06 de outubro de 2026
ELEITO DEPUTADO

Thomaz Henrique quer segurança e escolas cívico-militares no Vale

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 13 min
Cleverson Nunes/CMSJC
Thomaz Henrique na Câmara de São José dos Campos

Eleito deputado estadual com 178.164 votos, Thomaz Henrique (PL), vereador de São José dos Campos, atribui parte do resultado à dobrada com Lucas Pavanato, também do PL, eleito o deputado federal mais votado do estado, com mais de 3 milhões de votos.

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O novo parlamentar também destaca os quase 50 mil votos recebidos em sua cidade e a força eleitoral obtida em municípios do Vale do Paraíba.

Em entrevista a OVALE, Thomaz aponta a segurança pública como sua principal bandeira. Ele também cita turismo e a implantação de escolas cívico-militares e do programa Muralha Paulista na região entre as prioridades do mandato.

Aliado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito para o cargo, Thomaz afirma que fará parte da base de apoio ao governo na Assembleia Legislativa, mas diz que manterá uma postura de fiscalização.

O deputado eleito também defende o voto distrital, valoriza a atuação política nas redes sociais e afirma que, neste momento, seu objetivo é cumprir o mandato na Assembleia, sem antecipar uma eventual disputa pela Prefeitura de São José dos Campos.

 

Você ficou surpreso com a sua vitória na eleição e os mais de 178 mil votos que recebeu?

Ah, com certeza foi uma surpresa positiva. Eu acredito que está muito relacionado ao fenômeno que foi o Lucas Pavanato, também candidato nas eleições deste ano para deputado federal.

O Lucas bateu três milhões de votos. A gente esperava que ele fosse um dos puxadores de voto do partido, mas foi uma votação muito acima da expectativa. Eu era uma das dobradas do Lucas Pavanato, então acredito que isso influenciou bastante para que a minha votação também fosse surpreendente.

Ainda assim, é importante lembrar e agradecer aos quase 50 mil votos na minha cidade, em São José dos Campos, e também frisar que as cidades do Vale do Paraíba, proporcionalmente, me deram uma votação maior que as demais cidades do estado de São Paulo.

Então, claro, vamos trabalhar por todo o estado de São Paulo, mas sem perder de vista a prioridade a São José dos Campos e a todo o Vale do Paraíba, que me deram proporcionalmente uma vitória significativa.

 

Onde você foi bem votado na região? Quais cidades do Vale lhe deram mais votos?

Olha, São José dos Campos foi positivamente surpreendente. Acredito que tenha sido um reconhecimento do bom serviço prestado, modéstia à parte, como vereador nesses últimos seis anos.

Nas demais cidades do Vale do Paraíba, nós tivemos, acho que em segundo lugar, Jacareí, onde eu tive pouco mais de 5 mil votos. Proporcionalmente, depois vêm Paraibuna, Jambeiro, Caçapava e aí por diante. Enfim, dentre as cidades onde eu fui mais votado, realmente você vê que são cidades próximas a São José dos Campos.

Tanto Jacareí, Paraibuna, Jambeiro, Santa Branca, que é muito próxima, quanto Monteiro Lobato também tiveram uma votação proporcionalmente significativa.

Numericamente, não é um número relevante, porque são cidades pequenas, mas a proporcionalidade me deixa muito feliz. Apesar de serem poucas pessoas, são pessoas que confiaram em mim e pode ter certeza de que eu pretendo corresponder a elas trabalhando muito pela nossa região do Vale do Paraíba.

 

Quais serão suas principais bandeiras como deputado estadual pelo Vale?

A primeira bandeira é a questão da segurança pública. O Vale do Paraíba ainda lidera o ranking dos índices de violência no estado de São Paulo.

Apesar de o governador Tarcísio e o secretário [Guilherme] Derrite terem melhorado significativamente esses números, reduzindo-os, a gente ainda lidera o ranking geral do estado de São Paulo, muito por conta da guerra entre as facções criminosas aqui no nosso Vale do Paraíba.

