18 de outubro de 2026
OPERAÇÃO X-MEN

'Jean Grey' tem prisão decretada após suposta fuga em Taubaté

Por Leandro Vaz | Taubaté
| Tempo de leitura: 4 min
Da redação
Reprodução
Camila Carvalho Bonafé Alves Corrêa, alvo da Operação X-Men

Camila Carvalho Bonafé Alves Corrêa, alvo da Operação X-Men, teria rompido a tornozeleira eletrônica após conseguir prisão domiciliar. Justiça determinou novamente sua prisão preventiva, mas ela ainda não foi localizada.

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A Justiça de São Paulo determinou novamente a prisão preventiva de Camila Carvalho Bonafé Alves Corrêa, conhecida pelo apelido de “Jean Grey”, investigada por suposta participação em uma organização criminosa ligada ao tráfico de drogas e a homicídios em Taubaté, no Vale do Paraíba.

A mulher, que é estagiária de Direito, havia sido presa durante a Operação X-Men, realizada pela Polícia Civil em agosto deste ano. Entretanto, após conseguir autorização judicial para cumprir prisão domiciliar, teria rompido a tornozeleira eletrônica e deixado o local onde deveria permanecer monitorada.

A informação foi divulgada pelo portal T7 News, com base no relato de uma fonte policial que acompanha o caso.

O novo mandado de prisão foi expedido em 7 de outubro de 2026, pela 3ª Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores do Tribunal de Justiça de São Paulo.

A ordem judicial aparece no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões, do Conselho Nacional de Justiça, com registro de cumprimento pendente.

Investigada seria responsável por transmitir ordens de criminosos presos

Camila é apontada pela investigação como uma das integrantes de uma organização criminosa que teria atuado no tráfico de entorpecentes, na comercialização ilegal de armas e em assassinatos relacionados à disputa por territórios em Taubaté.

Segundo a Polícia Civil, a investigada teria uma função importante na comunicação entre os integrantes do grupo.

Mesmo com algumas lideranças atrás das grades, a organização teria continuado suas atividades criminosas. Nesse contexto, Camila seria responsável por repassar determinações de membros presos para outros integrantes que permaneciam em liberdade.

Entre os nomes associados ao grupo está Renato Capone de Souza, conhecido como “Pig” ou “Capone”, apontado como uma das lideranças da organização e preso desde 2024.

Durante as investigações, os policiais descobriram que suspeitos utilizavam codinomes inspirados nos personagens dos X-Men, da Marvel, para dificultar a identificação nas conversas. A prática acabou dando origem ao nome da operação.

Grupo é investigado por dezenas de assassinatos em Taubaté

A Operação X-Men foi realizada no dia 17 de agosto pela Deic (Delegacia Especializada de Investigações Criminais) de Taubaté, com apoio de outras unidades policiais e da Guarda Civil Municipal.

A ofensiva buscou desarticular um grupo suspeito de participação em uma série de assassinatos registrados durante a disputa pelo controle do tráfico de drogas na cidade.

De acordo com as investigações, a organização teria envolvimento em mais de 40 homicídios ocorridos em 2021, período marcado pelo aumento da violência no município.

Naquele ano, Taubaté contabilizou 42 assassinatos, o dobro dos 21 registrados em 2020.

Durante a operação, foram expedidos 17 mandados de prisão preventiva. Dez investigados acabaram presos, enquanto outros sete não foram localizados inicialmente.

Perfis falsos e veículos adulterados eram utilizados pelo grupo

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a estrutura que a organização teria montado para identificar e monitorar possíveis vítimas.

Segundo a apuração policial, integrantes utilizavam perfis falsos nas redes sociais, muitas vezes com fotografias de mulheres, para se aproximar de pessoas consideradas rivais e obter informações pessoais.

A estratégia permitia levantar dados sobre endereços, relacionamentos, veículos e locais frequentados pelos alvos.

Essas informações seriam compartilhadas com outros membros do grupo, que ficariam responsáveis pelo planejamento e pela execução dos ataques.

A investigação também identificou suspeitas de utilização de veículos roubados ou furtados, posteriormente adulterados para dificultar o rastreamento durante a prática dos crimes.

Conforme a Polícia Civil, havia uma divisão de funções entre os integrantes, incluindo responsáveis pela coleta de informações, pela logística, pelo fornecimento de armas e pela execução dos homicídios.

Polícia tenta localizar investigada

Após a expedição do novo mandado, as autoridades buscam informações que possam ajudar a encontrar Camila e dar cumprimento à ordem judicial.

O rompimento da tornozeleira eletrônica e a fuga são informações atribuídas à fonte policial ouvida pelo T7 News. O documento judicial confirma a existência de uma ordem de prisão preventiva ainda pendente de cumprimento.

Até o momento, não há informações sobre o paradeiro da investigada.

A defesa de Camila não havia se manifestado sobre o novo mandado e as circunstâncias da suposta fuga, conforme a reportagem original.

O caso permanece sob investigação das autoridades responsáveis pela apuração da organização criminosa que teria atuado em Taubaté.