21 de outubro de 2026
OPINIÃO

Nova jornada e reforma tributária podem apertar o caixa

Por José Guilherme Sabino | Fundador e CEO do Grupo Assertif
| Tempo de leitura: 2 min
Nova jornada e reforma tributária podem apertar o caixa

Uma empresa pode conseguir o reajuste necessário para cobrir os novos custos e, ainda assim, precisar de financiamento para manter a operação. Ao analisar a nova jornada e a reforma tributária, é esse descompasso que me preocupa: a despesa começa antes de o novo preço virar recebimento.

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No relatório O caixa entre a nova escala e o novo preço, do Grupo Assertif, simulamos uma prestadora que assume R$ 63 mil mensais de gastos adicionais com pessoal e negocia um reajuste que deixa R$ 70 mil líquidos a mais por mês. A folha maior começa no primeiro mês. O cliente só paga o novo preço no sexto.

Com os gastos iniciais de adaptação e os cinco meses de espera, o saldo cai para R$ 15 mil. Faltam R$ 85 mil para preservar a reserva de R$ 100 mil escolhida no exemplo. A conta é hipotética, antes dos custos de um novo financiamento, e precisa ser recalculada para cada etapa da jornada e para a operação de cada empresa.

Na frente tributária, recolher antes um tributo ou demorar mais para aproveitar um crédito pode exigir capital de giro, mesmo sem aumento equivalente da carga. Já um custo tributário líquido maior reduz o resultado da operação. Sem separar esses efeitos, a empresa pode tratar uma falta temporária de dinheiro como perda permanente de rentabilidade.

Ganhos de produtividade e economias tributárias podem aliviar a conta. Eu pediria à equipe que identificasse quais mudanças produzirão essa economia e quando ela começará a reduzir os desembolsos. Uma economia esperada para mais adiante não elimina a necessidade de financiar os gastos de agora.

Há uma decisão comercial que merece atenção. Na simulação exclusivamente trabalhista, antecipar o primeiro recebimento do sexto para o quarto mês elimina a necessidade adicional de R$ 85 mil, mantidas as demais condições. O percentual do reajuste é o mesmo.

Por isso, eu levaria a data do primeiro pagamento para a negociação, junto com o novo preço. Um adiantamento ou um prazo menor pode reduzir a necessidade de empréstimo. Se houver financiamento, a projeção precisa mostrar como a operação adaptada pagará os juros e as parcelas.

Antes de aceitar mais alguns meses de espera, a diretoria precisa conhecer o dinheiro que comprometerá e de onde ele sairá. Quando a conta depende de um empréstimo sem condições definidas para a liberação, o reajuste pode estar aprovado, mas a adaptação ainda não está financiada.