A Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na zona sul de São José dos Campos, desligou João Oliveira do cargo de ministro da Eucaristia e de outras atividades da comunidade após a repercussão de um vídeo em que ele aparece ao lado de Cristiano Gomes fazendo declarações ofensivas contra eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pessoas negras, pobres, nordestinos e integrantes da comunidade LGBTQIA+. A gravação circulou nas redes sociais após o resultado das eleições de domingo (25).
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A decisão da paróquia ocorreu após fiéis e seguidores cobrarem um posicionamento da Igreja diante do conteúdo. As declarações provocaram indignação nas redes sociais, especialmente porque um dos homens envolvidos exercia uma função religiosa na comunidade católica.
Em resposta às cobranças, a paróquia confirmou que João Oliveira não exerce mais funções na instituição e afirmou ter adotado as medidas cabíveis assim que tomou conhecimento do vídeo.
“Enquanto paróquia, informamos que a pessoa em questão já não exerce cargos em nossa comunidade desde que tomamos conhecimento do conteúdo do vídeo. Repudiamos atitudes contrárias ao Evangelho”, declarou a instituição em comentário publicado nas redes sociais.
A paróquia também ressaltou que manifestações feitas em perfis particulares não representam a posição oficial da comunidade religiosa. A instituição afirmou ainda que acompanha o caso e pediu orações pelos envolvidos.
Nas imagens, os homens fazem declarações ofensivas contra diferentes grupos sociais e políticos. Entre os alvos estão eleitores de Lula, pessoas negras, homossexuais, lésbicas, pessoas gordas, estudantes e praticantes de religiões de matriz africana.
Em um dos trechos, um dos envolvidos afirma odiar pessoas desses grupos e diz que elas deveriam “sumir da face da terra”. Em seguida, manifesta o desejo de que pessoas pobres passem fome e faz comentários depreciativos sobre quem vive de aluguel.
O vídeo também contém ataques a moradores do Nordeste. Um dos homens afirma que a população da região depende de recursos levados por visitantes e faz comentários pejorativos sobre as condições de moradia e o voto dos nordestinos.
Em outra passagem, os envolvidos atacam praticantes de religiões de matriz africana e fazem declarações desejando a morte dessas pessoas. O conteúdo também inclui ofensas direcionadas a eleitores que apoiam o presidente Lula.
Na segunda-feira (26), a Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro divulgou uma nota oficial de repúdio às declarações que circularam nas redes sociais. O comunicado reafirmou o compromisso da instituição com a dignidade humana, a fraternidade e os princípios cristãos.
“A Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro vem a público se manifestar contrária a toda e qualquer conduta que contrarie os princípios cristãos de respeito, dignidade humana, fraternidade e responsabilidade”, afirmou a instituição.
A nota também destacou que a missão da Igreja Católica é anunciar o Evangelho de Jesus Cristo e promover o amor ao próximo, a paz, o acolhimento e o respeito à dignidade de todas as pessoas.
Ao abordar a responsabilidade de quem ocupa funções religiosas, a paróquia declarou repudiar condutas incompatíveis com os valores cristãos, especialmente quando praticadas por pessoas que exercem funções de liderança e responsabilidade pastoral.
Na manifestação inicial, a instituição não havia detalhado eventuais medidas administrativas. Posteriormente, diante da repercussão e das cobranças dos fiéis, confirmou o desligamento de João Oliveira das atividades da comunidade.
Cristiano Gomes, morador de São José dos Campos, também aparece nas gravações que repercutiram nas redes sociais. Em um dos vídeos, ele critica eleitores de Lula, faz comentários depreciativos sobre pessoas de baixa renda e afirma ter uma condição financeira privilegiada, mencionando investimentos e o aumento de seu patrimônio.
Não há confirmação de vínculo de Cristiano Gomes com a Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. As redes sociais atribuídas a ele foram desativadas após a repercussão do caso.
A reportagem tentou contato com João Oliveira e Cristiano Gomes, mas eles não foram localizados. O espaço segue aberto para a manifestação de ambos.