A morte de Davi Lucas Fabian Rodrigues Faria, de 11 anos, gerou comoção entre familiares, amigos e pessoas ligadas à Apae de São José dos Campos e à van escolar que ele utilizava.
Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp
O menino morreu na noite de quinta-feira (8), após sofrer uma parada cardiorrespiratória no Hospital Pró-Infância, em São José dos Campos. A Polícia Civil investiga as circunstâncias do óbito, ocorrido logo após a aplicação de Benzetacil.
Nas redes sociais, a morte de Davi provocou uma série de manifestações de pesar. Amigos da família e pessoas que conviviam com o menino publicaram mensagens de carinho e solidariedade aos pais neste momento de luto.
“Que Deus dê força aos pais deles, um anjinho que retornou para o céu. Meus sentimentos”, escreveu Jênifer Cristiele.
Talita Conceição também deixou uma mensagem à família. “Deus conforte o coração dos pais e Deus lhe receba de braços abertos, anjo”, publicou.
A notícia também comoveu pessoas que conheciam Davi por meio da Apae e do transporte escolar. Cidinha Marcos de Oliveira afirmou estar sem acreditar na morte do menino, a quem descreveu como amigo de seu filho.
“Estou sem acreditar, Davi, amiguinho do meu filho de van escolar e da Apae, que lamentou a morte do menino em uma postagem nas redes sociais (veja abaixo). Deus, em sua infinita bondade, tenha misericórdia dos pais e de toda a família”, escreveu.
Outras manifestações pediram conforto aos familiares e amigos. “Meus sentimentos aos familiares! O céu recebeu mais um anjo”, publicou Rosa Candido.
O corpo de Davi Lucas foi velado na Sala 6 da Urbam, em São José dos Campos, entre a noite de sexta-feira (9) e a manhã deste sábado (10).
O sepultamento estava previsto para as 9h30 deste sábado, no Cemitério Municipal Colônia Paraíso, também em São José dos Campos.
Davi morreu na noite de quinta-feira (8), depois de receber uma aplicação de Benzetacil no Hospital Pró-Infância, em São José dos Campos. Segundo o boletim de ocorrência, a criança perdeu a consciência e sofreu uma parada cardiorrespiratória logo após a administração do medicamento.
Os pais haviam levado o menino à unidade de saúde com febre, cansaço e baixa saturação de oxigênio. Conforme o registro policial, ele tinha histórico de cardiopatia congênita, já havia passado por cirurgia cardíaca, utilizava marca-passo e tinha diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA).
Após avaliação médica, Davi recebeu diagnóstico de amigdalite aguda. O profissional prescreveu Benzetacil, aplicado por via intramuscular. A escolha pela medicação injetável teria levado em consideração a dificuldade da criança para ingerir remédios por via oral.
Como o medicamento não estava disponível no hospital, os pais o compraram em uma farmácia e retornaram à unidade para a aplicação.
De acordo com o boletim de ocorrência, a equipe de enfermagem administrou a dose, dividida entre os dois glúteos. Logo depois, quando Davi era retirado da maca, ele perdeu a consciência e entrou em parada cardiorrespiratória.
A equipe médica iniciou os procedimentos de reanimação, com massagem cardíaca, ventilação, intubação e administração de adrenalina e outros medicamentos. Apesar das tentativas, o menino não resistiu. O óbito foi constatado às 23h.
O caso foi registrado como morte suspeita pela Polícia Civil, que solicitou exames e documentos médicos para esclarecer o que provocou o óbito.
O médico responsável pelo atendimento declarou à polícia que conhecia as condições clínicas preexistentes de Davi e que não identificava incompatibilidade entre o histórico informado e a prescrição do medicamento.
Já a técnica de enfermagem que participou da aplicação relatou que a mãe havia informado que o menino já recebera Benzetacil anteriormente. Segundo o depoimento, não havia registro de histórico de alergia informado durante a triagem.
Entre os pontos que serão apurados estão a possibilidade de reação adversa ao medicamento, inclusive uma reação alérgica grave, e a eventual influência das condições cardíacas preexistentes da criança.
A proximidade entre a aplicação e a parada cardiorrespiratória será analisada durante a investigação. No entanto, ainda não há confirmação de que o medicamento tenha provocado a morte ou de que tenha ocorrido falha no atendimento.
O corpo foi encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal) de São José dos Campos. A autoridade policial requisitou exame necroscópico, prontuário médico completo, ficha de atendimento, prescrição e registros de enfermagem, além de outros documentos relacionados ao atendimento.
Os resultados dos exames e a análise dos registros médicos deverão ajudar a esclarecer a causa da morte e as circunstâncias do atendimento.
Em nota, o Hospital Pró-Infância "lamentou profundamente e se solidarizou com os familiares de Davi neste momento de imensa dor".
"Toda a assistência necessária foi prestada de acordo com o quadro clínico apresentado, com acompanhamento da equipe assistencial e adoção das condutas indicadas", diz a nota.
"O caso segue em apuração interna, com análise de todas as circunstâncias relacionadas ao atendimento. A unidade permanece à disposição da família para os esclarecimentos necessários, reiterando seu compromisso com a transparência e a apuração responsável dos fatos."