Marcos Antonio Martins Fernandes, de 57 anos, morreu cerca de dois meses após se aposentar da carreira de policial penal, depois de mais de 35 anos de serviço. A morte, ocorrida na manhã de segunda-feira (19), dentro de uma residência no Jardim Jaraguá, em Taubaté, provocou comoção entre familiares, amigos e antigos colegas de trabalho, que publicaram mensagens de despedida nas redes sociais.
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As homenagens destacam a personalidade tranquila de Marcos e a boa relação que mantinha com as pessoas. A notícia da morte também foi recebida com tristeza por quem conviveu com ele durante décadas e se surpreendeu com a violência do episódio.
“Pessoa maravilhosa e tinha acabado de se aposentar. Um exemplo de pessoa. Meus sentimentos a todos”, escreveu Paulo Lima, que afirmou conhecer Marcos e trabalhar com o filho dele.
Maria Ribeiro, que trabalhou com o policial penal na década de 1990, também lamentou a morte. “Era uma ótima pessoa. Sinto muito mesmo. Que Deus conforte o coração de vocês”, publicou.
Outras mensagens reforçaram a imagem de alguém querido pela família e pelos amigos. “Você foi uma excelente pessoa em nossa família. Você era uma pessoa boa que não tinha maldade”, escreveu Vitória Vasquez.
Rita de Paula também deixou uma homenagem e recordou que a família de Marcos morou no bairro do Jaraguá quando ele era criança. “Que ele siga na luz”, publicou.
O diácono Helio do Nascimento manifestou solidariedade aos familiares e amigos, enquanto Joice Mirian pediu conforto para todos os que sofrem com a perda. Antonio Oliveira descreveu Marcos como um homem “calmo, sossegado, gente boa”.
Em outra publicação, Silva Kadu destacou que o policial penal havia se aposentado havia apenas dois meses, após mais de 35 anos de trabalho.
Segundo o boletim de ocorrência da Polícia Civil, Marcos foi atingido por uma facada no abdômen durante uma discussão familiar na residência da rua Jambeiro. O principal suspeito é o enteado da vítima, de 34 anos, que foi preso em flagrante.
Conforme os relatos reunidos no registro policial, a discussão começou depois que o homem ouviu uma conversa entre a mãe e o avô sobre seu comportamento. Ao ser repreendido, ele teria reagido de forma agressiva e empurrado a própria mãe contra um muro, fazendo com que ela batesse a cabeça.
Ainda segundo o boletim, o homem estava armado com uma faca e feriu um dos dedos da mãe quando ela tentou se defender. Os gritos chamaram a atenção de Marcos, que se aproximou para proteger a esposa.
Nesse momento, conforme a versão apresentada pela mulher à polícia, o enteado atingiu o policial penal com uma facada na região abdominal.
Mesmo ferido, Marcos conseguiu se afastar e se trancou em um quarto. Quando a equipe de resgate chegou ao imóvel, ele não respondeu aos chamados. Os socorristas precisaram arrombar a porta e encontraram a vítima caída no chão. A morte foi constatada no local.
O corpo foi encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal) de Taubaté para exame necroscópico.
Durante o interrogatório, o suspeito admitiu ter atingido Marcos com uma faca, mas alegou que o golpe foi acidental, durante uma suposta agressão contra ele.
A versão diverge do relato da esposa da vítima, segundo o qual Marcos teria intervindo para protegê-la. A Polícia Civil considerou, na decisão que fundamentou a prisão em flagrante, que a alegação de acidente não afastava, naquele momento, a suspeita de homicídio doloso.
O delegado apontou inicialmente duas qualificadoras para o homicídio: motivo fútil e recurso que teria dificultado a defesa da vítima. A avaliação considera, entre outros aspectos, a desproporção entre o desentendimento familiar e a violência empregada, além da possibilidade de Marcos ter sido atingido enquanto tentava defender a esposa.
A classificação é preliminar e poderá ser revista durante a investigação.
O boletim de ocorrência relata que, após a facada, o suspeito permaneceu na residência e teria intimidado a própria mãe, dificultando sua saída para pedir ajuda.
De acordo com o documento, ele exigia que a mulher assumisse a responsabilidade pelo ocorrido. Questionado sobre a possibilidade de também matá-la, teria respondido de maneira a indicar que não tinha mais nada a perder, conforme o relato registrado pela autoridade policial.
Além do homicídio qualificado, o homem foi autuado por lesão corporal contra a mãe, no contexto de violência doméstica, e ameaça.
Quando os policiais militares chegaram ao imóvel, encontraram o homem com uma faca na mão e outra na cintura. Segundo o boletim, ele não obedeceu às primeiras ordens para soltar a arma e, depois de deixar uma das facas no chão, teria sacado a segunda.
Diante da ameaça, os agentes utilizaram uma arma de incapacitação neuromuscular, conhecida como taser, para contê-lo. Em seguida, realizaram o algemamento.
A Polícia Civil apreendeu as duas facas relacionadas à ocorrência. No quarto onde Marcos foi encontrado, também foi localizada uma pistola Taurus calibre .380 registrada em nome da vítima, com uma munição na câmara e outras 18 no carregador. O boletim não relata disparos nem indica que a arma tenha sido utilizada durante a discussão.
A prisão em flagrante do enteado foi ratificada sem arbitramento de fiança. O suspeito foi encaminhado ao Centro de Triagem da Cadeia Pública de Taubaté, à disposição da Justiça.
O delegado pediu a conversão da prisão em flagrante em preventiva, citando a gravidade dos fatos, a necessidade de preservar a ordem pública e o risco à integridade física e psicológica da mãe do investigado.
Até a emissão do boletim de ocorrência, não havia decisão judicial sobre o pedido. A Polícia Civil instaurou inquérito e solicitou o laudo necroscópico, a perícia do local e o exame de corpo de delito da mulher, além de determinar a preservação de eventuais imagens de câmeras corporais dos policiais militares e de outros registros audiovisuais.
A investigação deverá esclarecer as circunstâncias da morte de Marcos, cuja aposentadoria recente foi lembrada por amigos e antigos colegas nas mensagens de despedida.