Nós tínhamos aqui o PCC, que já era um problema, e agora a gente está recebendo facções que vêm do Rio de Janeiro e que estão guerreando por pontos de venda de drogas aqui na nossa região, o que gera esses índices altos de violência.

A gente precisa ter um trabalho para melhorar significativamente a questão da segurança pública no Vale do Paraíba, contando também com o apoio, se Deus quiser, do próximo presidente da República, Flávio Bolsonaro.

A gente quer um apoio maior da Polícia Rodoviária Federal, por exemplo, nas nossas rodovias federais, rodovia Presidente Dutra e rodovia Rio-Santos, para que a gente possa fazer a interceptação do tráfico de armas e drogas, além da própria locomoção dos criminosos que têm vindo ao Vale do Paraíba através de uma guerra por pontos de venda de drogas.

É preciso expulsar esses grupos daqui e devolver uma qualidade de vida e uma sensação de segurança ainda maior para uma região que, inclusive, é polo turístico, tanto do turismo religioso quanto da serra e do litoral, que são significativos para a gente.

Precisamos garantir um índice de violência muito menor do que aquele que se apresenta hoje, para que a gente possa dar segurança para ser esse lugar turístico de todo o Brasil e até mesmo do mundo.

Então, são pontos que a gente quer trabalhar: a questão da segurança, a questão do turismo e a questão também da educação. Eu sou um defensor do modelo implementado pelo governador Tarcísio das escolas cívico-militares. A gente quer trazer aos municípios onde isso está sendo bem aplicado, que está dando melhora nos índices de ensino, mais desse modelo para a nossa região. Na questão de segurança ainda, para encerrar, eu quero apoiar o governo do Tarcísio na implementação da Muralha Paulista.

Já é um projeto que está em andamento. Infelizmente, não foi concluído no primeiro mandato do governador, mas a gente quer destravar isso, ajudar na Assembleia Legislativa para que a gente possa ter um videomonitoramento de todas as cidades, criar um cinturão aqui na região e auxiliar também nesse aspecto o monitoramento do tráfico de armas e drogas que passam pelas nossas Forças Federais e pelos municípios.

 

O PL elegeu a maior bancada da Assembleia Legislativa de São Paulo, com 27 deputados. O partido é base de apoio ao governador, que foi reeleito. Como será o diálogo com o governo estadual? Essa bancada facilitará para você conquistar o que pretende trazer aqui para o Vale?

Sem sombra de dúvida, eu serei um deputado da base de apoio do governador Tarcísio.

No entanto, aqueles que me acompanham como vereador sabem que não é do meu perfil ser um político puxa-saco. Eu sou um político fiscalizador e não dou tapinha nas costas para conseguir cargos ou vantagens pessoais. O que a gente procura é ajudar as pessoas e as cidades que precisam de investimento.

O governador Tarcísio vai poder contar comigo em todos os bons projetos para o estado de São Paulo e para a região do Vale do Paraíba, que são a grande maioria, mas, quando eu identificar algo que possa melhorar, eu serei linha de frente para cobrar e fiscalizar o governador, também como fiz como vereador com a prefeitura.

 

O Lucas Pavanato, a Eduarda Campopiano e você têm uma característica de forte presença nas redes sociais, às vezes de forma até agressiva, gravando vídeos em diversos locais. Você acha que esse tipo de fazer política chegou para ficar? Você acha que é esse o caminho?

Tenho uma perspectiva diferente. Eu não acredito que sejam agressivos, acredito que seja contundência de posicionamento. E eu acredito que a população quer políticos com posicionamento, que tenham coragem de se expressar, expressar suas opiniões e defender aquilo em que acreditam.

Eu também sou entusiasta do voto regional, gostaria que nossa região tivesse uma representatividade muito maior, mas eu acho que não é por acaso que os três parlamentares eleitos na nossa região são do PL.

Porque são parlamentares que escolheram um lado, que escolheram ter posicionamento e se posicionar desde o início da campanha eleitoral num campo majoritário, que é o campo da direita, como se demonstrou pela votação em todo o Brasil.

