19 de outubro de 2026
DESENVOLVIMENTO

Inpe receberá R$ 147 milhões para prever riscos ambientais com IA

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 5 min
Reprodução/BNDES/Getty Images
Projeto irá melhorar o monitoramento ambiental no Brasil

O Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) vai receber R$ 147,6 milhões do Fundo Amazônia para modernizar o monitoramento ambiental no Brasil com IA (Inteligência Artificial).

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O projeto prevê identificar desmatamento e degradação da vegetação com mais rapidez, mapear áreas atingidas por incêndios e antecipar regiões com maior risco ambiental.

Batizada de SIM-Biomas (Sistema Integrado para Monitoramento da Vegetação Natural dos Biomas Brasileiros), a iniciativa foi aprovada pelo BNDES, responsável pela gestão do Fundo Amazônia, em coordenação com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. A execução técnica ficará a cargo do Inpe, com participação da Funcate (Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais). O prazo previsto é de 60 meses.

O anúncio foi feito na última sexta-feira (16), durante a divulgação dos dados mais recentes de desmatamento. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, a Amazônia registrou queda de 41,8% na área desmatada, que passou de 5.731 km² para 3.335 km². Foi a menor taxa da série histórica, iniciada em 1988.

No Cerrado, a redução foi de 23,8%, de 7.235,27 km² para 5.516,69 km², também o menor resultado desde o início da série histórica do bioma, em 2001.

Acelerar o monitoramento

Um dos principais objetivos do SIM-Biomas é integrar dois sistemas utilizados pelo Inpe: o Prodes, responsável por calcular as taxas de desmatamento, e o Deter, que emite alertas em tempo quase real para orientar ações de fiscalização.

Com o uso de inteligência artificial e aprendizado de máquina, a proposta é reunir a precisão dos dados do Prodes com a velocidade do Deter. A automação também deverá permitir a atualização mais frequente das informações, inclusive com dados produzidos ao longo do ano.

Na prática, a tecnologia poderá reduzir o intervalo entre a identificação de mudanças na vegetação e a produção de informações necessárias para que os órgãos públicos atuem contra o desmatamento e outros danos ambientais.

O projeto também prevê ampliar o sistema Deter para a Caatinga, a Mata Atlântica e o Pampa. Atualmente, o monitoramento diário de supressão e degradação da vegetação realizado pelo Inpe abrange Amazônia, Cerrado e Pantanal.

Mapeamento de queimadas

Outra mudança prevista é o aumento da resolução dos mapas de áreas queimadas. Atualmente, o monitoramento nacional realizado pelo Inpe utiliza, com exceção do Cerrado, resolução espacial de 1 quilômetro.

Com a nova metodologia, a meta é chegar a uma resolução de 30 metros em todos os biomas brasileiros. O avanço permitirá identificar com mais detalhes as áreas atingidas pelo fogo e dimensionar a extensão dos danos.

A produção sistemática de mapas e séries históricas de queimadas também deverá ajudar no planejamento de medidas de prevenção e no direcionamento das equipes responsáveis pelo combate aos incêndios florestais.

Antecipar áreas de risco

O projeto prevê a criação de um Subsistema de Inteligência Territorial para identificar regiões com maior probabilidade de sofrer desmatamento ou degradação no curto prazo.

A ferramenta combinará dados sobre a vegetação com informações fundiárias, socioeconômicas e climáticas. Técnicas de aprendizado de máquina e aprendizado profundo serão utilizadas para produzir indicadores de risco.

Além de apontar áreas prioritárias para fiscalização, o sistema permitirá análises por recortes territoriais, como bacias hidrográficas e terras indígenas. Também estão previstas ferramentas para simular cenários de longo prazo, considerando diferentes condições econômicas, climáticas e políticas públicas.

Medir emissões de gases

O SIM-Biomas inclui ações para aprimorar o cálculo das emissões de gases de efeito estufa na Amazônia. A iniciativa prevê sobrevoos para coletar amostras da atmosfera e medir concentrações de dióxido de carbono, metano, óxido nitroso e monóxido de carbono.

Essas medições serão comparadas com estimativas calculadas a partir de mudanças na vegetação, como desmatamento, degradação e regeneração. O objetivo é reduzir incertezas e melhorar os cálculos do balanço de emissões da região.

O projeto também prevê estimativas anuais e intra-anuais de emissões, projeções de longo prazo e mapas atualizados de biomassa e carbono para a Amazônia e o Cerrado.

Nova plataforma

As informações produzidas pelo projeto serão integradas à plataforma pública TerraBrasilis++, que deverá reunir mapas, gráficos, indicadores, alertas e dados dos sistemas de monitoramento.

O ambiente digital contará com uma sala de situação ampliada para acompanhar indicadores e riscos ambientais, além de uma área voltada à visualização de cenários futuros.

Para viabilizar as novas ferramentas, o Inpe também deverá ampliar sua infraestrutura computacional, atualizar coleções de imagens de satélite e aprimorar tecnologias de processamento de dados geográficos.

R$ 521 milhões contra incêndios

Além do investimento no monitoramento por satélite, o Fundo Amazônia já contratou R$ 521 milhões para ações de prevenção e combate a incêndios florestais e queimadas não autorizadas em 14 estados e no Distrito Federal, com atuação nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal.

Desse total, R$ 371 milhões foram destinados a nove projetos de apoio aos Corpos de Bombeiros dos estados da Amazônia Legal. Os recursos financiam veículos especializados, equipamentos de proteção, bases operacionais, capacitação e ações preventivas junto a comunidades.

Outros R$ 150 milhões foram destinados ao projeto Manejo Integrado do Fogo: Cerrado e Pantanal, aprovado em julho de 2025. A iniciativa é executada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e abrange Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Bahia, Piauí e Distrito Federal.

A carteira de ações prevê a aquisição de 500 veículos, a distribuição de 33,8 mil equipamentos de uso individual, a capacitação de 5 mil pessoas e a implantação de 30 bases operacionais.

Criado para apoiar a conservação da floresta e o desenvolvimento sustentável, o Fundo Amazônia soma R$ 5,3 bilhões em doações e 159 projetos aprovados ao longo de 18 anos. Entre os doadores estão Noruega, Alemanha, Reino Unido, União Europeia, Estados Unidos, Suíça, Dinamarca, Irlanda e Japão.