Três anos após a morte de Fox Guerreiro, o cão da raça Spitz Alemão que mobilizou o país após sofrer um ataque em São José dos Campos, a cantora Sakura, uma das tutoras de Fox, mantém o compromisso de transformar a dor em ações pela proteção animal.
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Idealizada em 2025, a Fundação Fox nasceu como uma forma de honrar a memória do cachorro e ajudar a evitar que outros animais passem por situações semelhantes.
“Assim como eu disse no anúncio do falecimento dele, eu iria honrá-lo. Então, o sentimento que eu carrego, além da saudade, é o dever de fazer jus ao seu legado. Sinto que ele me deixou a missão de prevenir novos casos do tipo”, afirma Sakura.
A fundação atua nos bastidores da causa animal, oferecendo suporte financeiro e visibilidade a organizações que trabalham diretamente no acolhimento e na proteção de animais em situação de vulnerabilidade.
Segundo a cantora, a proposta é fortalecer quem está na linha de frente, permitindo que essas instituições continuem desenvolvendo suas atividades.
“Eu denomino a Fundação Fox como a retaguarda da causa animal, porque nós não atuamos de forma direta, mas sim nos bastidores. Então, nossa principal função é fornecer recursos para aqueles que estão na linha de frente da proteção animal, de forma que eles possam continuar esse trabalho tão necessário no nosso país”, explica.
A Fundação Fox é uma associação sem fins lucrativos que concede subsídios e ajuda a ampliar a visibilidade de instituições brasileiras de proteção animal.
De acordo com os números divulgados pela organização, a iniciativa já apoiou 16 projetos ou instituições, destinou R$ 17 mil à causa, reúne uma comunidade de 93 mil seguidores e mantém três projetos.
A estrutura é financiada principalmente pela própria Sakura, que utiliza recursos pessoais para sustentar as atividades. A fundação não recebe doações diretamente, mas conta com uma iniciativa que conecta a produção artística independente à filantropia.
O projeto Arte Beneficente reúne artistas que disponibilizam conteúdos exclusivos gratuitamente ao público. A arrecadação ocorre por meio das visualizações dos vídeos no YouTube, e os recursos são destinados às ações de apoio. Em outubro de 2026, a organização indicada para receber os valores é o Patinhas Unidas, de Tubarão, em Santa Catarina.
A proposta também abre espaço para profissionais de diferentes áreas, como música, dança, teatro, literatura, fotografia, artes visuais e audiovisual. A intenção é transformar a produção cultural em uma ferramenta de mobilização e apoio financeiro à causa animal.
Fox foi atacado em 9 de outubro de 2023, em São José dos Campos. Segundo as informações reunidas sobre o caso, o cão sofreu ferimentos gravíssimos após um ataque atribuído a um Bull Terrier. O cachorro perdeu parte do focinho e precisou de atendimento veterinário intensivo.
Após 16 dias de luta, Fox morreu em decorrência da gravidade das lesões. O episódio provocou comoção nacional e deu origem à campanha #JustiçaPeloFox, mobilizada pela família e por apoiadores que cobravam responsabilização pelo ocorrido.
A repercussão também trouxe à tona discussões sobre a guarda responsável de animais, a prevenção de ataques e o endurecimento das punições para casos de maus-tratos.
Em 2 de novembro de 2023, uma mobilização nacional reuniu, segundo a Fundação Fox, 200 mil assinaturas em defesa de mudanças na legislação, com a realização simultânea de 17 passeatas.
A morte de Fox também inspirou o Projeto de Lei 5.225/2023, apresentado na Câmara dos Deputados em 26 de outubro de 2023. A proposta prevê alterações na legislação para aumentar as penas por maus-tratos a animais, elevar multas relacionadas à falta de cautela na guarda e estabelecer outras medidas de responsabilização.
Entre os pontos previstos estão o agravamento de punições em determinadas situações e restrições à tutela de animais considerados ferozes para pessoas condenadas por violência doméstica e familiar contra a mulher.
O projeto foi apresentado pelos deputados Delegado Bruno Lima (PP-SP), Delegado Matheus Laiola (União-PR), Fred Costa (Patriota-MG) e Marcelo Queiroz (PP-RJ), a partir de sugestões relacionadas ao caso.
Segundo a Câmara dos Deputados, a proposta está pronta para pauta na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara. Isso significa que ainda depende de tramitação para avançar no Congresso.
Em julho de 2024, a Justiça condenou Umberto Vieira Ghilarducci, tutor do Bull Terrier envolvido no ataque, a 13 dias de prisão simples, em regime aberto, e ao pagamento de R$ 10 mil por danos morais.
A condenação foi baseada na Lei das Contravenções Penais, que prevê punição para quem deixa animal perigoso em liberdade ou não toma os cuidados necessários para mantê-lo sob controle.
Umberto havia sido preso em dezembro de 2023, em Pouso Alegre (MG), após ser localizado em um sítio. Em março de 2024, obteve liberdade provisória enquanto o processo seguia na Justiça.
O caso também envolveu uma investigação sobre supostas ameaças contra as tutoras de Fox. Em março de 2025, Umberto foi absolvido da acusação de coação no curso do processo por falta de provas.
O amigo dele, Vinícius Rodrigues Marques, também respondeu à acusação, mas aceitou uma proposta de suspensão condicional do processo apresentada pelo Ministério Público.
Para Sakura, a criação da fundação representa uma maneira de dar continuidade à mobilização provocada pela morte do cachorro. A iniciativa busca manter o caso em evidência não apenas como uma tragédia, mas como um alerta sobre a necessidade de prevenção, conscientização e proteção jurídica dos animais.
A cantora defende que a violência contra animais não seja tratada como algo normal e que a sociedade participe da construção de uma rede de apoio às instituições que atuam nessa área.
“Eu não precisaria esperar ter o muito para começar, porque o meu possível seria gradualmente suficiente”, afirma Sakura, ao resumir a motivação que orienta o trabalho da fundação.
Três anos depois da morte de Fox, a saudade continua presente, mas a missão assumida por Sakura se traduz em iniciativas de apoio, mobilização e conscientização. A expectativa é que o legado do cachorro ajude a prevenir novos casos de violência e fortaleça a luta por mais proteção aos animais.