Somente 34.330 votos, o equivalente a 0,03% do total, foram registrados após as 17h de domingo (25), quando a votação do segundo turno das eleições presidenciais de 2026 teve o horário de encerramento prorrogado.
Os dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contrariam a alegação do senador Flávio Bolsonaro (PL) de que a medida teria comprometido a legitimidade do resultado eleitoral.
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O levantamento foi publicado pelo jornal Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (26), com base nos registros da Justiça Eleitoral. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu a disputa presidencial com uma vantagem de 4.430.251 votos sobre Flávio, diferença que não seria alterada pelo total registrado após as 17h.
Após a derrota, Flávio afirmou que não reconheceria o resultado e anunciou que pretende recorrer à Justiça para pedir a anulação dos votos. O senador criticou a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Cristiano Zanin, que determinou a manutenção das urnas abertas até as 19h.
A medida foi tomada após um pedido da campanha de Lula, que apontou problemas na oferta de transporte público para eleitores em algumas cidades. A campanha de Flávio também solicitou a extensão do horário de votação, mas restringiu o pedido a municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, alegando dificuldades provocadas pelas condições climáticas.
Flávio classificou a decisão judicial como uma interferência nas regras do pleito e afirmou que houve quebra de isonomia entre os eleitores.
Segundo Pedro Burgos, professor do Insper e especialista em jornalismo de dados responsável pelo levantamento, a maior parte dos votos computados após as 17h foi registrada entre 17h e 17h20.
O dado indica que os registros adicionais correspondem, provavelmente, a eleitores que já estavam nas filas quando chegou o horário inicialmente previsto para o encerramento da votação.
Em São Paulo, cerca de 80% das zonas eleitorais encerraram a votação às 17h, segundo o levantamento citado pela Folha.
O senador também levantou suspeitas sobre o acompanhamento da apuração pelo Partido Liberal (PL). Ele afirmou que fiscais da sigla teriam sido retirados da sala-cofre do TSE após a decisão de prorrogar a votação.
O tribunal, porém, classificou como falsa a alegação de que representantes partidários foram retirados do local durante a apuração. Segundo esclarecimento da Justiça Eleitoral, a sala-cofre não é aberta à visitação, mas fiscais de partidos, observadores internacionais, advogados e integrantes do Ministério Público podem acompanhar a totalização dos votos em outras áreas do tribunal.
Até a publicação do levantamento, as declarações de Flávio não apresentavam evidências de que a prorrogação do horário tivesse alterado o resultado da eleição.