26 de outubro de 2026
MERCADO FINANCEIRO

Após reeleição de Lula, ações da Embraer disparam quase 7%

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/Embraer
Jato comercial da Embraer

A Bolsa brasileira enfrenta um dia de fortes turbulências nesta segunda-feira (26), mas algumas empresas seguem na contramão do mercado. Em meio à queda do Ibovespa e à disparada do dólar, a Embraer registrava alta de 6,75%, enquanto Vale, Suzano, Klabin e Gerdau também avançam.

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Com presença internacional e receitas provenientes de diferentes mercados, a fabricante de aeronaves com sede em São José dos Campos também tem exposição cambial que pode favorecer os resultados convertidos em reais.

O movimento contrasta com as perdas expressivas de varejistas, bancos e construtoras após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo (25).

A diferença está principalmente na exposição de cada empresa ao mercado brasileiro e ao exterior. Com a valorização do dólar frente ao real, companhias exportadoras podem se beneficiar por receberem parte relevante de suas receitas em moeda estrangeira. Já empresas dependentes do consumo interno e do crédito tendem a sofrer mais com a perspectiva de juros elevados.

Nesta manhã, a Suzano, maior produtora mundial de celulose de eucalipto, liderava os ganhos entre as empresas citadas, com valorização superior a 10%. A Vale avançava 6,6%, enquanto a Embraer subia 6,75%. A Klabin registrava alta de 2,7%, e a Gerdau, que tem parte importante de seus resultados ligada às operações nos Estados Unidos, ganhava 2,5%.

Varejistas e construtoras lideram perdas

Na outra ponta, empresas ligadas ao consumo doméstico registravam quedas acentuadas. As ações do Magazine Luiza e do Assaí recuavam cerca de 48%. A Lojas Renner perdia 38%, enquanto a Azzas 2154, dona de marcas como Arezzo e Schutz, caía 37%.

A perspectiva de juros mais altos por mais tempo pressiona esses negócios porque encarece o crédito, reduz o poder de compra dos consumidores e eleva as despesas financeiras das companhias.

O impacto tende a ser maior em empresas que comercializam produtos de maior valor e dependem de compras parceladas, como o Magazine Luiza.

No caso da Renner e da Azzas 2154, a dependência do consumo interno também aumenta a exposição às incertezas econômicas. O Assaí, embora atue no setor de alimentos, não fica imune ao encarecimento do crédito e do financiamento.

O setor financeiro também registrava perdas expressivas. Às 12h40, as ações do Bradesco recuavam 24,5%, enquanto as do Itaú caíam 15%. Os papéis da B3, responsável pela operação da Bolsa brasileira, despencavam 36,6%, e os do BTG Pactual perdiam 24,8%.

Na construção civil, as quedas também eram fortes. Por volta das 11h10, a Cyrela recuava 43,4%, a MRV caía 40,5% e a Cury perdia 27,4%.

O setor é especialmente sensível às oscilações dos juros porque tanto as incorporadoras quanto os compradores de imóveis dependem de financiamento. Taxas elevadas encarecem o crédito imobiliário e aumentam o custo de captação das empresas.

Companhias com maior exposição à habitação popular e ao programa Minha Casa, Minha Vida, como Cury e Direcional, podem ter parte desse impacto atenuada, embora não estejam totalmente protegidas.

Circuit breaker

Em momentos de forte instabilidade, a Bolsa brasileira conta com o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações para conter movimentos extremos e permitir que os investidores avaliem as informações disponíveis.

No mercado brasileiro, a ferramenta pode ser acionada quando o Ibovespa, principal índice da Bolsa, registra queda de 10% em relação ao fechamento anterior. Nesse caso, as negociações são suspensas por 30 minutos.

Se, após a retomada, a queda atingir 15%, ocorre uma nova interrupção, de uma hora. Caso o recuo chegue a 20%, a B3 pode determinar a suspensão das negociações por um período definido pela própria bolsa, com comunicação oficial ao mercado.

O mecanismo não impede perdas nem garante a recuperação dos preços. Seu objetivo é interromper temporariamente as operações em momentos extremos de volatilidade, dando aos participantes do mercado tempo para reavaliar suas decisões.

* Com informações do UOL e da Reuters