21 de outubro de 2026
CRIME BÁRBARO

Homem é morto a tiros e facadas em Taubaté; suspeito é preso

Por Jesse Nascimento | Taubaté
| Tempo de leitura: 5 min
Jesse Nascimento

Gustavo Santos Scacabarozzi, de 51 anos, foi morto a tiros e facadas na noite de terça-feira (20), em Taubaté. Um homem, de 30 anos, foi preso em flagrante no local e, segundo o boletim de ocorrência, admitiu o ataque. 

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A Polícia Civil enquadrou o caso como latrocínio (roubo seguido de morte), após identificar indícios de que ele pretendia roubar veículos ou peças pertencentes à vítima.

O crime aconteceu dentro de um imóvel na rua Osvaldo de Andrade Junqueira, no bairro Belém. O corpo de Gustavo foi encontrado dentro de um Renault Sandero branco, que apresentava princípio de incêndio.

De acordo com o boletim de ocorrência, suspeito e vítima se conheciam e mantinham uma relação de amizade. Em interrogatório, o investigado teria admitido que enfrentava dificuldades financeiras e pretendia se apoderar dos veículos existentes no estabelecimento.

O registro também detalha a tentativa de incendiar o automóvel com o corpo, a apreensão de cerca de 1,6 quilo de maconha e o pedido do delegado de prisão preventiva.

Suspeito foi encontrado dentro de galpão

Policiais militares foram acionados às 20h04 para atender uma ocorrência de disparo de arma de fogo. Ao chegarem à rua, encontraram moradores que indicaram o imóvel de onde teriam partido os tiros. O portão estava aberto.

Durante a vistoria, os policiais avistaram um homem agachado próximo à entrada de um galpão, atrás de uma porta parcialmente aberta. Ele foi orientado a sair, obedeceu, foi abordado e algemado.

Segundo o boletim de ocorrência, o homem afirmou aos policiais que havia matado Gustavo e que o corpo estava dentro de um automóvel.

Perto do local, os militares localizaram um revólver Taurus calibre .22, com cinco munições intactas e uma deflagrada. Havia ainda uma mochila com roupas manchadas de sangue.

Conforme a investigação inicial, as peças pertenciam ao suspeito, que teria trocado de roupa e usado vestimentas da própria vítima.

Corpo estava em carro com princípio de incêndio

No interior do imóvel, os policiais encontraram o Renault Sandero com princípio de incêndio. Os próprios militares controlaram as chamas e, ao verificar o interior do veículo, localizaram o corpo de Gustavo.

A vítima apresentava quatro perfurações compatíveis com disparos de arma de fogo e outros ferimentos aparentemente provocados por instrumento cortante.

O IC (Instituto de Criminalística) foi acionado para os levantamentos no local, e o corpo foi encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal) de Taubaté. A quantidade de ferimentos, a trajetória dos disparos e as demais circunstâncias da morte dependerão dos laudos periciais.

Suspeito alegou dívida de drogas, mas admitiu intenção de roubar veículos

Um dos principais pontos do boletim é a motivação atribuída ao crime. No relato inicial aos policiais, o suspeito disse ter ido ao imóvel para cobrar uma dívida de drogas que Gustavo teria com ele.

Afirmou que houve luta corporal e que, durante o confronto, efetuou quatro disparos contra a vítima. Em seguida, teria usado uma faca encontrada no local para desferir outros golpes, sem saber precisar quantos.

A decisão do delegado, porém, traz outra informação: no interrogatório, o investigado teria reconhecido que conhecia a vítima, com quem mantinha amizade, e que pretendia se apoderar de veículos do local.

Segundo a autoridade policial, ele enfrentava dificuldades financeiras e queria subtrair automóveis ou peças pertencentes a Gustavo.

Essa finalidade patrimonial foi determinante para que o caso fosse classificado inicialmente como latrocínio, e não apenas homicídio. O delegado considerou que a alegação de dívida de drogas não afasta os indícios de tentativa de roubo.

Investigado teria colocado corpo no carro e ateado fogo

Após o ataque, o autor teria colocado o corpo dentro do Sandero e ateado fogo ao veículo pouco antes da chegada da PM. Segundo o boletim, ele também afirmou que voltou a municiar o revólver depois dos disparos.

Para a autoridade policial, a tentativa de incendiar o carro tinha o objetivo de destruir vestígios e dificultar a apuração. Por isso, além de latrocínio, o suspeito foi enquadrado por fraude processual. A investigação deverá esclarecer a dinâmica do incêndio e quais vestígios podem ter sido comprometidos.

Polícia encontra quase 1,6 kg de maconha na casa do suspeito

Após a abordagem, os policiais perguntaram sobre drogas na residência do investigado, na Estrada Municipal do Barreiro, também em Taubaté. Ele confirmou que mantinha entorpecentes no imóvel e acompanhou os agentes até o endereço.

Na cozinha, dentro da geladeira, foram encontradas sete porções de maconha, que somaram 1,5 quilo. Também foram apreendidos uma balança, um rolo de filme plástico, duas facas, munições e um caderno com anotações que, segundo a polícia, estariam ligadas à venda de drogas.

Posteriormente, a perícia achou, na mochila do investigado, outros dois invólucros com substância vegetal de odor semelhante ao da maconha, com 21,73 gramas. No total, o material somou cerca de 1,596 quilo.

O boletim informa que o homem admitiu vender entorpecentes. A Polícia Civil considerou a quantidade apreendida, os materiais e as anotações como indícios de tráfico. Foram recolhidos ainda celulares relacionados ao investigado e à vítima.

Delegado pede prisão preventiva e acesso aos celulares

O delegado ratificou a prisão em flagrante por latrocínio, fraude processual e tráfico de drogas. Não foi arbitrada fiança, e o investigado foi levado ao Centro de Triagem da Cadeia Pública de Taubaté, à disposição da Justiça.

A autoridade também pediu a conversão da prisão em preventiva, sob o argumento de garantia da ordem pública e risco de reiteração criminosa. Na decisão, foram considerados a morte de uma pessoa com quem o suspeito tinha amizade, o uso de arma de fogo, a tentativa de destruir vestígios e os indícios de comércio de drogas.

A Polícia Civil também solicitou autorização judicial para acessar os dados dos celulares apreendidos, a fim de identificar mensagens, ligações e possíveis transações que ajudem a esclarecer a motivação, eventuais dívidas e a participação de outras pessoas. Foram requisitados ainda exames periciais do local, da arma, dos vestígios do incêndio e do corpo da vítima.