Você que espera o fim de semana chegar para tomar cerveja, para bater no peito e falar que é pobre mesmo e dar risada, você merece comer pão com o diabo amassou, meu irmão, você merece morrer na pobreza. Você não merece ter nada de bom na sua vida, você é bobo”, diz ele no vídeo.
“Nordeste, mora em casa de barro, o nordeste tá comendo lixo, não tem água, mas tá fazendo L”, completa.
A gravação circulou nas redes sociais após o resultado das eleições de domingo (25), vencida por Lula. O conteúdo também inclui referências ao crime organizado, à segurança pública e à atuação do governo federal, em meio à polarização política. Todas as ofensas fazem menção a eleitores de Lula.
Após a repercussão, Cristiano publicou um vídeo em que pediu desculpas às pessoas que se sentiram ofendidas. Ele afirmou que as declarações foram feitas durante uma brincadeira entre amigos e que a gravação original havia sido compartilhada na lista de Melhores Amigos do Instagram, recurso que restringe a visualização a um grupo selecionado de seguidores.
Segundo Cristiano, o vídeo foi gravado na noite da apuração eleitoral para provocar amigos que têm posicionamento político diferente do dele. Ele disse que um dos integrantes do grupo gravou a tela e compartilhou o conteúdo em um grupo de WhatsApp, de onde a gravação teria sido divulgada publicamente.
“Eu sei que no vídeo não apagam o peso das palavras, mesmo sendo uma brincadeira, mesmo não sendo direcionado para o público, sei que não apaga o peso das palavras”, declarou.
Cristiano reconheceu a responsabilidade pelas expressões utilizadas e afirmou que não tinha a intenção de ofender pessoas fora do círculo de amizades. Ele também disse que respeita opiniões políticas diferentes e que o conteúdo não refletiria a maneira como costuma tratar as pessoas.
No pronunciamento, Cristiano afirmou que a repercussão trouxe consequências para sua vida pessoal e profissional. Segundo ele, familiares estariam recebendo ameaças, e sua mulher teria enfrentado uma crise de ansiedade em razão da situação.
Ele também declarou ter registrado um boletim de ocorrência relacionado às ameaças e disse que está em contato com um advogado. O morador pediu que as pessoas que compartilharam a gravação apaguem o conteúdo e divulguem sua versão dos fatos.
Cristiano argumentou que o vídeo foi retirado de um contexto privado e que a divulgação pública estaria prejudicando sua imagem. Apesar disso, reconheceu que as palavras utilizadas poderiam provocar indignação e voltou a pedir desculpas a quem se sentiu ofendido.
Cristiano aparece em outra gravação ao lado de João Oliveira, que exercia a função de ministro da Eucaristia na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na zona sul de São José dos Campos. No vídeo, os dois fazem declarações ofensivas contra eleitores de Lula e outros grupos sociais.
Após a repercussão, a paróquia informou que João Oliveira não exerce mais funções na comunidade e afirmou ter adotado as medidas cabíveis assim que tomou conhecimento do conteúdo.
Em manifestação nas redes sociais, a instituição declarou repudiar atitudes contrárias ao Evangelho e ressaltou que manifestações feitas em perfis particulares não representam o posicionamento oficial da comunidade religiosa.
O episódio reacendeu nas redes sociais o debate sobre os limites da liberdade de expressão, a responsabilidade pela divulgação de conteúdos e o respeito a pessoas com opiniões políticas diferentes.
A reportagem tentou contato com João Oliveira e Cristiano Gomes, mas eles não foram localizados. O espaço segue aberto para a manifestação de ambos.