07 de outubro de 2026
CASOS DE FAMÍLIA

Prefeito Yan acusa tia vereadora de tentar cassar seu mandato

Por Leandro Vaz | Caçapava
| Tempo de leitura: 3 min
Da redação
Reprodução
Prefeito de Caçapava, Yan Lopes (Podemos),

O prefeito de Caçapava, Yan Lopes (Podemos), usou as redes sociais nesta terça-feira (6) para fazer duras críticas ao processo de cassação que tramita na Câmara Municipal. Em vídeo, ele afirmou que a presidente da Comissão Processante, a vereadora Fran Miranda (PL), que é sua tia, estaria conduzindo o caso em meio a um conflito familiar.

Segundo Yan, a investigação teria ultrapassado o campo político e administrativo. “A minha tia Fran, que é vereadora em Caçapava, está querendo cassar o meu mandato de prefeito por conta de uma briga familiar. Está usando a Câmara Municipal para lavar roupa suja”, declarou.

O prefeito também voltou a defender a utilização de recursos do Fundo Municipal de Transporte e Trânsito para subsidiar o transporte coletivo. Esse é o principal ponto investigado pela Comissão Processante. A apuração envolve cerca de R$ 2,16 milhões utilizados para o subsídio das tarifas. A administração municipal sustenta que a aplicação do dinheiro teve respaldo técnico e jurídico e contribuiu para manter a passagem em R$ 4,20. 

No vídeo, Yan afirmou que os recursos permaneceram dentro da própria área de transporte e citou como resultados a manutenção da tarifa e a circulação de novos ônibus. “É o dinheiro do Fundo de Transporte sendo gasto em transporte”, disse.

Prefeito critica diligência da comissão

As declarações foram feitas no mesmo dia em que integrantes da Comissão Processante realizaram uma diligência para tentar intimar pessoalmente Yan Lopes e outras testemunhas. Segundo reportagem publicada nesta terça-feira, os vereadores permaneceram por mais de duas horas na tentativa de localizar o prefeito, mas ele não foi encontrado. 

Yan criticou a ida dos vereadores à Prefeitura e afirmou que não estava no gabinete porque cumpria agendas externas. Segundo ele, sua rotina envolve visitas a bairros, unidades de saúde, escolas e obras do município.

O prefeito também acusou integrantes da comissão de já terem formado entendimento antes do encerramento das oitivas. A afirmação, porém, representa a versão de Yan sobre o andamento do processo. Formalmente, a comissão ainda está na fase de produção de provas e deverá elaborar um relatório antes de qualquer decisão do plenário. A continuidade da investigação, por si só, não significa condenação ou perda automática do mandato. 

Yan afirmou ainda que pretende recorrer à Justiça contra a condução do processo. “A gente vai entrar com um processo e vai pôr um fim nessa história”, declarou, sem detalhar qual medida judicial será apresentada.

Nova rodada de depoimentos

A Comissão Processante retomaria nesta quarta-feira (7) uma nova etapa de oitivas. Yan e testemunhas que não participaram das primeiras sessões foram novamente chamados depois de a defesa questionar a forma como as intimações anteriores haviam sido realizadas.

O prefeito já havia sido convocado para depor em 24 de setembro, mas não compareceu. Nesta terça, a comissão tentou novamente localizá-lo para formalizar a intimação.

A investigação foi aberta em agosto e analisa a legalidade do uso dos recursos do Fundo Municipal de Transporte e Trânsito para subsidiar o sistema de ônibus. A denúncia questiona a destinação orçamentária do dinheiro, enquanto a Prefeitura nega qualquer irregularidade.

A comissão é formada por Fran Miranda (PL), Dani Galdino (Republicanos) e Pablo Fernandes (DC). Após a conclusão dos depoimentos e da análise documental, o grupo deverá produzir um relatório. Caso o processo avance para julgamento político-administrativo, caberá ao plenário da Câmara decidir sobre eventual perda do mandato.