Então, eu acredito que as pessoas não vão votar somente porque a pessoa mora na sua cidade. Elas querem votar em pessoas que representam seus princípios e valores. E, para você representar alguém, você precisa ter posicionamento claro, definido e ter coragem e energia para expressar esses posicionamentos. E a rede social é só um instrumento.

É um instrumento que permite você não depender apenas dos veículos tradicionais de imprensa, que evidentemente são importantes e fazem um trabalho fundamental, mas permite que, mesmo que você não tenha espaço numa televisão, que é concessão pública, ou no jornal, você consiga, através da rede social, produzir seu próprio conteúdo e posicionar-se a respeito das coisas que são caras à população.

E, a partir desse posicionamento, as pessoas conseguem acompanhar aquilo que você pensa e se identificar com o seu trabalho para que você possa representá-las.

Eu penso dessa maneira. A rede social é um instrumento e acho que todo político deve fazer uso, porque é uma ferramenta também de transparência do mandato, em que você consegue ter uma interlocução com o eleitor. Por mais remoto que ele esteja de você, ele pode ter essa interlocução e fazer valer a sua voz para que o deputado possa estar consoante às vontades da população.

 

Sobre a representatividade política do Vale do Paraíba, tanto na Assembleia quanto na Câmara Federal, a região elegeu apenas dois deputados estaduais e um federal, quando tinha potencial de eleger mais. Você fez dobrada com o Pavanato, que teve mais de 232 mil votos aqui no Vale. A Eduarda Campopiano recebeu mais de 116 mil votos. De um lado, como convencer o eleitor a votar em gente da região e, do outro, fazer campanha ao lado de gente de fora? Como você vê essa questão? Você é favorável ao voto distrital?

Sim. Olha, os políticos do campo da direita e até mesmo os da esquerda. Você vê que os mais votados foram políticos posicionados dos dois campos. O deputado federal, por exemplo, Lucas Pavanato, no campo da direita, e a Erika Hilton, no campo da esquerda.

Mas, apesar disso e de eu ser parte desse campo, eu defendo o voto distrital. Talvez não fosse bom para esses políticos mais ideológicos, digamos assim, mas eu acredito que seria bom para nossa democracia.

Então, eu defendo o modelo de voto distrital, apesar de não ser o modelo ideal para que pessoas do meu perfil sejam eleitas. Ou seja, eu não estou pensando em mim, estou pensando no que é melhor para o Brasil. E, para o Brasil, eu acredito que o melhor seria o modelo distrital.

Agora, para que a gente tenha uma representatividade maior, eu acredito que a gente precisa de políticos com mais posicionamento. Eu acho que não basta. O eleitor está dando um recado aos políticos da nossa região: não basta dizer “vote em mim porque eu sou da região”.

Tem que dizer: “vote em mim porque eu defendo isso, isso, isso. Eu defendo os seus princípios e valores e também sou da região”.

Então, eu acredito que, se nós tivermos políticos mais posicionados, que é o que a população tem demandado, sobretudo quando você olha a estratificação dos políticos mais destacados no número de votos, a gente vai ter uma representação mais condizente com o que a nossa região mereceria.

Acerca do Lucas Pavanato, é importante lembrar que ele, apesar de estar registrado no colégio eleitoral de São Paulo, tem raízes aqui na nossa cidade, em São José dos Campos. Viveu aqui sua infância, adolescência e parte da juventude, estudou no Colégio João Cursino, fez faculdade na Etep, então os seus pais ainda moram aqui na cidade de São José dos Campos.

Então, essa identificação, sem sobra de dúvida, colaborou também com a votação expressiva que ele teve e vai ser correspondida com uma representatividade atenta à região do Vale do Paraíba, até porque eu, como candidato que fui apoiado por ele, o apoiei.

Os eleitores vão cobrar dele para que ele possa nos ajudar a intermediar recursos e estrutura para a nossa região, para compensar, para valorizar o eleitor do Vale do Paraíba que confia nele.

 

Você é crítico dos candidatos que saíram para deputado estadual ou federal, aqui na região, somente de olho na eleição municipal daqui a dois anos?

