17 de outubro de 2026
PRESO

Medo de morrer: médico que envenenou a mulher está preso no Vale

Por Leandro Vaz | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Da redação
Reprodução
O médico Luiz Antônio Garnica, acusado de matar a própria esposa por envenenamento em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, está preso na Penitenciária de Potim

O médico Luiz Antônio Garnica, acusado de matar a própria esposa por envenenamento em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, está preso na Penitenciária de Potim, no Vale do Paraíba, enquanto aguarda julgamento. Apesar da gravidade das acusações, ele continua exercendo atividades médicas e estaria enfrentando dificuldades emocionais dentro da unidade prisional.

As informações foram divulgadas neste sábado (17) pelo jornalista e escritor Ullisses Campbell, conhecido nacionalmente por investigar crimes de grande repercussão e por seus livros sobre o sistema penitenciário brasileiro.

Segundo Campbell, Garnica tem autorização para deixar temporariamente a penitenciária de Potim para realizar atendimentos médicos em outras unidades prisionais do Vale do Paraíba, incluindo presídios de Tremembé.

De acordo com o jornalista, o fato de ser médico e prestar assistência à saúde dos detentos teria garantido a Garnica uma condição diferenciada no ambiente prisional. Mesmo acusado de um crime que costuma provocar forte rejeição entre os presos, ele seria bem tratado por outros detentos.

Entretanto, a situação não significa que o médico esteja tranquilo na prisão. Conforme os relatos apresentados por Campbell, Garnica vive com medo de ser morto dentro da cadeia, enfrenta dificuldades para dormir e apresenta episódios frequentes de choro.

Ainda segundo o escritor, outros detentos aumentariam a preocupação do médico ao afirmarem que crimes de feminicídio não são perdoados pela população carcerária. A possibilidade de receber uma condenação superior a 50 anos de prisão também estaria entre os fatores que provocam angústia no acusado.

As informações sobre a rotina e o estado emocional do médico foram apresentadas por Campbell nas redes sociais e não contam, até o momento, com confirmação independente.

Relembre o crime

Luiz Antônio Garnica é médico ortopedista e atuava na área de medicina esportiva em Ribeirão Preto. Ele ganhou destaque no noticiário nacional em maio de 2025, quando foi preso preventivamente, ao lado da própria mãe, Elizabete Arrabaça, sob suspeita de participação na morte da esposa, a professora de pilates Larissa Rodrigues, de 37 anos.

Larissa foi encontrada morta no apartamento onde morava com o marido, em março de 2025. Exames toxicológicos identificaram a presença de uma substância popularmente conhecida como “chumbinho”, utilizada ilegalmente como veneno para ratos.

Segundo o Ministério Público, o médico e a mãe teriam participado do envenenamento da vítima. A acusação sustenta que o crime teria sido motivado pelo interesse de Garnica em evitar a divisão de bens do casal e manter um relacionamento extraconjugal.

O médico e sua mãe foram encaminhados a júri popular pelo caso. Ambos negam as acusações. A defesa de Garnica já afirmou que ele não participou da morte da esposa.

Jornalista prepara novo livro sobre Tremembé

Responsável pelas novas revelações, Ullisses Campbell é um jornalista investigativo e escritor especializado em histórias de crimes reais. Ele ganhou projeção nacional com obras sobre Suzane von Richthofen, Elize Matsunaga, Flordelis e o Maníaco do Parque.

Campbell também é um dos responsáveis pela criação da série Tremembé, do Prime Video, produção inspirada em suas investigações e livros sobre personagens que passaram pelo sistema penitenciário paulista.

O jornalista anunciou que a história de Garnica fará parte do segundo volume de seu livro Tremembé, com lançamento previsto para dezembro.

O caso volta a chamar atenção para o sistema prisional do Vale do Paraíba, especialmente para a Penitenciária de Potim, onde o médico permanece preso, e para as unidades de Tremembé, conhecidas nacionalmente por receber detentos envolvidos em crimes de grande repercussão.