21 de outubro de 2026
CRIME EM TAUBATÉ

Policial morto pelo enteado no Vale tinha acabado de se aposentar

Por Da redação | Taubaté
| Tempo de leitura: 5 min
Reprodução
Marcos Antonio tinha 57 anos

Marcos Antonio Martins Fernandes, de 57 anos, morreu cerca de dois meses após se aposentar da carreira de policial penal, depois de mais de 35 anos de serviço. A morte, ocorrida na manhã de segunda-feira (19), dentro de uma residência no Jardim Jaraguá, em Taubaté, provocou comoção entre familiares, amigos e antigos colegas de trabalho, que publicaram mensagens de despedida nas redes sociais.

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As homenagens destacam a personalidade tranquila de Marcos e a boa relação que mantinha com as pessoas. A notícia da morte também foi recebida com tristeza por quem conviveu com ele durante décadas e se surpreendeu com a violência do episódio.

“Pessoa maravilhosa e tinha acabado de se aposentar. Um exemplo de pessoa. Meus sentimentos a todos”, escreveu Paulo Lima, que afirmou conhecer Marcos e trabalhar com o filho dele.

Maria Ribeiro, que trabalhou com o policial penal na década de 1990, também lamentou a morte. “Era uma ótima pessoa. Sinto muito mesmo. Que Deus conforte o coração de vocês”, publicou.

Outras mensagens reforçaram a imagem de alguém querido pela família e pelos amigos. “Você foi uma excelente pessoa em nossa família. Você era uma pessoa boa que não tinha maldade”, escreveu Vitória Vasquez.

Rita de Paula também deixou uma homenagem e recordou que a família de Marcos morou no bairro do Jaraguá quando ele era criança. “Que ele siga na luz”, publicou.

O diácono Helio do Nascimento manifestou solidariedade aos familiares e amigos, enquanto Joice Mirian pediu conforto para todos os que sofrem com a perda. Antonio Oliveira descreveu Marcos como um homem “calmo, sossegado, gente boa”.

Em outra publicação, Silva Kadu destacou que o policial penal havia se aposentado havia apenas dois meses, após mais de 35 anos de trabalho.

Discussão familiar terminou em morte

Segundo o boletim de ocorrência da Polícia Civil, Marcos foi atingido por uma facada no abdômen durante uma discussão familiar na residência da rua Jambeiro. O principal suspeito é o enteado da vítima, de 34 anos, que foi preso em flagrante.

Conforme os relatos reunidos no registro policial, a discussão começou depois que o homem ouviu uma conversa entre a mãe e o avô sobre seu comportamento. Ao ser repreendido, ele teria reagido de forma agressiva e empurrado a própria mãe contra um muro, fazendo com que ela batesse a cabeça.

Ainda segundo o boletim, o homem estava armado com uma faca e feriu um dos dedos da mãe quando ela tentou se defender. Os gritos chamaram a atenção de Marcos, que se aproximou para proteger a esposa.

Nesse momento, conforme a versão apresentada pela mulher à polícia, o enteado atingiu o policial penal com uma facada na região abdominal.

Mesmo ferido, Marcos conseguiu se afastar e se trancou em um quarto. Quando a equipe de resgate chegou ao imóvel, ele não respondeu aos chamados. Os socorristas precisaram arrombar a porta e encontraram a vítima caída no chão. A morte foi constatada no local.

O corpo foi encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal) de Taubaté para exame necroscópico.

Suspeito alegou que golpe foi acidental

Durante o interrogatório, o suspeito admitiu ter atingido Marcos com uma faca, mas alegou que o golpe foi acidental, durante uma suposta agressão contra ele.

A versão diverge do relato da esposa da vítima, segundo o qual Marcos teria intervindo para protegê-la. A Polícia Civil considerou, na decisão que fundamentou a prisão em flagrante, que a alegação de acidente não afastava, naquele momento, a suspeita de homicídio doloso.

O delegado apontou inicialmente duas qualificadoras para o homicídio: motivo fútil e recurso que teria dificultado a defesa da vítima. A avaliação considera, entre outros aspectos, a desproporção entre o desentendimento familiar e a violência empregada, além da possibilidade de Marcos ter sido atingido enquanto tentava defender a esposa.

A classificação é preliminar e poderá ser revista durante a investigação.

Mulher também teria sido ameaçada

O boletim de ocorrência relata que, após a facada, o suspeito permaneceu na residência e teria intimidado a própria mãe, dificultando sua saída para pedir ajuda.

De acordo com o documento, ele exigia que a mulher assumisse a responsabilidade pelo ocorrido. Questionado sobre a possibilidade de também matá-la, teria respondido de maneira a indicar que não tinha mais nada a perder, conforme o relato registrado pela autoridade policial.

Além do homicídio qualificado, o homem foi autuado por lesão corporal contra a mãe, no contexto de violência doméstica, e ameaça.

Policiais usaram taser para conter suspeito

Quando os policiais militares chegaram ao imóvel, encontraram o homem com uma faca na mão e outra na cintura. Segundo o boletim, ele não obedeceu às primeiras ordens para soltar a arma e, depois de deixar uma das facas no chão, teria sacado a segunda.

Diante da ameaça, os agentes utilizaram uma arma de incapacitação neuromuscular, conhecida como taser, para contê-lo. Em seguida, realizaram o algemamento.

A Polícia Civil apreendeu as duas facas relacionadas à ocorrência. No quarto onde Marcos foi encontrado, também foi localizada uma pistola Taurus calibre .380 registrada em nome da vítima, com uma munição na câmara e outras 18 no carregador. O boletim não relata disparos nem indica que a arma tenha sido utilizada durante a discussão.

Polícia pediu prisão preventiva

A prisão em flagrante do enteado foi ratificada sem arbitramento de fiança. O suspeito foi encaminhado ao Centro de Triagem da Cadeia Pública de Taubaté, à disposição da Justiça.

O delegado pediu a conversão da prisão em flagrante em preventiva, citando a gravidade dos fatos, a necessidade de preservar a ordem pública e o risco à integridade física e psicológica da mãe do investigado.

Até a emissão do boletim de ocorrência, não havia decisão judicial sobre o pedido. A Polícia Civil instaurou inquérito e solicitou o laudo necroscópico, a perícia do local e o exame de corpo de delito da mulher, além de determinar a preservação de eventuais imagens de câmeras corporais dos policiais militares e de outros registros audiovisuais.

A investigação deverá esclarecer as circunstâncias da morte de Marcos, cuja aposentadoria recente foi lembrada por amigos e antigos colegas nas mensagens de despedida.