Não parei para refletir sobre isso antes, mas, de fato, a gente identifica algumas candidaturas que não são competitivas para realmente alcançar o mandato de deputado federal ou estadual, às vezes para projetar o nome para uma reeleição, para uma futura eleição municipal ou mesmo para uma prefeitura. E isso acaba dividindo os votos e diminuindo também a votação das candidaturas mais competitivas.

Eu não sei se eu tenho direito de criticar quem faz essa manobra. A democracia pressupõe que todos têm direito a se candidatar.

Mas vamos fazer um mea-culpa aqui. Eu acho que a classe política, as pessoas que se colocam como candidatos, precisam ter também a habilidade de criar consenso, de compor, de trazer essas pessoas para um projeto político que não seja um projeto pessoal de “eu quero ganhar para deputado estadual porque eu sou bom”.

Não. Tem que ter um projeto: “eu quero representar um projeto político de país, de região”. E, se mais pessoas se comprometerem e acreditarem nesse projeto e se os nossos políticos tiverem essa habilidade, eu acredito que essas outras candidaturas acabam reduzindo significativamente o número.

Eu posso atribuir também a minha eleição à ajuda que tive de outras pessoas do meu próprio partido.

Eu tive dois vereadores aqui, tanto Roberto Chagas como Sérgio Camargo, que me apoiaram. Eles poderiam ter sido candidatos, mas optaram por me apoiar. Tive o apoio de suplentes do meu partido, como Wagner Lima e Miguel Antônio, que também poderiam ter optado por outro caminho, por uma candidatura para se projetar, mas optaram por aderir a um projeto.

E, para que isso fosse possível, eu sentei, conversei, compus, desenhei um projeto que a gente tem não só para me tornar deputado estadual, mas para que eu possa representar um movimento de direita no Vale do Paraíba e que possa levantar novas lideranças, não só em São José dos Campos, mas em todo o Vale, com esse mesmo nível de representatividade que a gente gostaria de ver nas Câmaras Municipais de Vereadores, com independência para fiscalizar e com seriedade no trato do dinheiro público.

 

Você pretende fazer carreira no Legislativo ou quer ser prefeito de São José dos Campos algum dia?

Sinceramente, nesse momento eu só consigo pensar em fazer um excelente trabalho nos próximos quatro anos como deputado estadual para que as pessoas que votaram em mim não se arrependam de ter votado em mim. E esse é o meu grande objetivo nesse momento.

É natural que o jornalismo pergunte sobre outros objetivos, outros cargos, outras disputas. Eu respeito, mas seria até desrespeitoso com o eleitor que confiou o voto em mim nesse momento já projetar futuras disputas. Então, prioridade máxima em fazer um bom trabalho nos próximos quatro anos.

 

Você vai se envolver na campanha presidencial no segundo turno?

No sábado, eu já estou me colocando à disposição da população de São José dos Campos e do Vale. Eu vou reabrir o meu comitê eleitoral para adesivar com os adesivos e o material de campanha do Flávio Bolsonaro.

Então, claro, agora eu volto às minhas atribuições de vereador até janeiro do ano que vem, vou cumprir aqui o rito da Casa, mas, nos dias em que eu tiver disponibilidade, estarei na rua fazendo campanha e virando voto para o Flávio Bolsonaro.

Os votos que foram no Caiado, no Renan Santos, no Augusto Cury, a gente quer convencer que o Brasil precisa de uma mudança, precisa tirar o Lula do poder e colocar a opção que se apresenta aí, que é o Flávio Bolsonaro, nosso futuro presidente.

 

Você acha que já está garantida a eleição para Flávio Bolsonaro?

Não, de jeito nenhum, não está nada ganho. O PT é especialista em baixarias, sobretudo no segundo turno. Eu acho que vai ser uma campanha violenta de ataques ao Flávio nesse segundo turno por parte do petismo, mas a gente vai ser resiliente, vai mostrar e vai combater as mentiras do PT com a verdade.

Eu acredito que o Flávio tem, sim, muita chance de ganhar. Mas ele vai ter que ralar muito, a gente vai ter que suar muito.