Um homem de 30 anos matou o amigo Gustavo Santos Scacabarozzi, de 51 anos, para tentar roubar veículos ou peças e resolver dificuldades financeiras. Após o crime, ele colocou o corpo da vítima em um carro e tentou atear fogo no veículo para destruir vestígios, segundo a Polícia Civil. O caso aconteceu na noite de terça-feira (20), em um imóvel no bairro Belém, em Taubaté.
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O suspeito foi preso em flagrante pela Polícia Militar e, conforme o boletim de ocorrência, admitiu ter matado Gustavo. A investigação foi registrada inicialmente como latrocínio, que é o roubo seguido de morte, além de fraude processual e tráfico de drogas.
Os policiais militares foram acionados às 20h04 para atender a uma ocorrência de disparos de arma de fogo na rua Osvaldo de Andrade Junqueira. No local, moradores indicaram o imóvel de onde teriam vindo os tiros.
Ao entrarem no estabelecimento, os agentes encontraram o suspeito agachado próximo à entrada de um galpão. Ele obedeceu à ordem para sair, foi abordado e algemado.
Segundo o boletim de ocorrência, o homem afirmou aos policiais que havia matado Gustavo e indicou que o corpo estava dentro de um automóvel.
Nas proximidades, os militares localizaram um revólver Taurus calibre .22, com cinco munições intactas e uma deflagrada, além de uma mochila com roupas manchadas de sangue. De acordo com o registro policial, as peças seriam do suspeito, que teria trocado de roupa e vestido roupas da própria vítima.
Durante a vistoria no imóvel, os policiais encontraram um Renault Sandero branco com princípio de incêndio. Os próprios agentes controlaram as chamas e localizaram o corpo de Gustavo no interior do veículo.
A vítima apresentava quatro perfurações compatíveis com disparos de arma de fogo e outros ferimentos aparentemente provocados por um instrumento cortante.
Conforme o boletim, o suspeito teria colocado o corpo no automóvel e iniciado o incêndio pouco antes da chegada da polícia. Para a autoridade policial, a tentativa de queimar o veículo tinha como objetivo destruir vestígios e dificultar a investigação.
O Instituto de Criminalística foi acionado para realizar a perícia no local. O corpo foi encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal) de Taubaté. Os laudos deverão esclarecer a dinâmica do crime, as características dos ferimentos e as circunstâncias do incêndio.
Em um primeiro relato aos policiais, o homem afirmou que foi ao imóvel para cobrar uma suposta dívida de drogas que Gustavo teria com ele. Segundo essa versão, os dois entraram em luta corporal, momento em que o suspeito efetuou quatro disparos contra a vítima e, depois, usou uma faca encontrada no local para golpeá-la.
No interrogatório, porém, conforme a decisão da autoridade policial, o investigado teria relatado que enfrentava dificuldades financeiras e pretendia se apoderar de veículos ou peças pertencentes a Gustavo.
Os dois se conheciam e mantinham uma relação de amizade. A intenção de subtrair bens foi determinante para o enquadramento inicial do caso como latrocínio, segundo a Polícia Civil. A alegação de uma dívida de drogas não afastou, na avaliação do delegado, os indícios de motivação patrimonial.
O suspeito também teria afirmado que voltou a municiar o revólver depois dos disparos.
Após a prisão, os policiais questionaram o homem sobre a existência de drogas em sua residência, na Estrada Municipal do Barreiro, também em Taubaté. Ele confirmou que mantinha entorpecentes no imóvel e acompanhou os agentes até o endereço.
Na cozinha, dentro da geladeira, foram encontradas sete porções de maconha, com peso aproximado de 1,5 quilo. Os policiais também apreenderam uma balança, um rolo de filme plástico, duas facas, munições e um caderno com anotações que, segundo a investigação, poderiam estar relacionadas à venda de drogas.
Durante a perícia, outros dois invólucros com substância vegetal semelhante à maconha foram encontrados na mochila do investigado. O material pesava 21,73 gramas. Ao todo, a apreensão chegou a aproximadamente 1,596 quilo.
Conforme o boletim de ocorrência, o homem admitiu vender entorpecentes. A quantidade apreendida, os objetos e as anotações foram considerados indícios de tráfico de drogas. Celulares relacionados ao suspeito e à vítima também foram recolhidos.
A Polícia Civil ratificou a prisão em flagrante por latrocínio, fraude processual e tráfico de drogas. O suspeito não teve direito à fiança na esfera policial e foi encaminhado ao Centro de Triagem da Cadeia Pública de Taubaté, onde permaneceu à disposição da Justiça.
O delegado solicitou a conversão da prisão em flagrante em preventiva, apontando a gravidade do crime, o uso de arma de fogo, a tentativa de destruir vestígios e os indícios de comércio de drogas.
A Polícia Civil também pediu autorização judicial para acessar os dados dos celulares apreendidos. A análise poderá ajudar a esclarecer a motivação do crime, a existência de possíveis dívidas e eventuais transações ou contatos relacionados ao caso.
A investigação continua, com a realização de exames periciais no local, na arma, nos vestígios do incêndio e no corpo da vítima.