A Polícia Civil deve ter mudanças no comando de duas unidades estratégicas de São José dos Campos. O delegado Neimar Camargo Mendes vai deixar a Delegacia de Homicídios e deve assumir a Delegacia Seccional do município. No lugar dele, o delegado Thiago Amaral Fonseca passará a comandar a unidade responsável pelas investigações de crimes contra a vida.
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Neimar confirmou a saída da Homicídios na manhã desta sexta-feira (2), em mensagem de despedida enviada a profissionais de imprensa. Procurado por OVALE, o delegado disse que aguarda a publicação para a nova designação.
A mudança encerra um período de mais de cinco anos de Neimar à frente da Delegacia de Homicídios. Ele foi designado para a unidade especializada da Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) em São José dos Campos em março de 2021.
Confirmada a Seccional, a nova função vai ampliar a responsabilidade de Neimar dentro da estrutura da Polícia Civil. Como delegado seccional, ele passa a atuar na supervisão das unidades policiais subordinadas à Seccional de São José dos Campos.
Na mensagem, Neimar agradeceu a parceria durante o período em que esteve à frente da Delegacia de Homicídios e anunciou Thiago Amaral como seu sucessor.
“Depois de um período à frente da Delegacia de Homicídios de São José dos Campos, chegou o momento de seguir para uma nova etapa da minha carreira”, afirmou.
Thiago Amaral Fonseca já possui experiência na estrutura da Polícia Civil de São José dos Campos. Segundo registros do Estado, ele atuou no 5º Distrito Policial e também passou pelo plantão da Delegacia Seccional.
À frente da Delegacia de Homicídios, o delegado será responsável pela condução e coordenação de investigações de assassinatos e outros crimes atribuídos à unidade especializada.
O trabalho envolve a condução de inquéritos, análise de provas, solicitação de medidas judiciais e atuação conjunta com investigadores, peritos e demais órgãos da segurança pública.
Durante o período em que comandou a Delegacia de Homicídios, Neimar esteve à frente de investigações de casos de grande repercussão em São José dos Campos e região.
Entre as apurações está o assassinato de Thalita de Arantes Lima, de 41 anos, investigado em maio de 2026. O suspeito foi localizado em Aparecida após buscas realizadas em diferentes cidades.
Outro caso ocorreu em 2021 e envolveu a morte de um homem de 42 anos após uma briga de trânsito em São José dos Campos.
Mais recentemente, a equipe investigou o assassinato de Evandro Luiz Prudente, de 33 anos, morto dentro de uma academia no bairro Santana, na zona norte da cidade.
O crime aconteceu em 25 de agosto de 2026, na Avenida Rui Barbosa. Câmeras de segurança registraram o momento em que um homem armado entrou no estabelecimento e efetuou diversos disparos contra a vítima, que estava sentada em uma poltrona.
A investigação avançou com auxílio das imagens do estabelecimento e do sistema de monitoramento da cidade. Os policiais identificaram a motocicleta utilizada após o ataque e, posteriormente, um Hyundai HB20 branco.
O veículo foi acompanhado pela Via Dutra até a região de Itatiaia, no Rio de Janeiro. Três homens investigados por participação no crime foram presos horas depois nas proximidades do pedágio.
As prisões foram posteriormente convertidas em preventivas pela Justiça do Rio de Janeiro. A investigação continuou para esclarecer a participação individual dos suspeitos e a motivação do homicídio.
Na mensagem de despedida, Neimar também ressaltou a importância da relação entre a Polícia Civil e os veículos de comunicação.
Segundo o delegado, a divulgação responsável das investigações ajuda a população a acompanhar o trabalho policial e a compreender que os crimes estão sendo apurados.
“A relação entre a Polícia e a imprensa é extremamente importante”, afirmou.
Neimar também defendeu o papel fiscalizador dos jornalistas e afirmou que a imprensa deve cobrar e questionar o serviço público quando necessário.
“A imprensa tem não apenas o direito, mas também o importante papel de cobrar, questionar e apontar se o serviço público não estiver a contento.”
O delegado ainda destacou que o trabalho policial não se resume à identificação dos responsáveis por um crime, mas também envolve a prestação de contas à sociedade.
Outro ponto abordado por Neimar foi a necessidade de preservar informações durante determinadas etapas das investigações.
Segundo ele, jornalistas precisaram respeitar momentos em que dados não poderiam ser divulgados imediatamente por causa do andamento das apurações.
O cuidado com o sigilo pode ser necessário para preservar diligências, localizar investigados, colher depoimentos e reunir provas. Após as etapas consideradas decisivas, a divulgação dos resultados permite que a sociedade acompanhe o trabalho realizado pela Polícia Civil.
Ao deixar a Delegacia de Homicídios, Neimar afirmou sair com a sensação de dever cumprido e agradeceu aos profissionais que acompanharam o trabalho da unidade.