26 de outubro de 2026
VICE-PRESIDENTE

Fortalecido, Alckmin entra no radar para a sucessão de Lula

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 5 min
Paulo Pinto/Agencia Brasil
Geraldo Alckmin fala com eleitores após a vitória, na Avenida Paulista

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais fortalece politicamente o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que se consolida como um dos principais nomes do campo progressista para os próximos anos.

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Natural de Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba, o ex-governador de São Paulo amplia seu espaço no cenário nacional e pode entrar na disputa pela sucessão de Lula em 2030 – Lula fará 81 anos nesta terça-feira (27).

O reconhecimento público do presidente reeleito reforçou esse cenário. Durante o discurso após a confirmação do resultado, no domingo (25), Lula fez questão de ressaltar a importância de Alckmin na vitória eleitoral.

“Feliz quem tem um vínculo de qualidade, de lisura de comportamento e de liderança que eu tenho no Alckmin”, afirmou o presidente, ao ressaltar que os dois mereciam comemorar juntos o resultado.

Lula também classificou o vice como um companheiro de sua trajetória política e reconheceu sua contribuição para a campanha.

A manifestação ganha peso diante da perspectiva de reorganização das forças políticas para as próximas eleições presidenciais. Com mais quatro anos de mandato pela frente,

Novo governo

Alckmin terá a oportunidade de ampliar sua atuação no governo e consolidar a imagem de uma liderança capaz de dialogar com diferentes setores da sociedade.

Ele é cotado para assumir o Ministério da Fazenda ou o futuro Ministério da Segurança Pública, pasta prometida por Lula durante a campanha.

Em entrevista ao Broadcast Político do jornal O Estado de S. Paulo, o presidente do PT e coordenador-geral da campanha à reeleição de Lula, Edinho Silva, disse que Alckmin pode ser “o que ele quiser” no novo governo, pois “é um excepcional vice-presidente e foi o ministro que pôs em pé a Nova Indústria Brasil, mais de R$ 700 bilhões investidos”.

Edinho disse que Lula não pretende indicar um novo ministro da Fazenda já, mas que o nome escolhido “será alguém da extrema confiança dele, porque a política econômica é do Lula”. Segundo Edinho, o novo ministro comporá o governo até o final do ano.

Alckmin defende a democracia

Em sua manifestação após a vitória, Alckmin agradeceu aos eleitores e destacou a participação de jovens, mulheres e idosos no processo eleitoral. O vice-presidente também direcionou palavras de reconhecimento a Lula e ressaltou a importância da preservação das instituições democráticas.

“Meu profundo respeito ao senhor, presidente, que salvou a democracia brasileira pela segunda vez”, declarou.

Alckmin afirmou ainda que seguirá trabalhando ao lado do presidente com humildade e responsabilidade. O discurso reforçou a sintonia entre os dois, uma aliança que chamou a atenção do cenário político nacional desde que foi formada, em 2022.

A aproximação representou uma mudança expressiva na trajetória dos dois políticos.

Durante anos, Alckmin e Lula estiveram em lados opostos da disputa presidencial. Em 2006, o então governador paulista enfrentou o petista no segundo turno e obteve 39,17% dos votos válidos, contra 60,83% do adversário.

Em 2018, Alckmin voltou a disputar a Presidência, mas terminou em quarto lugar, com cerca de 4,7% dos votos válidos. Três anos depois, deixou o PSDB, partido do qual foi um dos fundadores, e ingressou no PSB para viabilizar a aliança com Lula.

Do Vale ao centro do poder

Nascido em Pindamonhangaba, em 7 de novembro de 1952, Geraldo Alckmin construiu uma carreira política que começou no Legislativo e no Executivo municipal. Médico formado pela Unitau (Universidade de Taubaté), foi vereador, presidente da Câmara Municipal e prefeito de sua cidade natal.

Em seguida, conquistou mandatos como deputado estadual e deputado federal. Em 1988, participou da fundação do PSDB, legenda pela qual se tornou uma das principais lideranças políticas de São Paulo.

Alckmin chegou ao governo paulista em 2001, após a morte do então governador Mário Covas, de quem era vice. Foi eleito para o cargo em 2002 e voltou ao Palácio dos Bandeirantes em 2011, permanecendo no posto até abril de 2018, quando deixou o governo para disputar novamente a Presidência.

Ao longo desse período, consolidou uma imagem de gestor com trânsito entre o empresariado e setores mais moderados da política. Essa característica foi uma das razões para sua escolha como vice de Lula em 2022, quando a campanha petista buscava ampliar o diálogo para além de sua base tradicional.

Ponte com o empresariado

No governo federal, Alckmin acumulou a vice-presidência com o comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. A função ampliou sua participação em negociações com empresários, representantes da indústria, do agronegócio e trabalhadores.

A interlocução com esses setores se tornou especialmente relevante em momentos de tensão comercial internacional, como diante do tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quando o governo precisou buscar alternativas para proteger as exportações brasileiras e reduzir os efeitos de medidas protecionistas.

Esse perfil pode ser um trunfo em uma eventual candidatura presidencial em 2030. Além da experiência administrativa em São Paulo, Alckmin reúne passagem pelo Congresso, atuação no Executivo federal e capacidade de diálogo com setores econômicos que tradicionalmente mantêm reservas em relação ao PT.

Sua trajetória também inclui derrotas e episódios de desgaste. Em 2018, a votação presidencial abaixo das expectativas expôs as dificuldades de sua candidatura. Já durante os governos paulistas, enfrentou críticas relacionadas à política educacional, à relação com servidores públicos e à atuação das forças de segurança.

A experiência acumulada, porém, o mantém entre as figuras mais conhecidas da política nacional.

Sucessão de Lula

Apesar do fortalecimento após a vitória eleitoral, uma eventual candidatura de Alckmin à Presidência em 2030 não está definida. O caminho dependerá do desempenho do governo, das alianças partidárias e da capacidade do PSB e de outras forças progressistas de construir um projeto eleitoral competitivo.

Também será necessário observar os movimentos do PT e de outras lideranças que podem reivindicar espaço na sucessão presidencial.

Por enquanto, Alckmin sai da eleição em posição politicamente favorável: reeleito vice-presidente, elogiado publicamente por Lula e com mais um mandato para ampliar sua presença nacional.

Para o Vale do Paraíba, região onde nasceu e iniciou sua carreira, o fortalecimento do vice-presidente também recoloca Pindamonhangaba no mapa das principais trajetórias políticas do país.

Quase cinco décadas depois de assumir a prefeitura da cidade, Alckmin chega a uma nova etapa de sua carreira com a possibilidade de se tornar um dos protagonistas da próxima disputa presidencial.