Novas imagens de câmeras de segurança ajudam a esclarecer como começou a discussão de trânsito que terminou com a morte do estudante de Medicina Bruno Hashimura San Juliano, 23 anos, em Taubaté.
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Os registros mostram que o desentendimento começou cerca de um minuto antes dos tiros, após uma manobra envolvendo os carros da vítima e do bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, 28 anos, que teve a prisão decretada.
O crime aconteceu na manhã de 30 de setembro, na avenida Professor Walter Thaumaturgo, conhecida como Avenida do Povo. Bruno se encaminhava para uma prova na Unitau (Universidade de Taubaté) quando foi baleado. Ele chegou a tentar buscar ajuda, mas não resistiu aos ferimentos.
As imagens registradas às 6h58 mostram o Jeep preto conduzido pelo bombeiro reduzindo a velocidade e entrando à frente do Chevrolet Prisma prata dirigido por Bruno, já no acesso a um túnel sob a rodovia Presidente Dutra.
Os carros eles vinham pela Avenida Dom Pedro 1º e entraram no túnel conhecido como 'túnel do Mercatau', que liga a rua Professora Maria Escolástica de Jesus à Avenida do Povo.
O trecho é de pista mais estreita. Após ser fechado pelo utilitário, Bruno acionou a buzina. Na sequência, segundo a análise das imagens, o bombeiro freou bruscamente.
O cruzamento dos horários registrados pelas câmeras com os demais elementos da investigação levou a Polícia Civil a descartar a hipótese de que os dois motoristas estivessem em uma perseguição anterior. A apuração indica que a discussão começou naquele momento.
Poucos metros depois, os veículos pararam em um semáforo na Avenida do Povo. Foi então que o desentendimento evoluiu para a abordagem que terminou com os disparos contra o estudante.
O inquérito, que tem 101 páginas, aponta que não foram encontrados elementos que sustentem a versão de legítima defesa apresentada pelo bombeiro durante a investigação.
De acordo com a Polícia Civil, Marcos efetuou pelo menos cinco disparos. Quatro atingiram Bruno: dois no tórax, um no pescoço e outro de raspão no braço.
Também não foi encontrada arma de fogo no carro do estudante.
Uma testemunha que estava em outro veículo relatou aos investigadores que o bombeiro saiu do Jeep, caminhou até o Prisma e desferiu três cotoveladas contra o vidro do lado do motorista, até quebrá-lo. Na sequência, segundo o depoimento, os disparos foram feitos a curta distância.
Mesmo ferido, Bruno tentou sair do carro pelo lado do passageiro para pedir ajuda. Ele conseguiu percorrer cerca de 100 metros antes de cair. O estudante não resistiu aos ferimentos.
A investigação também apontou que o bombeiro já havia se envolvido em pelo menos outras três brigas de trânsito nas quais houve ameaças relacionadas ao uso de arma.
Marcos foi preso em flagrante logo após o crime, mas recebeu liberdade provisória na audiência de custódia, com a imposição de medidas cautelares.
O Ministério Público recorreu da decisão e pediu a prisão preventiva do acusado. O recurso foi apresentado pelo promotor de Justiça Brenno Arruda Sobreira de Siqueira Figueiredo.
A Justiça de São Paulo acolheu o pedido e decretou a prisão preventiva. A Polícia Civil também indiciou o bombeiro por homicídio qualificado, considerando as circunstâncias apontadas na investigação, entre elas motivo fútil e recurso que teria dificultado a defesa da vítima.
O mandado de prisão foi expedido, mas seu cumprimento ficou condicionado às regras previstas na legislação eleitoral. Como o primeiro turno das eleições ocorreu no domingo (4), a restrição à prisão de eleitores se estende até esta terça-feira (6), conforme as regras do Código Eleitoral, salvo as exceções previstas em lei.
Bruno cursava o 4º período (2º ano) de Medicina na Unitau. Ele morava em Jacareí com a mãe, a esposa e o filho de 2 anos.
A morte do estudante provocou comoção entre familiares, amigos e colegas de universidade. O caso também gerou manifestações em Taubaté e repercussão em toda a região.
A investigação agora deve avançar com base nas imagens de segurança, depoimentos e demais provas reunidas no inquérito. Marcos responderá pelo caso na Justiça.