O arcebispo de Aparecida, dom Mário Antônio da Silva, afirmou não temer que Nossa Senhora Aparecida perca o título de Padroeira do Brasil ou deixe de ter a importância que conquistou na vida dos brasileiros.
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A declaração foi feita ao OVALE nesta segunda-feira (12), durante entrevista coletiva após a missa solene em homenagem à santa, no Santuário Nacional de Aparecida, no Vale do Paraíba.
Questionado sobre possíveis questionamentos futuros ao título religioso, numa eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, o arcebispo disse que a devoção a Nossa Senhora Aparecida é uma tradição secular, que atravessa gerações e não deve ser motivo de preocupação diante das movimentações políticas.
“Não tenho nenhum temor de que Maria deixará de ter a importância que tem na vida do povo brasileiro”, declarou dom Mário.
Após circular notícia falsa de que Flávio pretendia tirar o título de Padroeira do Brasil, o senador negou a ideia. No entanto, pastores evangélicos que defendem a proposta são próximos do candidato, o que gerou preocupação em setores da Igreja Católica.
Dom Mário ressaltou que eventuais mudanças no cenário político, inclusive em razão das eleições, não devem tirar o foco da fé e da devoção dos católicos. Segundo ele, o momento não é de criar cenários de preocupação, mas de preservar a tradição religiosa e manter o diálogo.
“Isso não nos aterroriza, não nos amedronta”, afirmou, ao defender a continuidade do trabalho de valorização da devoção popular.
O título de Padroeira do Brasil foi concedido a Nossa Senhora Aparecida pelo papa Pio 11, em 1930, e proclamado oficialmente no país em 31 de maio de 1931, durante uma celebração no Rio de Janeiro, então capital federal.
Ao comentar a história da devoção, dom Mário destacou que a importância da santa para os brasileiros está consolidada ao longo de décadas. Para ele, cabe à Igreja preservar e cultivar essa tradição, independentemente das disputas políticas que possam surgir nos próximos anos.
O arcebispo também defendeu o diálogo entre o Santuário Nacional e a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), quando necessário, para contribuir com a convivência religiosa e a construção de um país pautado pela paz e pela justiça.
Durante a entrevista, dom Mário também falou sobre a emoção de participar da celebração de 12 de outubro, uma das datas mais importantes do calendário católico brasileiro.
Ele relatou ter percebido a felicidade dos romeiros e afirmou que a festa de Nossa Senhora Aparecida não se encerra no dia da celebração, mas se prolonga durante todo o ano.
O arcebispo destacou ainda a importância de cultivar virtudes associadas a Maria, como humildade, ternura, paciência, perdão e misericórdia.
Para dom Mário, a devoção deve se refletir nas atitudes cotidianas dos fiéis, fortalecendo o compromisso com o próximo e com os valores cristãos.