O motorista de um carro com adesivos do PT que atropelou duas crianças durante uma carreata de apoio a Flávio Bolsonaro (PL), em Ilhabela, no Litoral Norte, foi autuado por tentativa de homicídio qualificado, embriaguez ao volante e omissão de socorro.
A informação consta no boletim de ocorrência registrado pela Polícia Civil no sábado (24), após o episódio que deixou feridos um menino de cinco anos e uma menina de nove.
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Segundo o documento, o motorista, identificado como Cardjon Peixôto, de 56 anos, foi preso em flagrante.
A Polícia Civil enquadrou inicialmente a conduta como duas tentativas de homicídio qualificado, por recurso que teria dificultado a defesa das vítimas, em concurso formal. A classificação é provisória e poderá ser revista no decorrer da investigação e do processo judicial.
O atropelamento ocorreu por volta das 16h, na Rua Gerson Peres de Araújo, no bairro Barra Velha, em meio à concentração de pedestres e à retenção do trânsito provocadas pela carreata política.
De acordo com o boletim, o Hyundai Tucson conduzido pelo investigado estava inicialmente parado. Em seguida, avançou abruptamente sobre a ciclovia e o passeio público, atingindo as duas crianças, que caminhavam acompanhadas de familiares.
Um dos pontos centrais da investigação é esclarecer se o atropelamento foi provocado por uma falha na condução do veículo ou se houve intenção de atingir as pessoas que estavam no local.
Em depoimento à Polícia Civil, Peixôto afirmou que confundiu os pedais do freio e do acelerador, o que teria feito o automóvel avançar repentinamente. Ele negou ter visto as crianças antes do impacto e negou a intenção de atropelá-las.
O motorista, que trabalha profissionalmente ao volante, também alegou que pretendia prestar socorro após o acidente, mas foi impedido por pessoas que estavam no local e acabou agredido.
A versão apresentada pelo investigado deverá ser confrontada com as imagens do atropelamento e os depoimentos colhidos durante a apuração.
Segundo o boletim, o policial militar que atendeu a ocorrência relatou ter recebido informações de pessoas presentes de que o motorista estaria contrariado com a demora provocada pela carreata. Testemunhas teriam afirmado que ele direcionou intencionalmente o veículo contra pessoas que participavam da manifestação.
O policial, no entanto, não presenciou diretamente a manobra. Os relatos dependem de confirmação por meio da identificação e da oitiva das testemunhas.
A Polícia Civil também registrou que as imagens examinadas pela autoridade policial mostram as crianças na região atingida e o veículo avançando sobre a área destinada aos pedestres.
O boletim de ocorrência também aponta indícios de embriaguez ao volante. Segundo o registro, o motorista admitiu ter consumido bebida alcoólica e se recusou a realizar o teste do bafômetro.
Os policiais relataram sinais compatíveis com ingestão de álcool e encontraram no interior do veículo uma lata de cerveja com aproximadamente 200 mililitros de líquido.
Uma avaliação médica posterior registrou hálito etílico, marcha cambaleante e dificuldade para manter o equilíbrio. A ficha de atendimento indicou hipótese diagnóstica de embriaguez leve.
A recusa ao teste do bafômetro, isoladamente, não comprova a embriaguez. Neste caso, a autuação por condução sob influência de álcool foi fundamentada também nos sinais observados pelos policiais e na avaliação clínica descrita no boletim.
As duas crianças foram socorridas após o atropelamento e encaminhadas ao Hospital Municipal Governador Mário Covas Júnior, em Ilhabela.
A menina, de nove anos, sofreu uma lesão grave na perna direita, descrita pelos policiais como fratura exposta, e precisou passar por cirurgia. O atendimento médico registrou traumatismo no membro inferior direito, com suspeita de fratura e necessidade de intervenção especializada.
O menino, de cinco anos, apresentou lesões traumáticas na perna esquerda, com inchaço e suspeita inicial de fratura. O boletim aponta que os ferimentos aparentavam menor gravidade em comparação aos da outra vítima.
O atropelamento ocorreu durante uma mobilização de apoiadores de Flávio Bolsonaro, na véspera do segundo turno da eleição presidencial, realizado neste domingo (25). O veículo envolvido tinha adesivos relacionados ao Partido dos Trabalhadores (PT), legenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, adversário de Flávio na disputa.
De acordo com a polícia, apesar do contexto eleitoral, a presença dos adesivos não comprova, por si só, motivação política para o atropelamento. A investigação deverá esclarecer a dinâmica dos fatos e se houve intenção de atingir os participantes da carreata.
O motorista permaneceu preso à disposição da Justiça. Além da tentativa de homicídio qualificado, ele foi autuado por embriaguez ao volante e omissão de socorro, conforme o boletim de ocorrência.