A entrada do Insper da rua Quatá, na zona sul paulistana, foi tomada por estudantes em um ato de apoio a Flávio Bolsonaro (PL). Vestidos de camisas amarelas da seleção brasileira, bonés com dizeres como "Flávio 2026", "AGRO" e "Make Brazil Great Again", os jovens mobilizados por grupos estudantis de direita comemoravam "o fim da hegemonia da esquerda nas universidades".
O clima era de festa. Sinalizadores espalhavam fumaça verde e amarela na rua, e os jovens dançavam ao som da versão bolsonarista de funks, com letras sobre o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e sobre o fim da esquerda. "Quem ficar parado é petista disfarçado" foi repetida diversas vezes.
Entre as músicas, entoavam coros de "Ei, Lula, vai tomar no cu", "Lula ladrão, seu lugar é na prisão".
Os líderes estudantis de faculdades como Insper, Mackenzie, Ibmec e ESPM falaram do deque de um café -declaradamente bolsonarista- que ofereceu aos direitistas desconto de 22% na segunda-feira, caso Flávio seja eleito.
Na rua, com menos de um quarteirão ocupado, os estudantes comemoraram. Uns tomavam destilados coloridos no gargalo e, ao fim do ato, vários estavam visivelmente alterados.
A manifestação foi marcada, inicialmente, na PUC, universidade com tradição de militância de esquerda, e puxada pelo deputado federal Lucas Pavanato (PL-SP). O movimento foi considerado arriscado pelo deputado estadual Lucas Bove (PL-SP), que puxou o ato para o Insper.
Pavanato era presença confirmada, assim como a deputada estadual Eduarda Campopiano (PL-SP), Pablo Marçal e o senador eleito Guilherme Derrite. No final, foram Bove, Victor Ruiz (PP-SP), que foi candidato a deputado federal sob o slogan "terror da USP", e o youtuber Paulo Kogos. O governador Tarcísio Freitas (Republicanos) apareceu por meio de uma chamada de vídeo, amplificada por microfone.
"Pamparararam", entoou Bove, pedindo silêncio com o telefone e o microfone na mão. "Pam pam!", bradaram os estudantes. O governador reeleito parabenizou a manifestação e disse que "o Brasil pode muito mais". "Mais defesa da família, da livre iniciativa", disse. "Faltam poucos dias para a gente convencer indecisos."
Foi uma fala moderada em comparação à de Kogos e Ruiz, que evocaram o temor ao comunismo. "Lenin, aquele safado comunista, dizia que, para fazer a revolução, a gente precisa fazer a juventude parar de pensar", disse Kogos. "Mas vocês são a prova de que os comunistas falharam!"
Ruiz afirmou que as universidades foram tomadas pela esquerda e que "se transformaram de centros acadêmicos em centros de militância por comunistas malditos que destruíram o cérebro da juventude".
Aos convidados se uniram estudantes que representavam os grupos universitários de direita, que comemoraram a presença crescente nas universidades.
Ao final das falas, os manifestantes permaneceram na rua por pouco tempo e se deslocaram para um bar da região. O clima de matinê tomou conta, com paquera e bebedeira.
Uma dupla de rapazes de 20 anos que pediu anonimato à reportagem disse que, no fundo, são adeptos a uma política de centro e lamentam a polarização. Estavam ali menos por apoio ao bolsonarismo e mais para flertar com as meninas, disseram.