O primeiro caça Gripen E produzido no Brasil pela Embraer realizou, nesta quarta-feira (7), seu voo inaugural em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo. A aeronave decolou das instalações da empresa para uma missão destinada a verificar o funcionamento dos principais sistemas e validar as características de voo.
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O teste marca uma nova etapa do programa Gripen no país e consolida Gavião Peixoto como parte da rede global de produção do caça, ao lado da unidade da Saab em Linköping, na Suécia. A empresa sueca é a desenvolvedora do caça.
A aeronave é a primeira das 15 unidades previstas para serem fabricadas no Brasil dentro do contrato atualmente em vigor. A montagem final foi concluída pela Embraer e apresentada oficialmente em 25 de março.
O voo inaugural foi realizado por um piloto de testes da Saab e contou com participação da Embraer no planejamento e na execução. Segundo as empresas, os dados coletados durante a missão serão utilizados na sequência da campanha de ensaios de voo, etapa que antecede a aceitação e a entrega da aeronave à FAB (Força Aérea Brasileira).
O novo voo representa também um resultado direto da estratégia adotada pela FAB no programa Gripen, baseada em transferência de tecnologia, participação da indústria brasileira e formação de competências de longo prazo.
Ao longo de mais de uma década, engenheiros, técnicos e especialistas brasileiros passaram a atuar em atividades relacionadas ao desenvolvimento, engenharia, fabricação, integração e testes de aeronaves de combate.
Para Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, o voo representa um marco para a indústria brasileira.
“Este voo do primeiro Gripen E produzido pela Embraer no Brasil é um marco histórico para a indústria aeroespacial e de defesa do país”, afirmou.
Segundo o executivo, o programa deixou como legado conhecimento técnico, inovação e capacidade industrial para o Brasil participar de projetos de alta complexidade.
Marcus Wandt, head da área de negócios Aeronautics da Saab, destacou que a produção brasileira alcançou um novo estágio de maturidade.
A unidade da Embraer em Gavião Peixoto abriga atualmente a única linha de produção do Gripen fora da Suécia e integra a cadeia global de fabricação e fornecimento do caça.
Após a conclusão dos voos de aceitação de produção, o caça será certificado como aeronavegável e ficará pronto para ser entregue à Força Aérea Brasileira.
A previsão é que, depois da entrega, a aeronave seja transferida para a Base Aérea de Anápolis, em Goiás , onde deverá integrar o 1º Grupo de Defesa Aérea, unidade que já opera o Gripen E.
O contrato assinado entre o governo brasileiro e a Saab em 2014 prevê 36 caças Gripen para a FAB, sendo 28 unidades do Gripen E, de um lugar, e oito Gripen F, de dois lugares.
As entregas começaram em 2020. Até agora, dez aeronaves foram entregues à Força Aérea Brasileira.
Em julho, Embraer e Saab anunciaram um Memorando de Entendimentos para ampliar a cooperação entre as empresas e avançar nas negociações de novos contratos.
O acordo prevê a possibilidade de produção de mais 20 caças Gripen , com potencial de expansão futura. As aeronaves seriam montadas em Gavião Peixoto para atender tanto ao mercado brasileiro quanto a possíveis clientes internacionais.
A expansão permitiria que a capacidade produtiva brasileira complementasse a linha de montagem da Saab em Linköping, aumentando a capacidade das empresas de atender à demanda internacional pelo Gripen.
Com o primeiro Gripen E produzido no país agora em voo, o Brasil passa a ter uma participação ainda mais relevante não apenas como operador do caça, mas também como país capaz de fabricar, integrar e testar uma aeronave de combate avançada.